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terça-feira, 3 de agosto de 2010

I ♥ Amazon (parte nem sei quantas)

Na quinta-feira passada, no Colosso, a Joaninha falava-me empolgada (pela segunda vez em poucos dias) de Inception, o filme que tenho de ir ver quanto antes. Trabalhamos como umas condenadas, é certo, mas também se arranjam uns minutinhos para descomprimir. Fomos ver como estavam as críticas ao filme na imdb. Acima de 9 (em 10!). Para podermos estabelecer comparações, começámos a investigar outros títulos. O primeiro que me ocorreu procurar foi The Shawshank Redemption, indiscutivelmente um dos filmes da minha vida. E foi assim que descobrimos duas coisas: está em n.º 1 no ranking de votações da imdb (mais de meio milhão de votos, podem consultar a lista aqui), Inception ocupa neste momento o 3.º lugar. De caminho descobri também que a Joaninha nunca tinha visto The Shawshank Redemption (ter apenas 29 anos tem destas coisas, não pode ser tudo bom). Prontifiquei-me a emprestar-lhe o filme. 

À noite, chegada a casa, tirei o filme da estante. Tinha-me sido oferecido por um amigo ainda antes de eu ter sequer leitor de DVD, tão ciente estava da minha paixão por ele. Era uma edição nacional, unicamente com legendas em português, legendas que as opções do filme nem permitiam tirar. Não passou dessa noite, Amazon comigo! E encontrei esta soberba edição com três discos e ainda o script. O preço foi anedótico, 12 libras e pouco, um DVD da Floribela é capaz de ser mais caro na Fnac.

Chegou hoje, é esta beleza.

É significativo que, quando comecei aqui a falar das cenas de filmes da minha vida (que não integram forçosamente filmes da minha vida, mesmo acumulando na maior parte das vezes), tenha sido justamente uma cena deste filme a primeira escolhida. Parece-me impossível ficar insensível a esta cena, goste-se ou não de Ópera, goste-se ou não de Mozart (será possível?). No meu caso, sabe-se, é duplamente grave. Não resisto a voltar a pô-la aqui.




Sim, é a mesma gravação do filme, dirigida por Karl Böhm, Gundula Janowitz (Condessa) e Edith Mathis (Susanna).

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Cenas de filmes da minha vida #22: Ligações Perigosas

A cena final.

Depois da morte do Visconde de Valmont, que entrega as cartas a Danceny, as maquinações da Marquesa de Merteuil são agora do domínio público. A explosiva Carta LXXXI (vide entrada anterior) choca o tout Paris. A Marquesa é vaiada na ópera.

Nem vale a pena comentar, tão poderosa a cena é, tão mágica é a representação de Glenn Close.

domingo, 17 de maio de 2009

Cenas de filmes da minha vida #21: Ligações Perigosas

É impossível não voltar mais vezes a este magnífico filme de Stephen Frears. E à incomparável Marquesa de Merteuil que foi Glenn Close. Como tal, não consigo perdoar à Academia o ter dado o Oscar a um grande desempenho, estamos de acordo — Jodie Foster, de quem gosto muitíssimo, em Os Acusados —, mas que não chega às alturas que este de Glenn Close atinge.

Já no ano anterior acontecera a mesma coisa: Cher, com uma prestação muito competente, mas não muito mais do que isso, levou a estatueta para casa. Devia, na minha modesta opinião, ter sido Glenn Close a ganhar, com a sua arrepiante personagem em Atracção Fatal, Alex Forrest. O American Film Institute, numa listagem dos maiores heróis e vilões da história do cinema, dá-lhe um destacadíssimo 7.º lugar (a única mulher que lhe ficou à frente, em 5.º lugar, foi Louise Fletcher, como Enfermeira Ratched em Voando Sobre Um Ninho de Cucos) na lista dos vilões.

Nesta cena magistral de Ligações Perigosas, a Marquesa de Merteuil conta ao seu antigo amante, actual cúmplice e em breve inimigo mortal, o Visconde de Valmont (John Malkovich, também insuperável), como construiu a sua persona de sociedade. A descrição é uma parte da celebérrima Carta LXXXI do livro (podem ler o original aqui), da qual virão a ser retiradas pelo menos mais duas cenas — ainda não encontrei a magnífica cena com Cécile de Volanges (Uma Thurman, brilhante na sua estreia no cinema), mas ainda não perdi a esperança...

sábado, 25 de outubro de 2008

Cenas de Filmes da minha vida #20: Four Weddings and a Funeral

Foi o post mais recente da Ana que me lembrou esta cena.

