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sábado, 15 de março de 2014
Comentava ontem aqui a Wallis que achava que Friends não envelhece. É com um enorme e enternecido sorriso que discordo. Envelhece, sim. Mas envelhece com um enorme encanto, trazendo até nós imagens que eu, sendo bem mais velha do que a maior parte dos meus leitores, tenho bem presentes na memória.
Agora que me pus (mais uma vez) a rever a série, convido-os a acompanharem-me numa breve digressão. E lembremo-nos de que a primeira temporada começou em 1994. Seria interessante tentar atribuir idades a todas as personagens, com a premissa de que Ross e Chandler são os mais velhos: foram colegas de universidade (quando Rachel e Monica estavam ainda no liceu), ambos têm trabalhos estáveis e bem pagos, Ross tem um doutoramento e acaba de se separar da mulher. Joey e Phoebe talvez andem pela mesma idade, ficando a meio entre os outros.
Comecemos pelos telefones. Os telefones sem fios são coisas descomunais, até o meu primeiro Panasonic (comprado em 1995, quando o fixo com gravador de chamadas se avariou pela segunda vez e não valia a pena gastar mais dinheiro a arranjá-lo, porque entretanto já tinha telemóvel) era mais pequeno. O que nos traz uma outra questão muito curiosa, precisamente a dos telemóveis. Encontrei na página do Banco Mundial estatísticas muito interessantes quanto ao à sua utilização per capita entre os anos de 1994 e 1998. Os países nórdicos como a Noruega, a Dinamarca, a Suécia ou a Finlândia, muito destacados, bem à frente do Japão ou dos Estados Unidos, o que não deixa de ser um bocadinho estranho. Sabemos como os japoneses sempre foram taradinhos por novas tecnologias — foi a Sony a criar o walkman, e o meu primeiro telemóvel era precisamente dessa marca, um saudoso e robusto Sony 1000 que me foi oferecido. Nos Estados Unidos a coisa tem contornos bizarros, e as imagens das séries de televisão desses anos confirmam-no. Em toda a primeira temporada de Friends vemos um único telemóvel, no episódio do apagão, quando Chandler e uma manequim da Victoria's Secret ficam fechados numa caixa de multibanco. Nas primeiras temporadas de Sex and the City (1998) ou de Ally McBeal (1997) também mal damos pela sua existência, numa época em que nenhum dos meus amigos do Liceu, por exemplo, já dispensava o seu. Mas só isso seria matéria para extensas cogitações, prefiro ficar-me pela teoria de um outro amigo meu, a ligar-me de Nova Iorque lá por 1998: muita gente tinha telefone no carro, era estúpido andar ainda por cima atrelado a um telemóvel.
Outra questão ainda mais curiosa é a das mensagens de texto, nas quais os miúdos americanos parecem hoje viciados. Eu devo ter sido pioneira na sua utilização, que começou em 1996, quando ainda só eram possíveis dentro da mesma rede e só havia Telecel e TMN. Não me lembro ao certo quando puderam ser transmitidas para operadoras diferentes, mas o meu palpite vai lá para 1999, quando eu e os meus amigos já comunicávamos imenso por essa via. E nos Estados Unidos? Estão sentados? Preparem-se, minhas queridas crianças, para uma enorme surpresa e leiam este excerto de Buzzmarketing, de Mark Hughes (2005) — e só sei disto porque fiz a revisão da edição portuguesa.
«Text Messaging Meets American Idol
It's January 2003, season two of American Idol, and the audience is given the opportunity, for the first time, to cast votes by text message. In one request, American Idol did for text messaging what the biggest and best ad agencies couldn't do.
American Idol taught America how to text. Big time. In 2003, 7.5 million text votes were sent in to the show, and 33 percent of those people had never before sent a text message in their lives. In 2004, 13.5 million text votes were cast. In those two seasons, more than 7 million people learned how to text message because of American Idol. Jupiter Research Analyst Avi Greengart stated that "American Idol probably did more to popularize SMS than anything else."
According to technology research from InStat/MDR, overall U.S. text message rose from 11.9 billion messages in 2003 to a projected 30.2 billion in 2004.
Single-handedly, American Idol exploded the text message marketplace and taught America how to text.»
Isto é ainda mais interessante quando sabemos pelo mesmo livro que a AT&T Wireless já tinha estoirado ingloriamente 120 milhões de dólares em duas tentativas para promover as mensagens de texto (que estavam a ser vendidas como pãezinhos quentes na Europa e na Ásia), a segunda das quais na edição de 2003 da Super Bowl, terreno lendário para lançar novos produtos.
Mas voltemos a Friends. E os computadores? Ah, os computadores são outra delícia! Na primeira temporada, vemos apenas dois enormes caixotes sobrepostos na secretária do gabinete de Chandler, o disco e o monitor cicóplico. Lembremo-nos de que o sistema Windows foi lançado apenas em 1993. Eu trabalhava com Word, Excel e PageMaker desde 1986, e fazia uma cara muito intrigada — e ignorante — quando me perguntavam que linguagem usava. Linguagem? Hã? E falavam-me em Descartes, e em Cobol, e MS-DOS e outras coisas que para mim, que usava o Macintosh da Apple, eram chinês (e estou a ver que tenho de voltar a este assunto).
Na segunda temporada (1995), Chandler aparece excitadíssimo com o seu potentíssimo portátil. Fiquem com a cena:
WOW!!! 12MB de Ram, 500MB de disco, built-in spreasheat capabilities e um modem de 28 K Bps!
Não concordam que é de enternecer? A minha primeira pen, comprada nove anos mais tarde, no princípio de 2005, e que guardo carinhosamente, tem 512MB. E o meu iPod tem 160GB. Pois.
