quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Fifty Shades of Grey


Fico-me pelo comentário de um amigo da Madalena lido ontem no Facebook:

«Diz que o filme tem uma tipa algemada a ser sodomizada enquanto bate com a cabeça numa mesinha de cabeceira feita em Rio Tinto.»

Parece-me que não haverá muito mais a dizer.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Don't try this at home


Eu gostava muito da minha garrafa Sigg, fiel companheira que me prestou bons e leais serviços durante uns cinco ou seis anos e prometia ficar comigo para o resto da vida, não tivera eu esta propensão inelutável para a trenguice. 

Num dia de calor sufocante do Verão passado, tive a luminosa ideia de pôr atempadamente a garrafa cheia a refrescar. No congelador, para ser mais rápido. Com aquele calorão, a água fresca havia de saber-me pela vida, que maravilha!

Pois. Tudo muito bonito. O problema foi que me esqueci da bendita garrafa. Quando me lembrei dela era demasiado tarde, o estrago estava feito e era irreparável. Custava muito a quem ma vendeu ter-me alertado para o facto de não poder ir ao congelador? Custava? 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

27 de Janeiro de 1945 - Libertação de Auschwitz

O texto que se segue foi inicialmente publicado no Delito de Opinião
em Abril de 2011, a convite do  Pedro Correia. 
Repito-o porque hoje se cumprem 70 anos sobre a libertação de Auschwitz. 
Como música de fundo, o Requiem do meu muito amado Mozart. 
Porque faz hoje 259 anos que Mozart nasceu.



O Gato de Janeiro

Nunca esquecerei o dia 24 de Janeiro de 2009. Foi o dia em que cumpri a promessa, antiga de muitos anos, de prestar homenagem aos cerca de três milhões de vidas que pereceram em Auschwitz. Três dias antes do 64.º aniversário da libertação do campo, a 27 de Janeiro de 1945.

A lista de nomes ilustres que por lá passaram ou lá perderam familiares é infindável (os pais do grande Billy Wilder, por exemplo, morreram em Auschwitz). Mas um nome ressalta, luminoso, a simbolizá-los a todos. O nome de uma adolescente de apenas quinze anos cuja voz cristalina continua a ecoar e a lembrar-nos que aquela tragédia aconteceu, que o Holocausto foi uma realidade: Anne Frank. O destino fez com que Anne Frank não se salvasse por muito pouco, por duas vezes, como que querendo que o seu diário (que, muito provavelmente, nunca teria vindo a público, tivesse ela sobrevivido) proclamasse para todo o sempre a infâmia, como um dedo acusador e indesmentível para toda a eternidade. O comboio que a transportou para Auschwitz foi o último a sair da Holanda com destino aos campos; Anne morreu no princípio de Março de 1945: se tivesse ficado em Auschwitz teria, possivelmente, sobrevivido; mas o exército vermelho avançava, vindo de Leste, e algures entre o fim de Outubro e os primeiros dias de Novembro de 1944, Anne e a irmã, Margot, foram levadas para Bergen-Belsen, mais a Ocidente, já na Alemanha. Recomendo a todos o extraordinário documentário Anne Frank Remembered, vencedor de um Oscar em 1995. Quando for a Amesterdão (que não conheço) hei-de visitar a casa-museu de Anne Frank. Outra peregrinação.

Ao contrário do que sucedeu em Dachau, há oito anos, desta vez fiz fotografias. Muitas. É que aquilo não pode ser esquecido. NUNCA. E levava uma incumbência. Pôr uma pedra (Os Judeus não põem flores, põem pedras) em memória do bisavô materno de um amigo, senhor respeitadíssimo e de rara erudição, de quem ele herdou um dos nomes, que morreu em Auschwitz, bem como quase toda a família desse lado, originária da Polónia. Recolhi em Auschwitz I uma pedra que depositei depois em Birkenau (Auschwitz II). É que o fim da linha de comboio, a linha de pesadelo que para entrar no campo passava por baixo daquela torre sinistra, ominosa, que visita às vezes os meus pesadelos como símbolo absoluto do Mal, era em Birkenau. Logo ali, junto à plataforma, eram feitas as selecções. Três quartos das pessoas seguiam directamente para a câmara de gás, só o quarto restante era usado (por tempo incerto e, quase sempre, muito breve) como mão-de-obra escrava. Para as crianças, os idosos e os deficientes Birkenau era o fim da linha, a morte imediata.



O Gato de Janeiro apareceu-nos numa manhã gélida, logo à entrada do campo, a seguir ao medonho letreiro de ferro que diz que o trabalho liberta. Baixei-me, ficámos uma eternidade em mimos, cócegas nas orelhas e no pescoço, ele a dar-me encorajadoras marradinhas nas pernas. Quando tentei despedir-me atirou-me uma sapatada certeira à bainha das calças, a puxar-me, acompanhada de um miado dengoso. «Não vás já embora! Quero mais mimo!» era a única interpretação possível para aquele gesto imperioso. Na atmosfera opressiva do campo, em que se fala baixinho, num sussurro respeitoso pelos horrores passados, aquele encontro cheio de afecto foi como uma pequenina clareira de sol ameno.