Vivo no terror de perder os que amo. Deus sabe que já tive perdas dolorosas, quisera Ele que não tivesse mais nenhuma. Quando revejo esta cena penso em certas pessoas, que não suporto sequer a ideia de que possam partir antes de mim. Elas sabem quem são.

Funeral Blues (Song IX)

Stop all the clocks, cut off the telephone.
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling in the sky the message He is Dead,
Put crêpe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever, I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun.
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.


W.H. Auden

Cenas de filmes da minha vida #19: The Thomas Crown Affair

Para mim é, provavelmente, a cena mais sensual da história do cinema. A cena da partida de xadrez.

The Thomas Crown Affair, de 1968, recebeu em Portugal o título pateta de O Grande Mestre do Crime. Os brasileiros, não querendo ficar-nos atrás, parece que lhe chamaram Crown, o Magnífico. Os espanhóis, surpreendentemente, ficaram-se por um sóbrio El Caso de Thomas Crown, que não os envergonha.

Nunca quis ver o remake do filme, mesmo sendo com Pierce Brosnan, aquele regalo para os meus olhos (já contei que um dia me cruzei com ele na Bond Street, em Londres?), tão forte é a lembrança de Steve McQueen e de Faye Dunnaway no original. Ele morreu com apenas cinquenta anos, tinha eu vinte. Ela parece lidar mal com o envelhecimento e fez umas atrocidades à cara que a transformaram numa coisa grotesca.

E há a música. The Windmills of Your Mind, cantada por Noel Harrison e vencedora de um Oscar. Curiosamente, no ano anterior o Oscar para a melhor canção tinha ido para o Grande Sir Rex Harrison, seu pai. A versão de Dusty Springfield é soberba, mas optei por pôr aqui o original.

Um dia, há muitos anos (princípio de 1981, se não me falha a memória), estando com um grupo de amigos no Snob, discutia animadamente música com o Pedro B. Veio esta canção à memória. Nenhum de nós se lembrava do título, de quem a cantava ou de como era. Estávamos exasperados, a melodia teimava em fugir-nos. E nisto, da mesa do lado, uma menina, que devia estar farta dos chatos com quem estava e se tinha posto a ouvir a nossa conversa (tanto o Pedro B. como eu falamos muito baixo, a pequena estava toda esticada), começou a cantarolar, coradíssima, The Windmills of Your Mind. Só não lhe demos um abraço porque não calhou, tão gratos lhe ficámos. Era aquilo mesmo! E ela acabou a noite na nossa mesa, a discutir música connosco. E trouxe valiosas achegas.

A magistral cena do jogo de xadrez. Se isto não é sensual, alguém que me explique melhor o significado da palavra.


E uma bela homenagem ao filme. Ao som de The Windmills of Your Mind, claro.

sábado, 7 de junho de 2008

Cenas de filmes da minha vida #18: A Educação de Rita

Tudo neste filme me faz vibrar, a começar na deliciosa ambiguidade do título original: Educating Rita. A tradução portuguesa está correcta (os espanhóis chamaram-lhe, também correctamente, Educando a Rita). Mas pode ser qualquer coisa diferente: Rita, a Educadora...

Acredito que quem viu este filme de 1983, realizado por Lewis Gilbert, nunca o esqueceu, tanto nos envolve. A mim fez-me (faz-me) rir, sorrir, comove-me, deixa-me à beira das lágrimas ou em choro declarado, consoante a minha vulnerabilidade no momento — a cena da tentativa de suicídio da amiga de Rita...

Três nomeações para os Oscars: Julie Walters (que já tinha criado a personagem em palco, em 1980), Michael Caine e Willy Russel, autor da peça, que assinou também o guião. Nenhum deles levou a estatueta, é certo. Adoraria ver a peça: apenas dois actores, no gabinete de Frank na Universidade.