1994
2004
sexta-feira, 14 de março de 2014
Envelhecer bem
Já Friends, ao contrário de Sex and the City — acabaram ambas em 2004 —, continua a envelhecer maravilhosamente. Como um bom vinho. Dez temporadas de pura alegria, enorme consistência das seis personagens, todas servidas por magníficos comediantes. Hesito sempre quanto às minhas preferidas, dividida entre Phoebe e Chandler. Nesta cena, que ainda ontem me fez chorar a rir pela enésima vez, o protagonismo vai todo para Chandler. São escassos segundos, mas não consigo tirar os olhos dele.
Podem ouvir a música carregando no play ali ao lado. The Lion Sleeps Tonight (que nunca mais conseguirei ouvir sem me lembrar imediatamente da série) teve muitas versões, a primeira em 1939; a versão usada em Friends foi a de Tight Fit, algures nos anos 80, mas a melhor de todas, ainda que as diferenças sejam mínimas, é a dos Tokens, em 1961.
Já agora, fiquem também com a pequena e inesquecível homenagem de Friends à música, no reencontro de Ross com Marcel. Aqui é Joey quem rouba a cena, na minha opinião.
terça-feira, 6 de março de 2012
I ♥ Gilmore Girls
Não dei atenção à série quando começou a passar na televisão, na SIC Mulher, e estava capaz de jurar que só deram uma ou duas temporadas. Mas às vezes à noite, ao computador no escritório e com a televisão ligada baixinho, arrebitava aqui e ali a orelha com fragmentos de diálogos que me pareciam francamente bons e desviava os olhos para o ecrã. E resolvi comprar a primeira temporada.
Foi paixão fulminante e um fim-de-semana em que não fiz outra coisa senão devorar episódio atrás de episódio. Gilmore Girls é notável. Localizada em Stars Hollow, uma cidadezinha imaginária do Connecticut, centra-se em Lorelai Gilmore e na sua brilhante e encantadora filha Rory, com o sonho de entrar em Harvard. Lorelai foi uma mãe adolescente, teve Rory com 16 anos, criou-a sozinha, deixando de estudar e cortando praticamente todos os laços com os seus empertigados pais de classe alta. E é justamente aqui que a série começa, quando Lorelai, engolindo o orgulho, lhes pede ajuda financeira para poder mandar a filha para uma óptima e caríssima escola privada que lhe dê uma sólida preparação que possibilite a sua admissão em Harvard, coisa que não está ao alcance do liceu de Stars Hollow, com os seus padrões pouco exigentes.
Gilmore Girls é todo um mundo, não é apenas a riquíssima relação de Lorelai com a filha. Os seus diálogos, disparados numa velocidade estonteante, são um emaranhado constante de referências culturais. Música, política, cinema, televisão, vale tudo. Sei que apanhei uns 90%, mas devo ter deixado escapar umas quantas. Gilmore Girls é também uma extraordinária galeria de personagens, a começar nos pais de Lorelai, que é impossível não adorarmos, tanto nos divertem. Principalmente a mãe, que a cada novo episódio tem uma nova criada, já que a anterior foi despedida pelos motivos mais incríveis ou despediu-se, exasperada — o que faz lembrar Murphy Brown e as secretárias, que só apareciam nos créditos como Secretária #1, Secretária #2, até perfazerem o anedótico número de 93.
Mas há muito mais, há todas as personagens de Stars Hollow e a sua divertidíssima dose de absurdo. Luke, o dono do diner, que ainda conserva o letreiro de quando era a loja de ferragens do pai. Lane, a reprimida grande amiga coreana de Rory, e a sua feroz mãe. Michel, o desdenhoso e impagável Michel, concierge da estalagem (vibro com as piadas dele e o ar com que são ditas). Sookie, a melhor amiga de Lorelai. Os vizinhos, com menção especial para Miss Babette, a Sally Struthers que foi a filha de Archie Bunker em All in the Family. Taylor, o lojista e autarca déspota, sempre às turras com Luke. E Kirk, o extraordinário Kirk, de episódio para episódio com um trabalho diferente, sempre envolvido em tudo o que acontece na cidade.
E depois há Paris, a competitiva e insuportável Paris, grande rival de Rory em Chilton, e cujo convívio, nem sempre fácil, continuará quando entrarem para a universidade.
O que posso dizer mais? Que comprei as restantes seis temporadas num ápice, em coisa de mês e meio, e que as devorei? Que as emprestei todas em Maio à Cristina, mulher do Gonçalo, também doida pela série, e que estou a ressacar de saudades?
(confesso que não gosto nada, nada, mesmo nada da canção de abertura da série, Where You Lead, mesmo sendo da grande Carole King e cantada por ela. Por isso optei pelas Bangles, o grupo que Lorelai, a mãe, adora; chega a levar a filhas e as amigas a um concerto delas em Nova Iorque, em que este Eternal Flame é tocado)
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Uma trapalhada hilariante
É o que se consegue quando se faz uma mistura alucinante de Upstairs Downstairs e Downton Abbey, com breves passagens por Sex and the City (Kim Cattrall) e Absolutely Fabulous (Jennifer Saunders e Joanna Lumley). Só faltou mesmo uma pitadinha de Gosford Park.
Despudoradamente roubado à Elite.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
I ♥ Mrs Bucket (Bouquet)
É impossível não adorar esta odiosa e ridícula personagem, a protagonista de Keeping Up Appearances, que passou em Portugal no princípio dos anos 90.
A série está toda editada em DVD e tenho vindo a adiar a compra (a crise, ah, a crise!), mas ontem passei uma tarde divertidíssima a ver episódios no YouTube, e ri a bom rir.