Esta manhã, dois anos volvidos, descobri que o meu Gato de Janeiro é célebre. Uma pesquisa no Google com as simples palavrinhas "Auschwitz cat" trouxe-me incontáveis notícias sobre ele. Apareceu um dia no campo e lá vive, anda sempre por perto da entrada, justamente na zona em que se deu o nosso encontro. Já houve até uma petição ao Governo polaco para lhe arranjar um abrigo, dados os frios rigorosos da região no Inverno. E não é ele, é ela. Insistem em chamar-lhe Rudolf ou Bruno. Prefiro chamar-lhe agora Messalina, em honra da inesquecível siamesa que morreu no meu colo três dias mais tarde, poucas horas depois do meu regresso de Cracóvia. A 27 de Janeiro, aniversário da libertação de Auschwitz, aniversário do nascimento de Mozart.

Aqui a têm, em imagens colhidas na Internet:







Os borbotos que fizeram História

É seguramente o tailleur mais célebre de todos os tempos. Foi muito azar que Jacqueline Kennedy, naquele fatídico dia 22 de Novembro de 1963, tivesse tido a infelicíssima ideia de usar um tailleur cor-de-rosa cheio de borbotos, que nem os sapatos e a carteira caríssimos (mas de que ninguém se lembra) salvavam. A imagem que o mundo guarda daquele dia em Dallas é a de um tremendo faux pas de moda, indigno de tal ícone: Jackie num fato cor-de-rosa e cheio de borbotos.

Hum? Quê? Aquilo não são borbotos? É lã bouclée? Querem convencer-me de que o tecido é mesmo assim? Palavrinha de honra?

Está visto que perdi uma (mais uma) belíssima ocasião de estar calada.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Aqui há gato

Só ontem vi pela primeira vez a revista digital New In Town, que me pareceu coisa interessante, útil e a acompanhar de perto. Pu-la imediatamente no feedly.

Há pouco havia uma actualização. Ora quem me conhece sabe da minha paixão por teatro e pode, portanto, imaginar como fiquei a bufar, exasperada, quando deparei com a notícia da imagem abaixo.

Gato em Telhado de Zinco Quente, Ana Luísa Bernardino, quem quer que seja a menina? Gato?! Gata, se faz favor! E não foi gralha, surge por duas vezes no texto. Um pouquinho de cultura geral é coisa que dá sempre jeito, e pode fazer falta quando menos se espera. Foi o caso. Aproveito também para lhe dizer que, quando se fala desta peça, ninguém se refere à protagonista como Margaret, mas sim como Maggie. Maggie the cat. A explicação para o título da peça está numa frase de Maggie no primeiro acto: «You know what I feel like? I feel all the time like a cat on a hot tin roof.» 

É claro que fui à página do Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, é claro que o título desta extraordinária peça de Tennessee Williams figura lá correctamente.

Deixei comentário com correcção na New in Town, vamos ver quanto tempo demora a ser aprovado e se corrigem (acredito que sim).

Uma nota final de profundo desagrado em relação à NIT: escreve ao abrigo do acordo ortográfico. Um rasgado louvor ao Teatro Municipal de Almada, que não vai cá em cantigas e escreve como Deus manda e eu e muito boa gente gostamos.

E por falar em acordo ortográfico: já todos assinaram a ILC contra essa aberração? 


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Longevidade


Vi hoje esta imagem num blogue. Um erro de digitação deu a Nelson Mandela mais dois séculos de vida. E ninguém viu, ninguém reparou, e isto continua a aparecer por aí. Assim se perpetua uma asneira. Nascido em 1718, seriously?
Acresce que quem fez esta bela composição devia desconhecer o significado de "RIP", mimoseando-nos assim com uma frase tão estúpida como "RIP IN PEACE".

Já agora, e a talho de foice: aproveito para dizer que tenho uma alergia feroz às imagens de cartõezinhos delicodoces com dizeres quase sempre parvos ou, pelo menos, de uma banalidade atroz, cuja intenção é inspirar-nos pensamentos elevados e/ou atitudes positivas. Todos os dias os vemos em número imoderado de blogues. Quando, a somar-se à parvoeira do cartãozinho em si, ainda somos presenteados com erros ortográficos, sejam em português, inglês ou francês, a festa é completa.

Também gosto especialmente de imagens com frases atribuídas a Coco Chanel... em inglês.

Só me apetece exclamar como o Visconde Reinaldo: «Senhor, manda-lhes o Terramoto!»

domingo, 11 de janeiro de 2015

Paris en Colère








Hoje Paris voltou a ser aquilo que foi durante séculos: a capital do mundo.


Que l'on touche à la liberté
Et Paris se met en colère
Et Paris commence à gronder
Et le lendemain, c'est la guerre.
Paris se réveille
Et il ouvre ses prisons
Paris a la fièvre :
Il la soigne à sa façon.
Il faut voir les pavés sauter
Quand Paris se met en colère
Faut les voir, ces fusils rouillés
Qui clignent de l'oeil aux fenêtres
Sur les barricades
Qui jaillissent dans les rues
Chacun sa grenade
Son couteau ou ses mains nues.

La vie, la mort ne comptent plus
On a gagné on a perdu
Mais on pourra se présenter là-haut
Une fleur au chapeau.
 
On veut être libres
A n'importe quel prix
On veut vivre, vivre, vivre
Vivre libre à Paris.

Attention, ça va toujours loin
Quand Paris se met en colère
Quand Paris sonne le tocsin
Ça s'entend au bout de la terre
Et le monde tremble
Quand Paris est en danger
Et le monde chante
Quand Paris s'est libéré.
C'est la fête à la liberté
Et Paris n'est plus en colère
Et Paris peut aller danser
Il a retrouvé la lumière.
Après la tempête
Après la peur et le froid
Paris est en fête
Et Paris pleure de joie.