Frank é professor de Literatura na Universidade de Londres — a beirar o alcoólico, uma vida medíocre, a mulher trai-o pouco discretamente com um colega da Universidade. Susan — Rita, o nome que escolhe para a nova pessoa que quer ser — é uma cabeleireira do East End com um inglês atroz, pronúncia cockney cerrada, que aproveita uma iniciativa chamada Universidade Aberta para se educar. Rita tem 26 anos. Talvez nem seja verdadeiramente ambiciosa, talvez não saiba exactamente o que a motiva, talvez não saiba exactamente o que quer, mas sabe o que não quer, pelo menos por enquanto. Filhos, por exemplo, e o marido a pressioná-la, e ela a tomar a pílula às escondidas...

Podia ser apenas mais uma versão do Pigmaleão de Shaw. Nada disso. É um filme inesquecível, repito. Um dos filmes da minha vida. A cena que aqui fica (e estive mais de vinte anos sem a rever) nunca me saiu da cabeça, por causa do extraordinário e sucinto «Do it on the radio».

Um conselho: saltem o texto e vejam directamente a cena.
Frank: Yes, well, now... In reply to the question, "Suggest how you would resolve the staging difficulties inherent in a production of Ibsen's Peer Gynt"... You have written, quote, "Do it on the radio. "
Unquote.
Rita: Yeah.
Frank: Well?
Rita: Well what?
Frank: Well, I know it's probably quite naive of me, but I did think you might let me have a considered essay.
Rita: Yeah, well, that's all I could do in the time. We've been dead busy in the shop.
Frank: You write your essays at work?
Rita: Yes. Denny doesn't like me doing this. He gets narked if I work at home and I can't be bothered arguing with him.
Frank: Rita, you can't go on producing work as thin as this, not if you want to pass an exam.
Rita: I thought that was the right answer. I sort of encapsulated all me ideas into one line.
Frank: It's the basis for an argument but a single line is not an essay. You know that as well as I do.
[Frank estende-lhe a folha, aquilo não serve; Rita senta-se à mesa, desata a escrever furiosamente, instantes depois levanta-se e entrega-lhe a sua produção]
Frank: What?
Rita: I've done it.
Frank: You've done what?
Rita: Me essay.
[um resignado Frank começa a ler em voz alta]
Frank: «In attempting to resolve the staging difficulties in a production of Peer Gynt I would present it on the radio because, as Ibsen says, he wrote it as a play for voices, never intending it to go on in a theatre. If they had had the radio in his day, that is where he would have done it.»

Brilhante. Simplesmente brilhante.




Banda sonora: Boccherini, Minuete do Quinteto de Cordas Op. 13

Banda sonora N.º 2 e oficial: Grieg - Peer Gynt Suite N.º 1 - Morning Mood
Karajan, Filarmónica de Berlim


Adenda: a Ana, minha old soul, chamou-me (e que bem!) a atenção para o facto de a música mais adequada a este post ser, inquestionavelmente, o Peer Gynt de Grieg. A minha cabeça deve andar realmente feita num oito, porque nem me tinha lembrado de tal! Uma vez na vida, tive sorte, que a esta hora já sabem que eu sou uma espécie de exemplo vivo e acabado da Lei de Murphy: encontrei no Limewire a minha versão! Karajan com a Filarmónica de Berlim. Tinha saudades desta música.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Cenas de filmes da minha vida #17: A Flauta Mágica

Só podia acabar esta noite, em que me sinto feliz-feliz, ao som de Mozart, o meu consolo na tristeza, alma irmã na alegria, que é a parte maior de mim.

A encantadora cena da obra-prima que é o filme de Ingmar Bergman, o delicioso dueto Papageno! Papagena!, quando o tonto Papageno encontra finalmente a sua alma-gémea. Quero lá saber que seja cantado em sueco! É Mozart! E A Flauta Mágica, como já devem estar refartos de saber, é a minha ópera mais amada.

Vi o filme quando estreou no Londres, em Dezembro de 1976, em êxtase absoluto, tinha apenas 16 anos. Ser-me-á sempre muito querido.

Desculparão que a música que aqui ponho não seja o dueto - não o tenho no computador, é muito tarde e acordo muito cedo. Deixo-vos com a irresistível primeira ária de Papageno, Der Vogelfänger Bin Ich Ja, na voz maravilhosa de um cantor que venero: Hermann Prey. Um Papageno incomparável.