Mrs Bucket (Bouquet, como insiste em ser tratada, sendo perpétua fonte de mortificação o facto de toda a gente persistir no Bucket que ela tanto detesta), de nome próprio Hyacinth, vinda da classe operária, vive para impressionar os vizinhos e tentar ascender socialmente. Uma name-dropper (sobre pessoas que nem conhece) do pior, chapéu e luvas nunca faltam na sua indumentária, nem que seja nas visitas ao lado sombrio da sua vida, a família. Se é certo que em cada família há sempre uma ovelha ronhosa, Hyacinth foi tripla ou quadruplamente amaldiçoada. A irmã Daisy, uma desmazelada incurável, vive com o marido Onslow (outra figura impagável, sempre de camisola interior de alças, lata de cerveja na mão, instalado frente ao televisor) numa casa incrivelmente suja e desarrumada, em que vive também a irmã Rose (todas as irmãs têm nomes de flores, há ainda Violet, muito bem na vida, a única sobre a qual Hyacinth enche a boca a vangloriar-se, não perdendo ocasião de referir a moradia de luxo, o Mercedes, a sauna, and room for a pony). Temos também o pai senil, velho baboso sempre atrás de mulheres e a cometer os maiores desacatos.
A irmã Rose, só por si, é toda uma personagem. Uma espécie de Essex girl entradota, de ar extraordinariamente vulgar, cabelo loiro oxigenado, saias curtíssimas e saltos agulha, sempre envolvida com homens casados que invariavelmente, depois de duas ou três voltinhas, passam a ignorá-la e regressam ao aprisco conjugal.
Temos ainda Richard, o marido de Hyacinth, funcionário público que a atura com mansidão cristã, e o filho dos dois, Sheridan, que nunca vemos e a que só assistimos aos telefonemas, invariavelmente a pedir dinheiro. Hyacinth passa a vida a gabar o filho, que está na universidade e de quem tanto se orgulha, e com o qual tem um elo telepático. Nós rimos à socapa, pelas conversas a que assistimos, que nos deixam com a firme certeza de que Sheridan é gay, coisa de que nem remotamente passa pela inocente cabecinha de Hyacinth.
E temos Elizabeth, a vizinha do lado, que vive permanentemente aterrorizada pela personalidade dominadora de Hyacinth, e o seu irmão Emmet, com o qual Hyacinth namorisca subtilmente. Emmet mudou-se para casa da irmã a seguir ao divórcio e dirige uma sociedade operática amadora. Em pouco tempo sucumbe também ao terror que Hyacinth inspira, já que ela, de cada vez que o avista, se lança em cantorias supostamente líricas numa deixa pouco subtil para integrar a tal sociedade. Ambos aceitam com resignação o facto de serem convidados permanentes para os célebres little candlelight suppers de Hyacinth (que pena nunca assistirmos a um único!).
E que dizer da fórmula com Hyacinth que atende o telefone? «The Bouquet residence. The Lady of the house speaking.» Infelizmente, muitas das chamadas destinam-se invariavelmente ao take-away de um restaurante chinês, o que tem sempre o condão de a exasperar.
E que dizer da fórmula com Hyacinth que atende o telefone? «The Bouquet residence. The Lady of the house speaking.» Infelizmente, muitas das chamadas destinam-se invariavelmente ao take-away de um restaurante chinês, o que tem sempre o condão de a exasperar.
A personagem de Mrs Bucket (Bouquet) é magnificamente servida por Patricia Routledge, grande actriz de teatro — o Vítor viu-a há uns cinco anos como Lady Bracknell em The Importance of Being Earnest e ficou extasiado.
Deixo-vos a primeira parte do primeiro episódio. Depois é só irem seguido. Desejo-vos gargalhadas tão boas como as minhas.
domingo, 23 de outubro de 2011
Aceitem um bom conselho
Quem for da minha idade ou mais velho (mais novo já não será fácil) sorrirá deliciado e vagamente enternecido ao ouvir as primeiras notas lânguidas desta valsa que era o tema de abertura daquela que, ainda hoje, continuo a considerar uma das séries da minha vida, e há-de reconhecê-lo de imediato. Há coisas que nunca esquecemos.
Ando apaixonada por Downton Abbey, é o meu lado anglófilo, nada a fazer, já para não mencionar a participação da minha adorada Dame Maggie Smith. Ao mesmo tempo, à medida que vou vendo mais episódios (só a primeira temporada está editada em DVD, obrigada pelo resto, Charlotte!), vai crescendo em mim a sensação de déjà vu, e é irresistível não lembrar Upstairs Downstairs, que em Portugal começou a passar como A Família Bellamy, tinha eu treze anos, mesmo sendo a série de 1971 (tudo chegava cá com atraso).
Para quem conhece as duas séries, é impossível não achar que a mais recente foi inspirada na mais antiga, com aquela dicotomia tão rígida, criando uma linha divisória nítida entre o andar de cima e o de baixo, o dos amos e o dos criados, mesmo havendo breves intersecções possíveis, ainda que indesejáveis — people should know their places.
Há mais paralelismos, que começam nas épocas retratadas. A acção de Upstairs Downstairs vai de 1902 a 1930, ao longo de cinco temporadas, atravessando toda a época eduardiana e capturando ainda a maior parte do reinado de Jorge V — com grande incidência na terrível I Guerra Mundial, tal como em Downton Abbey. Como devem estar lembrados, Downton Abbey começa com a notícia da tragédia do Titanic (12 de Abril de 1912), que cria o grande problema da sucessão do título e da propriedade. Também em Upstairs Downstairs o naufrágio tem enormes repercussões, logo no princípio da terceira temporada.
Upstairs Downstairs retrata um meio de grande riqueza, mas menos imponente do que o de Downton Abbey. Lady Marjorie, a dona da casa e filha mais velha do conde de Southwold, vive com o marido, Richard Bellamy, membro do Parlamento, no n.º 165 de Eaton Place, na luxuosa Belgravia. Há também os dois filhos, James e Elizabeth, ele já adulto, ela a debutar na sociedade. Via de regra, o fio condutor dos episódios é mais trivial, doméstico e quotidiano do que em Downton Abbey, permitindo-nos um fascinante vislumbre da vida privada de duas classes sociais muito diferentes numa época em que o abismo entre ambas era praticamente intransponível.
