Câmara dos Horrores #8: José Castelo Branco
Isto é pior. Muito pior. Volta, Marco Paulo. Estás perdoado!
autêntico Requiem para a dignidade — carregando nos tracinhos verticais)
Eu devia era ter juizinho e ficar muito caladinha da próxima vez que tiver a veleidade de denegredir as produções canoras da S'Dona Simone (está bem, abelha...) nos loucos anos sixtes. Afinal as versões da S'Dona Simone são primorosas (not!) e eu fazia troça sem ponta de razão!
Confessem, meus amigos, que já morriam de saudades desta rubrica que tanto sucesso faz entre vós, os meus escassos leitores!
Descobri esta senhora há uns cinco ou seis anos, quando lia na Amazon, divertidíssima, as críticas ao disco de Florence Foster Jenkins, de quem já falei aqui. Comparavam-na a uma tal Mrs Miller, nome para mim desconhecido. Mandei o link ao Vítor, que se pôs a investigar.
A seguir ao jantar, pusemo-nos a explorar o disco. Rimos como desalmados, ora agarrados à barriga, ora agarrados um ao outro, cada fífia um deslumbramento maior do que a anterior. E as coisas que ela assassinava desapiedadamente! Beatles - várias músicas... Mamas & Papas (que venero), aquele Monday, Monday... A sua interpretação muito pessoal de Downtown, de Petula Clark, pôs-nos aos uivos... Moon River também tinha muito que se lhe dissesse...
Para vos animar um bocadinho o resto da noite, aqui fica mais uma relíquia, que o Vítor descobriu não sei como nem onde, e que muito nos fez rir (o costume, já há trinta anos uma empregada de casa dos pais dele que me adorava dizia enlevada que «a menina Teresa é muito reinadia!»).Graças ao Pedro, leitor regular da Gota e que infelizmente, que eu saiba, não tem blogue – ou tem, Pedro?– , pude há dois dias enriquecer a minha pasta Pérolas do Kitsch, que ao longo dos anos tenho vindo a completar com mão carinhosa e desvelos mil – esta pasta é a menina dos meus olhos! Tenho genuíno e legítimo orgulho em preciosidades autênticas que por lá param, na maior parte dos casos resgatadas a duras penas e só graças à minha invencível teimosia. Não revelo nomes, talvez seja engraçado abrilhantar (?) de vez em quando este cantinho com uma ou outra, criteriosamente seleccionadas.
| Tu, Só Tu | ||
| Eu sei que o tempo passa | Há só uma verdade, não importa, | |
| E tantas coisas acontecem | Quando alguém nos quiser censurar | |
| Sem as entender | Até quando disserem já é tarde | |
| O mundo é uma dança que não pára | É sempre tempo p’ra quem sabe amar! | |
| E onde tudo pode suceder | No ar anda o perfume | |
| Por isso tu surgiste | Do amor que nos persegue até ao fim, | |
| E em cada dia tudo então se transformou | Talvez... | |
| Depois... | É estupidez, insensatez | |
| Caí naquela asneira | Mas quem eu quero és tu, bem vês, | |
| De dizer por brincadeira | Ai és só tu! | |
| És o meu amor... | ||
| Por isso tu surgiste | ||
| Meus olhos não procuram as estrelas | E em cada dia tudo então se transformou | |
| Quando a noite me vem procurar | Depois... | |
| Não preciso de vê-las | Caí naquela asneira | |
| Com a luz que vejo sempre | De dizer por brincadeira | |
| Só no teu olhar | És o meu amor! O meu amor... O meu amor... | |
Now playing: Simone de Oliveira & Marco Paulo - Tu, Só Tu
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