Durmam bem. Eu bem sei com que vou sonhar. Na véspera dos meus anos contarei...


domingo, 4 de maio de 2008

Cenas de filmes da minha vida #15: Barry Lyndon

Vi Barry Lyndon, para mim a obra-prima de Stanley Kubrick, quando estreou nos cinemas, em 1977. Lembro-me de o ter visto no Apolo 70, no fim do meu 7.º ano do liceu, com o Duarte, a Vanda e o Manel, e lembro-me de ter ficado vivamente impressionada. Mais tarde viria a ler o romance de Thackeray no qual é baseado (apesar de lhe preferir o feroz Vanity Fair, principalmente por causa da gigantesca personagem que é Becky Sharp).

Nunca esqueci o filme, procurei-lhe persistente e obcecadamente a banda sonora, que o meu querido amigo Artur acabaria por me encontrar em Londres, em 1995 - posso jurar que durante duas semanas não ouvimos praticamente mais nada.

Só voltaria a revê-lo vinte anos depois, já em 1997. A Nita tinha-o em VHS e emprestou-mo. Foi quase reverencialmente que o revi, tal a sua magia. E depois, a certa altura, o grande sobressalto: as imagens do parque, a silhueta do palácio de Lady Lyndon (Marisa Berenson)... eu conhecia aqueles verdes, aquele templo, aquela ponte... «I had been there before. I knew all about it.» Era Castle Howard, para mim sempre Brideshead.

Fiz uma troca com a Nita: Ela deu-me o seu Barry Lyndon, eu dei-lhe o meu A Amante do Tenente Francês, que ela muito desejava e já não encontrava à venda.

Na semana seguinte devo ter revisto o filme umas quatro ou cinco vezes. Até hoje não mudei de opinião. Esteticamente, corre o risco de ser um dos mais belos filmes alguma vez feitos. Uma autêntica tapeçaria. Cada imagem é uma pintura.

Deixo aqui duas cenas.

A da abertura, em que a sombria Sarabande de Händel tem um tom ominoso a pressagiar tragédia. Não há no filme, de resto, uma única cena feliz, um único momento de alegria — a cada instante perpassa uma imensa melancolia, que a extraordinária banda sonora sublinha admiravelmente.



A cena do início do romance entre Redmond Barry (mais tarde Barry Lyndon) e Lady Lyndon. O que mais me fascina nesta cena é a luz — ou a falta dela. É assim que imagino uma sala de ópera no século XVIII, com esta luz bruxuleante a projectar sombras misteriosas.



terça-feira, 29 de abril de 2008

Cenas de Filmes da Minha Vida #14: Out of Africa

Karen:

Now take back the soul of Denys George Finch-Hatton, whom You have shared with us. He brought us joy...we loved him well.
He was not ours.
He was not mine. He was not mine.

(He was not mine....)



«The time you won your town the race
We chaired you through the market-place;
Man and boy stood cheering by,
And home we brought you shoulder-high...

Smart lad, to slip betimes away
From fields where glory does not stay
And early though the laurel grows
It withers quicker than the rose...
Now you will not swell the rout
Of lads that wore their honours out,
Runners whom renown outran
And the name died before the man...
And round that early-laurelled head
Will flock to gaze the strengthless dead,
And find unwithered on its curls
The garland briefer than a girl's.»

To An Athlete Dying Young, A. E. Housman (1859-1936)

domingo, 20 de abril de 2008

Cenas de Filmes da Minha Vida #13: Música no Coração

Edelweiss. Está tudo dito, não?

Não querendo ser mal agradecida à alma generosa que pôs isto no Youtube... custava muito ter posto mais três segundos e deixar aqui o adorável e apologético encolher de ombros final do Capitão-Christopher Plummer a Maria-Julie Andrews, quando ele se perde a olhar para ela? [sei que o meu Huclkeberry Friend vai concordar comigo] Ó insensibilidade! Não terá percebido que esse gesto sublinha o momento exacto em que ela se apaixona por ele? Eu também me apaixonaria, BTW.

Por outro lado... os maravilhosos apontamentos de voz de Liesl-Charmian Carr, não registados em disco, ainda me põem mais a chorar. É fatídico: eu passo este filme TODO a chorar, TUDO nele é pretexto para eu derramar copiosas e felizes lágrimas.

Cada vez mais um dos filmes da minha vida, um daqueles a levar para a tal ilha deserta (havendo lá electricidade e leitores de DVD...).