Upstairs Downstairs foi servida por um notável leque de actores. Impossível esquecer Gordon Jackson, o inflexível mordomo Hudson, de forte pronúncia escocesa. Ou Jean Marsh, uma das criadoras da série, como a criada Rose. Verdade, verdadinha, são todos inesquecíveis, desde Lady Marjorie e o marido ao pessoal da cozinha, em que reina a resmungona Mrs Bridges, de coração de ouro.
Bem vistas as coisas, e fazendo uma média, por enquanto a minha preferência continua do lado de Upstairs Downstairs, porque old loves die hard. É para ela que o meu coração se inclina mais. Consideremos a idade, 40 anos, e a disparidade de meios técnicos e financeiros. Basta ver como são raros os exteriores.
Como a maior parte dos que me lêem é bem mais nova do que eu, fica o meu conselho: não deixem fugir esta pérola. À laia de apresentação, fica aqui a primeira parte do primeiro episódio (as cinco temporadas estão disponíveis no YouTube), depois é só irem seguindo.
Por último, para fechar com chave de ouro e para quem quiser, depois de vista a série, fica este mimo final, que me ocupou hoje a tarde: The Story of Upstaisrs Downstairs, em cinco episódios.
Há mais paralelismos, que começam nas épocas retratadas. A acção de Upstairs Downstairs vai de 1902 a 1930, ao longo de cinco temporadas, atravessando toda a época eduardiana e capturando ainda a maior parte do reinado de Jorge V — com grande incidência na terrível I Guerra Mundial, tal como em Downton Abbey. Como devem estar lembrados, Downton Abbey começa com a notícia da tragédia do Titanic (12 de Abril de 1912), que cria o grande problema da sucessão do título e da propriedade. Também em Upstairs Downstairs o naufrágio tem enormes repercussões, logo no princípio da terceira temporada.
Upstairs Downstairs retrata um meio de grande riqueza, mas menos imponente do que o de Downton Abbey. Lady Marjorie, a dona da casa e filha mais velha do conde de Southwold, vive com o marido, Richard Bellamy, membro do Parlamento, no n.º 165 de Eaton Place, na luxuosa Belgravia. Há também os dois filhos, James e Elizabeth, ele já adulto, ela a debutar na sociedade. Via de regra, o fio condutor dos episódios é mais trivial, doméstico e quotidiano do que em Downton Abbey, permitindo-nos um fascinante vislumbre da vida privada de duas classes sociais muito diferentes numa época em que o abismo entre ambas era praticamente intransponível.
Upstairs Downstairs foi servida por um notável leque de actores. Impossível esquecer Gordon Jackson, o inflexível mordomo Hudson, de forte pronúncia escocesa. Ou Jean Marsh, uma das criadoras da série, como a criada Rose. Verdade, verdadinha, são todos inesquecíveis, desde Lady Marjorie e o marido ao pessoal da cozinha, em que reina a resmungona Mrs Bridges, de coração de ouro.
Bem vistas as coisas, e fazendo uma média, por enquanto a minha preferência continua do lado de Upstairs Downstairs, porque old loves die hard. É para ela que o meu coração se inclina mais. Consideremos a idade, 40 anos, e a disparidade de meios técnicos e financeiros. Basta ver como são raros os exteriores.
Como a maior parte dos que me lêem é bem mais nova do que eu, fica o meu conselho: não deixem fugir esta pérola. À laia de apresentação, fica aqui a primeira parte do primeiro episódio (as cinco temporadas estão disponíveis no YouTube), depois é só irem seguindo.
Por último, para fechar com chave de ouro e para quem quiser, depois de vista a série, fica este mimo final, que me ocupou hoje a tarde: The Story of Upstaisrs Downstairs, em cinco episódios.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Começar de novo
A morte do Zé atingiu-me em cheio. Nada podia anunciá-la, o que fez o choque ainda mais tremendo. Tão mais tremendo por ter vindo a uma semana do Natal, festa que, de ano para ano, tenho vindo a viver muito mais pelo lado religioso e espiritual, rejeitando deliberadamente o festival consumista e material. É certo que esse lado, o mais verdadeiro, o único, esteve presente em toda a minha vida, como também é certo que em anos idos fui extravagante, demasiado extravagante, nos presentes oferecidos, nos presentes recebidos. Agora peço que não me dêem nada de especial, que não me dêem nada, que façam um donativo à UZ, ou à Bianca, ou à ABRA. E encontro uma imensa alegria neste despojar-me em benefício de causas que me são muito caras. Tenho um post começado, guardado, e que já não vale a pena publicar, pelo menos este ano, o Zé morreu entretanto, e eu esqueci o blogue e tudo o mais. Esse post tem a minha wislist de presentes para este Natal, basicamente uma lista de associações e respectivos NIB. Não há nada material de que eu precise verdadeiramente. Não há nada material que eu possa desejar, muito ou pouco, de que não seja capaz de abdicar alegremente quando no outro prato da balança estiver um animal a precisar de ajuda médica, de comida ou de acolhimento.
Mas o Zé morreu-me, morreu-nos uma semana antes do Natal. E se os dias que se seguiram foram duros, pelo menos tinha o lenitivo do muito trabalho. Mais duras eram as noites, e nas noites que se seguiram tive enorme dificuldade em dormir (continuo a ter). Mesmo exausta depois de um longo dia de trabalho, adormecer era coisa complicada, e coisa efémera. Dormir duas horas e ficar acordada o resto da noite tornou-se o padrão. Num jantar na segunda-feira, a Pituxa, sabedora disto, deu-me quatro comprimidos de Lexotan de 1,5 mg. Não me fizeram grande coisa, até porque sou francamente renitente quando toca a recorrer a soporíferos — ainda tenho dois desses quatro, uma semana depois.
