Elevadores. Resposta a José António Saraiva.
Sintam-se à vontade para reproduzir e divulgar o texto nos vossos blogues. Nunca seremos demasiados.
«Oh my God. This was, um. This was not an easy film to make. First off, I have to thank Cleve Jones and Anne Kronenberg and all the real-life people who shared their stories with me. And, um, Gus Van Sant, Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, James Franco, and our entire cast, my producers, Dan Jinks and Bruce Cohen, everyone at Groundswell and Focus, for taking on the challenge of telling this life-saving story. When I was 13 years old, my beautiful mother and my father moved me from a conservative Mormon home in San Antonio, Texas to California and I heard the story of Harvey Milk. And it gave me hope. It gave me the hope to live my life, it gave me the hope to one day live my life openly as who I am and that maybe even I could fall in love and one day get married.
(He chokes up, audience begins to applaud.)
I want to thank my mom who has always loved me for who I am, even when there was pressure not to. But most of all, if Harvey had not been taken from us 30 years ago, I think he’d want me to say to all of the gay and lesbian kids out there tonight who have been told that they are less than by their churches or by the government or by their families that you are beautiful, wonderful creatures of value and that no matter what anyone tells you, God does love you and that very soon, I promise you, you will have equal rights, federally, across this great nation of ours. (Wild applause from the audience.) Thank you, thank you, and thank you God for giving us Harvey Milk.»
O meu ódio ao preconceito é coisa muito antiga. Tenho amigos gays, nunca me dei com lésbicas. Por razões que escapam à minha compreensão, parecem não gostar muito uns dos outros. Podia contar aqui uma história divertidíssima de um grande amigo meu (gay), coroada por uma frase daquelas de passar ao bronze, mas não o farei - é preconceituosa e embarca no chavão. Aos vinte anos ia com frequência a um bar da zona do Príncipe Real cujo nome não refiro, acho que ainda existe. Na gíria dos iniciados era A Emília (nome da senhora à entrada). Entrava lá por especial favor, basicamente era a única mulher entre quatrocentos homens. Encontrei lá de tudo. Colegas de faculdade, namorados de amigas, pais de amigas; todos, mas mesmo TODOS, ficavam verdes quando me viam (UMA GALINHA!), vinham entreter-me com conversas em que eu fingia acreditar (ia aqui a passar, ai que giro, não sabia que havia aqui um bar, vamos lá ver como é...). Só entrava na Emília quem era da casa, eu era admitida porque era amiga de um menino (um dos homens mais bonitos que conheci em toda a minha vida, casado e com duas filhas) que lá... era da casa. E devo dizer-vos que me divertia como uma doida. A começar nas casas de banho... Uma tinha o clássico letreiro "HOMENS", na outra, alguém tinha substituído o "SENHORAS" por... "OPERADAS".
ODEIO (ai, nem sabem quanto!) perguntas imbecis deste jaez. Lembro-me sempre de uma coisa que o meu amigo Nuno, que morreu há um mês e era total e devotadamente heterossexual, me disse uma vez e calou fundo: Deus não anda a espreitar os quartos das pessoas.
Uma música à parte. Notável. Aznavour, heterossexual indesmentível, como provam à saciedade as cinco vezes que passou pelo altar – no final dos anos 60, o seu casamento com uma sueca mais nova do que a sua própria filha fez correr rios de tinta – veste a pele de um travesti, canta na primeira pessoa (nunca será de mais lembrar que música e poema são dele), num tom repassado de melancolia, uma história que nos nossos dias começa a ser aceite mas que, na época (1972!), era absolutamente revolucionária.
Quem me conhece melhor sabe como sempre pugnei pelo direito à diferença e sabe do meu enraizado ódio ao preconceito. Mas o preconceito é uma coisa insidiosa, traiçoeira, com tentáculos inesperados e insuspeitos.