P.S: Nem vos passa pela cabeça o que eu já chorei a rever esta cena várias vezes, antes de a pôr aqui...

terça-feira, 18 de março de 2008

Cenas de filmes da minha vida #12: Casablanca

Mais cedo ou mais tarde, esta cena mágica de um filme eterno teria de figurar aqui. Por causa de um comentário do Pedro (que não tem blóguio)*, é hoje. E sim, «we’ll always have Paris…»

* Adenda: O Pedro é um grande sonso, é o que é! Tem blóguio desde ontem e estava caladinho que nem um rato. O nome?... We'll always have Paris... ! (sem comentários...)

(favor carregar no botãozinho ao lado para parar a música)

Rick: Last night we said a great many things. You said I was to do the thinking for both of us. Well, I've done a lot of it since then, and it all adds up to one thing: you're getting on that plane with Victor where you belong.

Ilsa: But, Richard, no, I... I...

Rick Blaine: Now, you've got to listen to me! You have any idea what you'd have to look forward to if you stayed here? Nine chances out of ten, we'd both wind up in a concentration camp. Isn't that true, Louie?

Captain Renault: I'm afraid Major Strasser would insist.

Ilsa: You're saying this only to make me go.

Rick: I'm saying it because it's true. Inside of us, we both know you belong with Victor. You're part of his work, the thing that keeps him going. If that plane leaves the ground and you're not with him, you'll regret it. Maybe not today. Maybe not tomorrow, but soon and for the rest of your life.

Ilsa: But what about us?

Rick: We'll always have Paris. We didn't have, we, we lost it until you came to Casablanca. We got it back last night.

Ilsa: When I said I would never leave you…

Rick: And you never will. But I've got a job to do, too. Where I'm going, you can't follow. What I've got to do, you can't be any part of. Ilsa, I'm no good at being noble, but it doesn't take much to see that the problems of three little people don't amount to a hill of beans in this crazy world. Someday you'll understand that. [she begins to cry] Now, now... Here's looking at you kid…

segunda-feira, 10 de março de 2008

Cenas de filmes da minha vida #11: A Dama e o Vagabundo

Para mim (e parece que também para alguém que sabe um bocadinho mais do assunto do que eu, um certo senhor chamado Steven Spielberg) é a mais bela cena de amor da história do Cinema.

Quando aqui fiz esta afirmação revolucionária e, em simultâneo, me queixei de não a encontrar no Youtube, a minha querida CoRa apressou-se a mandar-ma no Yahoo - infelizmente o site não permite publicação nem fazer cópia (seria a outra via, não muito ortodoxa, mas já a ela tive de recorrer algumas vezes... e mais não conto, se alguém quiser usar no seu blóguio um filme do Youtube e o antipático do senhor que lá o pôs não autorizar a reprodução, venha falar comigo, eu ensino - quem não tem cão... caça com girafa). Ontem foi a vez de o meu Huckleberry Friend intervir... et voilà!

Aqui fica a cena enternecedora, que me põe sempre de olhos rasos de lágrimas. Deixo-vos com ela, ao som de uma outra música imortal também saída dos estúdios Disney, num outro filme: Pinóquio. Anda por aí algures uma edição da história traduzida por mim. Confesso que é das coisas saídas da minha pena de que mais me orgulho. Aqui para nós, ficou mesmo bonita e expressiva.

A versão de When You Wish upon a Star é a original, cantada por Cliff Edwards (obrigada, Limewire).


quinta-feira, 6 de março de 2008

Cenas de Filmes da Minha Vida #10: Música no Coração

E pronto, só de rever isto antes de publicar aqui, já estou a chorar como uma parva, com um sorriso de felicidade estúpida... É o efeito que este filme tem em mim: choro copiosamente o tempo inteiro. Abençoada evasão!

Considero que esta cena é possivelmente a segunda cena de amor mais bonita da História (aqui com maiúscula) do Cinema (também com maiúscula). A primeira - e riam lá agora todos a bandeiras despregadas - é a cena do restaurante italiano de A Dama e o Vagabundo. Lembro-me de há muitos anos eu e o meu primeiro namorado, D., lá pelos meus 16 anos e 17 dele, termos levado a nossas irmãs pequeninas, à época com dez, ao Tivoli a uma reposição do filme. A assistência, está bom de ver, era só miudagem. Gritaria, confusão. Na tal cena, eu e ele (claro!, eu sei escolher as minhas pessoas!) chorávamos como Madalenas, a Ana e a Picky nem pestanejavam... Viríamos mais tarde a ser reabilitados - e de que maneira! - quando vi, num documentário qualquer, um certo génio chamado Steven Spielberg declarar que considerava a cena do restaurante italiano de A Dama e o Vagabundo (Disney, sim. Desenhos animados, também sim. Não encntro no Youtube, alguém tem? Obrigada) a maior cena de amor da história do cinema.