E foi assim que, na madrugada de quarta para quinta-feira, dei comigo acordada às quatro da manhã, e a percorrer canais de televisão, irritada com as imbecilidades de tradução e dobragem do Biography (mais alguém diria fragância em vez de fragrância? mais alguém teria a peregrina ideia de traduzir Archbishop of Canterbury para Arcebispo da Calábria? Não querendo ser demasiado fundamentalista, acontece que a Calábria, só por acaso, até é em Itália), com um menina de voz estridente a insistir em falar em volume ofensivo na SIC Mulher, com televendas a quererem impingir-me pulseiras de equilíbrio, com uma treta irrelevante no canal História, aterrei, já desesperada, na Fox. E não queria acreditar nos meus olhos: estava a começar um episódio de Once and Again.
A série, fabulosa, tanto quanto sei passou primeiro na RTP 2 (where else?), só a vi lá por 2003 ou 2004 na SIC Mulher. E foi amor ao primeiro episódio. Aquilo era especial, aquilo era feito com uma fina e rara sensibilidade. Ao segundo episódio comecei a inquietar-me, fiquei atenta aos créditos finais, aquele padrão era-me familiar, as escolhas musicais eram inquietantemente minhas. E foi então que descobri que a série era assinada pelos mesmos autores de Thirtysomething. Agora a história era mais fortysomething, e era um murro em pleno estômago, estando eu no princípio dos quarenta, com os mesmos medos de novos envolvimentos e, em simultâneo, com a mesma capacidade de, inesperadamente, voltar a emocionar-me.
O título português, não sendo literal, é feliz: Começar de Novo. É disso que se trata, da nossa capacidade de nos reerguermos das derrotas e de todos os falhanços sentimentais, esperando-se que a maturidade nos tenha trazido mais sensatez e maior discernimento. Coisas que, na prática, não acontecem: quando sentimentos estão em jogo, somos sempre marinheiros de primeira viagem e temos comportamentos imaturos, temos inseguranças, temos dúvidas, fazemos asneira.
Começar de Novo (Once and Again) anda há séculos no meu carrinho de compras da Amazon, a preços que espero sempre que baixem. Como dizia a minha adorada Susaninha, deixei-me enganar como uma estúpida. Devia ter comprado há mais tempo, neste momento só se encontra em vendedores particulares, e acima de cento e muitos dólares, muito provavelmente acrescidos de uma valente machadada da Alfândega. E a terceira e última temporada ainda nem sequer foi editada em DVD.
A banda sonora? Ah! Uma das músicas da minha vida, a integrar um dos discos da minha vida. Conseguem imaginar a minha emoção quando a encontrei num episódio de Once and Again, em que um daqueles professores que nos mudam a vida a põe a fazer parte de uma produção escolar de As You Like It?
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Outro aniversário — e são 40 anos!
Se não fosse o Jorge, querido amigo do tempo da Católica, que reencontrei recentemente no Facebook e com quem ontem estive duas horas numa tagarelice pegada, não teria sabido que uma das coisas mais míticas que já se fizeram em televisão, Monty Python’s Flying Circus, outra série da minha vida, faz hoje 40 anos. Sim, foi precisamente a 5 de Outubro de 1969 que o primeiro epiódio foi emitido.Faltam-me os adjectivos, logo a mim que até costumo ser boa a adjectivar. É de genial para cima.
Começou a passar em Portugal já em 1974 (antes de Abril), estava eu no quarto ano e tinha aulas à tarde. Era à hora de almoço e eu tinha tempo à justa para ver e correr para apanhar o autocarro, que as aulas começavam às duas. Veio substituir uma outra coisa hilariante chamada Os Desastres de Frank Spencer, que descobri recentemente, com enorme surpresa, estar editado em DVD, chamar-se no original Some Mothers Do 'Ave 'Em e ser protagonizado por Michael Crawford, o primeiro fantasma de The Phantom of the Opera, de Andrew Lloyd Webber. Outra encomenda a fazer, já se sabe.
A imagem acima é de um livro que reúne alguns dos melhores sketches dos Monty Python, comprado há muitos, muitos anos num alfarrabista de Robin Hood's Bay, encantadora cidadezinha costeira do Yorkshire.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
I ♥ Thirthysomething
Acabadinha de chegar de Auckland, Nova Zelândia (vá-se lá perceber a proveniência, já que foi encomendada à Amazon americana), não paro de olhar embevecida para a caixa, não obstante a irritação provocada por uma pequena amolgadela a meio da aresta superior. Porque não imitam aqueles idiotas as sólidas e robustas embalagens de cartão da Amazon britânica? Um envelope meramente almofadado é manifestamente pouco para proteger de maneira satisfatória uma preciosidade destas! Lá vou ter de a pôr bem prensada debaixo de uma pesada pilha de livros, a ver se a coisa vai ao lugar.
Podem rir, mas eu sou capaz de, numa loja, nem que haja trinta exemplares do mesmo livro, estojo de ópera ou série de televisão, os investigar a todos, um a um, em busca do que estiver absolutamente perfeito, sem qualquer beliscadura. Manias, pronto!
Sobre a série:
«Critics respect it for being "as close to the level of an art form as weekly television ever gets."» (The New York Times)
Vale também a pena ler as 65 entusiásticas críticas na Amazon. E agora estou a rir, porque já está onze dólares mais cara do que aquilo que paguei há uma semana.
Não vejam, não, nem sabem o que perdem!
