
É que nem há data melhor do que esta para cascar em
nuestros hermanos! Também podia ser o 14 de Agosto, aniversário da batalha de Aljubarrota, que eu há dois terços da minha vida defendo que devia ser feriado nacional, e olhem nem é pelo jeitão que dava termos dois feriados colados, é mesmo por patriotismo do bom!
Ai o que eu, portuguesa de boa cepa que sou, gosto de cascar nos Espanhóis! Notem que lhes estou a dar um "E" maiúsculo, como mandam as regras de bem escrever em português, quando nos referimos ao colectivo de um povo...
Os Espanhóis são uns cromos. A começar logo na sua total incapacidade de falarem outras línguas que não a sua (e mesmo essa... valha-nos Deus, é só atentar na pronúncia da Andaluzia!), mormente o inglês — isto está a correr bem, até consegui pôr aqui um dos advérbios mais pretensiosos da nossa língua,
mormente...
Pois dizia eu que eles não sabem falar idiomas (é como lhes chamam). Vejam bem o prodígio da imagem. Não é Photoshop, não. Este disco, que até é um dos discos da minha vida, existe. Tenho-o em vinil. Como também tenho em vinil o
Revolver dos Beatles, em cujo título não mexeram por razões óbvias. Mas mexeram nos títulos das canções, que eles traduzem tudo. E são barrigadas de riso.
De
Bridge Over Troubled Water (
Puente Sobre Aguas Turbulentas, já se sabe):
1.
Bridge Over Troubled Water - Puente Sobre Aguas Turbulentas
2.
El Condor Pasa (sortezinha, hem? Não precisaram de traduzir)
3.
Cecilia (idem)
4.
Keep the Customer Satisfied - Manteniendo Satisfecho al Cliente
5.
So Long, Frank Lloyd Wright - Hasta Luego, Frank Lloyd Wright
6.
The Boxer - El Boxeador
7.
Baby Driver - (desculpem, desta não me lembro, cá virá parar)
8.
The Only Living Boy in New York - El Unico Muchacho Viviente en Nueva York
(uma bomba Antónia em cima deles, que esta é uma das músicas da minha vida!!!)
9.
Why Don't You Write Me - Porque no me escribes
10.
Bye Bye Love - Adiós Amor
11.
Song for the Asking - Canción para tus Preguntas
De
Revolver, que graças a Deus manteve o título:
1.
Taxman - El Recaudador
2.
Eleanor Rigby - devem ter tentado, mas não mexeram
3.
I'm Only Sleeping - Estoy Dormiendo
4.
Here, There and Eveywhere - En Todas Partes
6.
Yellow Submarine - Submarino Amarillo
7.
She Said She Said - Lo Ha Dicho Ella
8.
Good Day Sunshine (não me lembro)
9.
And Your Bird Can Sing - Tu Ave y Su Canción
10.
Doctor Robert (parece-me que não mexeram)
11.
For No One - Para Nadie
12.
I Want to Tell You - Quiero Decirte
13.
Got to Get You Into My Life - Dentro de Mi Vida
14.
Tomorrow Never Knows (não me lembro, desculpem)
Também me lembro de ter visto em Barcelona, com capa espanhola, um prodigioso
Oscuridad al Borde de la Ciudad (
Darkness on the Edge of Town, de Bruce Springsteen. E, claro,
Nacido para Correr, também dele.
Eu e o Vítor temos voado muito na Iberia, por causa do nosso cartão
Frequent Flyer da American Airlines, que convém engordar o mais possível (a Iberia e a British Airways integram o mesmo grupo, o One World, muito generoso a creditar milhas, não é como aquela ranhosice do cartão
Victoria da TAP — por razões profissionais sei
mesmo muito bem do que estamos a falar). Se vamos juntos é só rir. Estamos sempre atentos às comunicações aos passageiros quando passam para o inglês, e rebolamos a rir. Tentamos ser discretos, mas não é fácil. Começa logo no «
Ladies and Gentlemen» da introdução... Fazemos antecipadamente apostas quanto ao que vai sair daquele
gentlemen...
Yentlemen?
RRentlemen?
Yentlem...
RRentlem...? — se repararem, eles têm a mania de comer a última sílaba. É sempre uma aventura!
Deixo para o fim os títulos de filmes e séries de televisão. Tenho um documento em word, amorosamente composto ao longo dos anos, com traduções parvas de títulos, todas as que consigo descobrir. Chamei-lhe
Feira de Disparates e é muito democrático, tem também os títulos portugueses e brasileiros, também são coisa jeitosa.
Até podia ser mazinha e pôr só os espanhóis, mas como a estupidez é mesmo coisa universal, deixo também os portugueses.
ADENDA: desconfio que a invenção de espetar aqui com uma tabela me deu cabo do blogue. Podem vê-la
aqui.
Quanto à banda sonora, vão levar com o Nino Bravo (eu gosto do Nino Bravo, pronto!) e o seu grande sucesso de 1972, que saiu já depois da sua morte, aos 28 anos:
Libre. Porque é espanhol, porque gosto da música (que há quatro anos ficou em segundo lugar numa votação nacional em Espanha como a canção mais romântica de sempre), e porque hoje, 1.º de Dezembro, comemoramos o facto de nos termos visto livres dos cromos dos Espanhóis.
¿Vale?