Esta que aqui vos deixo (fraudulentamente arranjada, don't ask) faz-me chorar sempre, fatidicamente, tão emotiva é. Faz-nos voltar ao tempo em que os príncipes casavam com pastorinhas. É a cena da dança. The Ländler. Uma espécie de equivalente ao momento mágico de música em que, na Bohème, Rodolfo e Mimi põem os olhos um no outro.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Cenas de Filmes da Minha Vida #9: Bugsy Malone

Se bem que coincidam quase sempre, talvez já tenham reparado que algumas vezes as cenas de filmes da minha vida que aqui tenho posto não fazem parte dos filmes da minha vida. Bugsy Malone, de Alan Parker (1976), é um desses casos. Ainda assim, é sempre com imenso prazer que o revejo.

Poderia ser apenas mais um filme de gangsters no tempo da Lei Seca. Mas dois pequenos pormenores fazem dele um filme único: a fabulosa música de Paul Williams e o facto de todos os actores serem crianças.

Jodie Foster, que dispensa apresentações, cantora num speakeasy e mulher fatal, é a namorada de Fat Sam, o chefe dos bandidos, e sente-se irresistivelmente atraída por Bugsy Malone, ao serviço dele («everybody loves that man, Bugsy Malone» - como canta o refrão do tema-título). A composição da sua personagem, Tallulah, é extraordinária. Tinha apenas 13 anos, foi logo a seguir a Taxi Driver. Vejam-na aqui em My Name Is Tallulah... e deliciem-se.

Não resisto a pôr também o trailer original do filme. Divirtam-se!

domingo, 11 de novembro de 2007

Cenas de Filmes da Minha Vida #8: Sophie's Choice

Este é indubitavelmente um dos filmes da minha vida. Estranhamente, continua por editar para a região 2, tive de o mandar vir da Amazon americana (como a muitos outros, de resto).

Alan J. Pakula, 1982. Uma adaptação primorosa do romance homónimo de William Styron. Sophie's Choice (A Escolha de Sofia) também me deu a conhecer dois extraordinários actores: Kevin Kline (um dos meus actores-fetiche) e Peter MacNicol, que viria a fazer quase exclusivamente televisão. Confesso que encomendei toda a série Ally McBeal principalmente por causa dele.

E... Meryl Streep, claro. A minha menina Meryl, a maior actriz do mundo. Se não tivesse ganho o Oscar com este filme só podia estar mesmo tudo doido. Não tenho adjectivos suficientes para classificar o seu desempenho. Esta é a cena desgarradora que deu o título ao livro e ao filme. A cena da escolha.

Não digo mais nada e tiro a música.



domingo, 21 de outubro de 2007

Cenas de Filmes da Minha Vida #7: Amadeus

Digam lá que não estavam a estranhar que eu não falasse de Mozart já há uns tempos...

Por meios fraudulentos que agora não interessam nada, pude deitar as unhas a esta preciosidade. A cena de Amadeus em que Salieri (F. Murray Abraham, Oscar por este magistral desempenho) faz, com palavras lindas que continuam a fazer-me chorar, o impossível: descrever música.

Lembro que o filme foi retirado da peça homónima de Peter Shaffer, que tive a felicidade de ver no Old Vic há oito anos, David Suchet (Agatha Christie's Poirot) como Salieri. Esta cena também está na peça e a música que se ouve (claro!) é esta mesma. A maravilhosa Gran Partita de Mozart. Obrigada pelas palavras, Mr Shaffer!

On the page it looked nothing. The beginning simple, almost comic. Just a pulse - bassoons and basset horns - like a rusty squeezebox. And then suddenly - high above it - an oboe, a single note, hanging there unwavering, untill a clarinet took it over and sweetened it into a phrase of such delight! This was no composition by a performing monkey! This was a music I'd never heard. Filled with such longing, such unfulfillable longing... It seemed to me that I was hearing the voice of God.