Sobre a série:
«Critics respect it for being "as close to the level of an art form as weekly television ever gets."» (The New York Times)
Vale também a pena ler as 65 entusiásticas críticas na Amazon. E agora estou a rir, porque já está onze dólares mais cara do que aquilo que paguei há uma semana.
Não vejam, não, nem sabem o que perdem!
terça-feira, 25 de agosto de 2009
YES!!!
Foi hoje, finalmente, depois de muitos descabelanços de fanáticos como eu, que há anos reclamávamos esta edição em DVD, posta à venda a primeira temporada do meu muito amado Thirtysomething.Por enquanto existe apenas na Amazon americana. Já vem a caminho!
sábado, 1 de agosto de 2009
Dedos cruzados
Farta desta cor de lula pálida, vou aventurar-me hoje em terreno potencialmente minado. Não quero ir a um solário (fiz algumas vezes, não muitas, mas está mais do que demonstrado que é perigosíssimo), optei por esta nova versão, completamente inofensiva.
Vamos só cruzar os dedos para que não me aconteça nada de parecido com esta hilariante cena do meu amado Friends... («OMG! You can do a duet of Ebony and Ivory all by yourself!», pelo extraordinário Chandler — Matthew Perry — prova até à exaustão a qualidade da escrita desta genial série).
Vamos só cruzar os dedos para que não me aconteça nada de parecido com esta hilariante cena do meu amado Friends... («OMG! You can do a duet of Ebony and Ivory all by yourself!», pelo extraordinário Chandler — Matthew Perry — prova até à exaustão a qualidade da escrita desta genial série).
(é a música de Marcel, o macaco de Ross, alvo de acesa discussão no jantar de quarta-feira. A tonta da Mad jurava a pés juntos que era uma música romântica francesa. Yeah, right! O que já rimos por causa disso!)
Já agora... a cena é esta. Seis esplêndidos actores. Aqui o destaque vai para David Schwimmer (Ross) e Matt Le Blanc (Joey).
domingo, 24 de maio de 2009
Eu, Cláudio
Tenho paixão por História. Pela de Portugal em geral e por alguns períodos estrangeiros em particular: o século XVIII francês, a época Tudor inglesa, a Roma dos Césares... Basta lembrar os nomes das minhas gatas adoradas, Messalina e Agripina... Não foram por acaso.E falar na Roma dos Césares sem referir os dois apaixonantes romances de Robert Graves, Eu, Cláudio e Cláudio e Messalina (a quem os terei emprestado, que nunca voltaram?), é quase impossível. Tão impossível como não referir a extraordinária série de televisão que a BBC realizou em 1976 e que passou em Portugal em 1978, estava eu no primeiro ano da faculdade.
A série é uma autêntica obra-prima. A fidelíssima adaptação do texto de Robert Graves, servida por grandes vultos do Teatro como Derek Jacobi (Cláudio), John Hurt (Calígula), Patrick Stewart (Sejano), Siân Philips (Lívia) ou Brian Blessed (Augusto), ganhou muito com o exíguo orçamento de que dispunha. Aquilo que era à partida uma desvantagem acabaria por redundar num enorme trunfo. É uma produção quase teatral, de cenários modestos, exteriores de estúdio, toda a ênfase posta nos diálogos brilhantes e nos desempenhos de actores fora de série.
Revi uns quantos episódios durante este fim-de-semana, o mesmo deslumbramento de sempre. E dei comigo a sorrir quando me lembrei da visita que há anos fiz à Residenz, o palácio dos duques da Baviera em Munique. O Antiquarium, provavelmente a sua sala mais imponente (esta bisarma à direita, 66 metros de comprimento), está decorado com centenas de bustos de personagens da antiga Roma. E, apesar de estarmos a ficar atrasados para a ópera, e surda aos protestos do Vítor, a apressar-me, não descansei enquanto não descobri os bustos de Messalina Valéria e Agripina Germânica, terceira e quarta mulheres do imperador Cláudio.A quem não viu, recomendo vivamente. Na Fnac, para variar, não está disponível (esteve em tempos, a minha edição é portuguesa e tem uns seis anos). Mas existe na Amazon, claro.
sábado, 9 de maio de 2009
A felicidade é feita de pequenas coisas...
... e eu sinto-me à beira de explodir de felicidade só de saber que, a 25 de Agosto deste ano, uma das melhores séries de televisão de sempre, uma das séries da minha vida, vai ser finalmente editada em DVD. A primeira temporada, pelo menos...

Sim, sim! Essa mesma! A Thirtysomething da minha paixão vai ser editada a 25 de Agosto! Já se pode pré-comprar, coisa que me apressei a fazer, como podem verificar na imagem.

Desta vez vou mandar a economia às urtigas, vou encomendar pela via mais rápida (substancialmente mais cara), vai chegar a tempo dos meus anos, dois dias depois! E porquê encomendar dois exemplares? — perguntarão vocês, os bisbilhoteiros mais atentos, os que aumentarão a imagem. Porque o segundo é para o Vítor, ora!
Uma pontinha de tristeza à mistura: gostaria de poder encomendar um terceiro exemplar. Para o Nuno.
Fiquem com o tema-título da série como banda sonora. Claro que te lembras, Pitx, não é verdade?
E, já agora, fiquem também com uma das mais desgarradoras cenas de toda a série. Quem nunca viu, passe adiante, por favor. O que eu e o Nuno chorávamos quando a víamos, revíamos, re-revíamos! Vivo no terror de um momento destes.
Uma pontinha de tristeza à mistura: gostaria de poder encomendar um terceiro exemplar. Para o Nuno.
Fiquem com o tema-título da série como banda sonora. Claro que te lembras, Pitx, não é verdade?
E, já agora, fiquem também com uma das mais desgarradoras cenas de toda a série. Quem nunca viu, passe adiante, por favor. O que eu e o Nuno chorávamos quando a víamos, revíamos, re-revíamos! Vivo no terror de um momento destes.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
A Família Forsyte
Acabei há pouco mais de uma semana de rever esta série, que a minha memória infantil tinha retido como magnífica. Tinha um certo medo do reencontro, confesso: é que, entretanto, passaram mais de trinta anos e há coisas que, quando revisitadas, por o nosso olhar ser já outro, perdem grandeza, esfumando-se a magia no ar.A Família Forsyte (The Forsyte Saga) passou na televisão portuguesa quando eu tinha apenas dez anos, e foi a primeira coisa que me deixaram ver à noite — podia ficar na sala até mais tarde apenas uma noite por semana, e eu escolhi esta série, depois de a ver anunciada no Cartaz TV, de Jorge Alves, programa que apresentava os destaques da programação para a semana seguinte, abrindo sempre com o seu célebre «Olá amigos, a todos muito boa noite.» Acompanhei sem arredar pé os seus 26 episódios e nunca mais a esqueci.
Já na adolescência, talvez lá pelos quinze anos, devorei os seis volumes do romance de John Galsworthy (Nobel da Literatura de 1932) que tinha inspirado a série, e as minhas reminiscências garantiam-me que a fidelidade ao original era assombrosa. Viria a relê-lo várias vezes, tenho-o absolutamente presente na memória.
Namorei a série em VHS durante muito tempo, o preço era proibitivo. Quando foi editada em DVD foi imediatamente para o meu carrinho de compras da Amazon, adiando sempre o momento de a encomendar, que custava quase cem libras, numa época em que uma libra equivalia a mais de um euro e meio. Aos poucos, foi baixando de preço, gradualmente, mas continuava muito cara. Eu ia-lhe espreitando sempre o preço, até ao dia em que, de repente, arregalei os olhos: estava a dezassete libras e qualquer coisa. Encomendei imediatamente e em boa altura o fiz: dois dias depois, querendo saber se já vinha a caminho, descobri que já custava 35 libras! Agora está novamente mais barata, mas nada que se compare com o que paguei.
Já na adolescência, talvez lá pelos quinze anos, devorei os seis volumes do romance de John Galsworthy (Nobel da Literatura de 1932) que tinha inspirado a série, e as minhas reminiscências garantiam-me que a fidelidade ao original era assombrosa. Viria a relê-lo várias vezes, tenho-o absolutamente presente na memória.
Namorei a série em VHS durante muito tempo, o preço era proibitivo. Quando foi editada em DVD foi imediatamente para o meu carrinho de compras da Amazon, adiando sempre o momento de a encomendar, que custava quase cem libras, numa época em que uma libra equivalia a mais de um euro e meio. Aos poucos, foi baixando de preço, gradualmente, mas continuava muito cara. Eu ia-lhe espreitando sempre o preço, até ao dia em que, de repente, arregalei os olhos: estava a dezassete libras e qualquer coisa. Encomendei imediatamente e em boa altura o fiz: dois dias depois, querendo saber se já vinha a caminho, descobri que já custava 35 libras! Agora está novamente mais barata, mas nada que se compare com o que paguei.
Fiz maratonas a rever a série, principalmente ao fim-de-semana. A duração de cada episódio (e são 26) é de uma hora inteira, não o formato moderno de 45 ou 50 minutos. Confirmei a avaliação que a criança de tantos anos antes tinha feito com precisão: é brilhante. É uma obra-prima. Pouco me importa que seja a preto e branco, que a qualidade de imagem nos exteriores deixe muito a desejar — a BBC sempre teve esse problema. É uma obra-prima, repito.
A fidelidade ao livro é total, não há uma personagem inventada, duas personagens reunidas numa única, situações criadas. A riqueza e a densidade das personagens perpassou inteiramente para o ecrã, com menção especial para as três figuras centrais, três magníficos actores, fruto daquela maravilhosa escola de Teatro que é a melhor do mundo. Já todos partiram deste mundo. Soames (Eric Porter, 1995), Jolyon (Kenneth More, 1982) e Irene (Nyree Dawn Porter, 2001).
Recomendo a todos. Aos que viram... para matarem saudades. Aos que nem eram nascidos em 1971... para se deleitarem com um trabalho de extraordinária qualidade. E para se apaixonarem, como aconteceu comigo.
Em 2002 a BBC fez nova produção, que está com críticas fabulosas, toda a gente lhe dá cinco estrelas. A comprar brevemente, portanto. Quero comparar, porque melhor do que isto... parece-me impossível.
A fidelidade ao livro é total, não há uma personagem inventada, duas personagens reunidas numa única, situações criadas. A riqueza e a densidade das personagens perpassou inteiramente para o ecrã, com menção especial para as três figuras centrais, três magníficos actores, fruto daquela maravilhosa escola de Teatro que é a melhor do mundo. Já todos partiram deste mundo. Soames (Eric Porter, 1995), Jolyon (Kenneth More, 1982) e Irene (Nyree Dawn Porter, 2001).
Recomendo a todos. Aos que viram... para matarem saudades. Aos que nem eram nascidos em 1971... para se deleitarem com um trabalho de extraordinária qualidade. E para se apaixonarem, como aconteceu comigo.
Em 2002 a BBC fez nova produção, que está com críticas fabulosas, toda a gente lhe dá cinco estrelas. A comprar brevemente, portanto. Quero comparar, porque melhor do que isto... parece-me impossível.
sábado, 25 de outubro de 2008
Mais bonitas é impossível #1: Candice Bergen
Há caras assim: inesquecíveis.
Julgo que, presentemente, Angelina Jolie deve ser a mulher mais bonita do mundo (as duas filhas biológicas prometem, considerando que Brad Pitt é o pai). Mas houve outras no passado.