Com dedicatória para o Coveiro, que tambem é apaixonado por esta cena.

domingo, 19 de agosto de 2007

Cenas de filmes da minha vida #6: Out of Africa

Uma das cenas da minha vida, naquele que é também, indiscutivelmente, um dos mais importantes filmes da minha vida.

«A glimpse of the world through God's eye». O momento em que Meryl Streep estende a mão para trás, para agradecer aquele extraordinário presente, e juntos comungarem dele, é para mim dos mais sublimes momentos da história do cinema. A música de John Barry é a pincelada final. Perfeição absoluta.

domingo, 29 de julho de 2007

Cenas de Filmes da Minha Vida #5: Ligações Perigosas

Stephen Frears, 1988. Glenn Close e John Malkovich são insuperáveis como Marquise de Merteuil e Vicomte de Valmont. Todos os outros actores estão igualmente soberbos nas suas personagens: Michelle Pfeiffer como Madame de Tourvel, Uma Thurman (na sua estreia) como Cécile de Volanges, Swoosie Kurtz (que já vi no teatro, numa peça de Nora Ephron, Imaginary Friends, só ela e a assombrosa Cherry Jones em palco) como Madame de Volanges, Keanu Reeves como Chevalier de Danceny.

Já vi este filme incontáveis vezes. Quando estreou em Lisboa, não me aguentei e fui a correr vê-lo novamente... no dia seguinte. Tinha-o em VHS, tenho-o agora em dvd. Indispensável.

O mais notável - entre tantas coisas tão notáveis - neste The Dangerous Liaisons é provavelmente o trabalho de Christopher Hampton, que lhe valeu um muito merecido Oscar de melhor argumento adaptado. A adaptação foi feita da sua própria peça com o mesmo nome, que eu adoraria ter visto. Não sei se conhecem o velho clássico de Choderlos de Laclos de onde peça e filme foram retirados. Li-o pela primeira vez aos 14 anos, ainda em português, e fiquei fascinada. Acontece que o livro é... uma colecção de cartas. Cartas cruzadas entre as diferentes personagens. Ora se já é difícil passar um livro a filme sendo-lhe totalmente fiel, imaginem quando esse livro são apenas... cartas!
Valmont (1989), a visão de Milos Forman do livro, é uma grande mascarada. Uma festa para os olhos, sem dúvida, mas para além de deturpar imenso enredo, situações e, principalmente, o final, perde sempre na comparação.

Glenn Close é uma extraordinária actriz - tive a sorte de a ver em Londres como Blanche Dubois em A Streetcar Named Desire - com um enorme azar. Já por cinco vezes foi nomeada para os Oscars, e perdeu sempre. Aqui foi Jodie Foster quem lhe arrebatou o prémio, no ano anterior tinha sido Cher. Como marquesa de Merteuil é indescritível, deliciosamente pérfida, a mobilidade das suas expressões faciais dava assunto para dissertações. Tenho pena de não encontrar no Youtube, isolada, a poderosíssima cena final, em que ela, chegada do teatro, onde tinha sido vaiada, se senta ao toucador e tira a maquilhagem. Uma cena absolutamente inesquecível para qualquer pessoa que a tenha visto, é a última deste vídeo, que é uma bela homenagem ao filme.

Banda Sonora: Johann Sebastian Bach - Harpsichord Concerto No. 5 (Largo)

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Cenas de Filmes da Minha Vida #4: Amadeus

A arrebatadora cena em que Mozart, numa corrida contra a morte, dita passagens do Requiem a Salieri. Totalmente imaginária, é certo, mas nem por isso menos fascinante. O confronto entre o talento (e não podemos esquecer que Salieri era de facto um talentoso compositor) e o génio absoluto. Tom Hulce (Mozart) e F. Murray Abraham (Salieri). Estiveram ambos nomeados para o Oscar de melhor actor, e percebe-se porquê. Só um podia ganhar, ganhou o segundo. Um pequenino e irónico triunfo póstumo para Salieri.

Amadeus, de Milos Forman, nasceu de uma peça de teatro de Peter Shaffer. Vi-a no Old Vic em 1999, David Suchet (o Poirot da série de televisão) como Salieri. Foi uma noite de pura magia.

Parar a reprodução do Introitus para ver a cena