Como Candice Bergen. Linda de cortar a respiração. Genuína aristocracia de Hollywood, o pai era Edgar Bergen, famoso actor e ventríloquo, vencedor de um Oscar, com direito a estrelas no passeio, uma pelo cinema e outra pela televisão. Candice Bergen poderia ter tido um fim terrível: a casa de Cielo Drive em que ela e o namorado da época viviam foi o cenário dantesco do assassínio de Sharon Tate (outra beleza assombrosa), mulher de Roman Polanski e grávida de oito meses, tinham-na vendido recentemente. Nunca se conseguiu apurar se os verdadeiros alvos não seriam Candice e o namorado. Por mim, espero que Charles Manson apodreça na prisão, onde continua. Os crimes foram em 1969.
Durante muitos anos, Candice Bergen foi mais notada pela beleza do que pelo seu real talento. Até surgir Murphy Brown...
Durante muitos anos, Candice Bergen foi mais notada pela beleza do que pelo seu real talento. Até surgir Murphy Brown...
Adoro a série, que tenho quase completa em vídeo (devem faltar-me coisa de dez episódios no total das dez temporadas, obrigada, SIC Mulher!), em DVD saiu apenas a primeira, parece que há problemas com os direitos das músicas, tal como na minha adorada Thirtysomething.
Murphy Brown é uma série hilariante, e Candice Bergen revelou-se uma comediante notável. Ganhou cinco (CINCO) Emmies pelo papel, só não ganhou mais porque, com o quinto, anunciou que não aceitaria mais nomeações. Bonito, muito bonito, principalmente se tivermos em conta o que são os egos nos meios cinematográficos e televisivos. Oprah Winfrey fez outro tanto.
Confessem lá, ninguém se lembra lá muito bem dos nomes dos vice-presidentes dos Estados Unidos, pois não? Dan Quayle tem bons motivos para estar grato a Murphy Brown. Ou não. Graças a ela, todos se lembram ainda da triste figura que fez em 1992, num discurso em que atacou a personagem por ir ter uma criança sozinha, dando uma má imagem da mulher americana moderna, inteligente e bem sucedida. Caíram-lhe o Carmo e a Trindade em cima, a partir de então Murphy Brown não perdia uma oportunidade de o usar como alvo de piadas deliciosas. Além de que, para ridicularizar ainda mais Dan Quayle, Murphy leva seis meses até se decidir quanto ao nome a dar ao filho.
Seleccionar cenas de Murphy Brown é tarefa árdua, tamanha a qualidade da série. Acabei por me decidir por três, absolutamente memoráveis.
Esta é o final do episódio-piloto (1988). Murphy é doida por soul e para ela é Deus no Céu e Aretha Franklin na Terra. Vejam o espectáculo que ela dá enquanto acompanha a voz da grande Aretha a cantar Natural Woman (também faço figuras destas)...
Murphy Brown é uma série hilariante, e Candice Bergen revelou-se uma comediante notável. Ganhou cinco (CINCO) Emmies pelo papel, só não ganhou mais porque, com o quinto, anunciou que não aceitaria mais nomeações. Bonito, muito bonito, principalmente se tivermos em conta o que são os egos nos meios cinematográficos e televisivos. Oprah Winfrey fez outro tanto.Confessem lá, ninguém se lembra lá muito bem dos nomes dos vice-presidentes dos Estados Unidos, pois não? Dan Quayle tem bons motivos para estar grato a Murphy Brown. Ou não. Graças a ela, todos se lembram ainda da triste figura que fez em 1992, num discurso em que atacou a personagem por ir ter uma criança sozinha, dando uma má imagem da mulher americana moderna, inteligente e bem sucedida. Caíram-lhe o Carmo e a Trindade em cima, a partir de então Murphy Brown não perdia uma oportunidade de o usar como alvo de piadas deliciosas. Além de que, para ridicularizar ainda mais Dan Quayle, Murphy leva seis meses até se decidir quanto ao nome a dar ao filho.
Seleccionar cenas de Murphy Brown é tarefa árdua, tamanha a qualidade da série. Acabei por me decidir por três, absolutamente memoráveis.
Esta é o final do episódio-piloto (1988). Murphy é doida por soul e para ela é Deus no Céu e Aretha Franklin na Terra. Vejam o espectáculo que ela dá enquanto acompanha a voz da grande Aretha a cantar Natural Woman (também faço figuras destas)...
Esta é cena final do fabuloso episódio (talvez o favorito do Vítor) The Queen of Soul. Murphy está feliz porque finalmente vai conseguir entrevistar o seu maior ídolo. Já adivinharam quem, não é verdade? Mas tudo corre mal, acaba por não haver entrevista, Aretha chega demasiado tarde ao estúdio. Mas Murphy tem uma compensação...
Por último, o final do mítico Birth 101, o episódio em que Murphy dá à luz. Vou confessar-vos uma coisa: eu não gostava lá muito de Natural Woman. Até ter visto esta cena... que me fez apaixonar perdidamente por ela. Mérito de uma grande actriz.
Uma belíssima sucessão de fotografias de Candice Bergen. Linda!
sábado, 14 de junho de 2008
A crock of gold...
«Just the place to bury a crock of gold. I should like to bury something precious in every place where I’ve been happy and then, when I am old and ugly and miserable, I could come back and dig it up and remember.»
Faz hoje dezoito anos passei o dia em Castle Howard. Que para mim será sempre Brideshead. «Et in Arcadia ego...»
A maravilhosa, inesquecível cena, a voz incomparável de Jeremy Irons, as palavras de Sebastian (Anthony Andrews) que tanto me comovem:
A maravilhosa, inesquecível cena, a voz incomparável de Jeremy Irons, as palavras de Sebastian (Anthony Andrews) que tanto me comovem:
terça-feira, 10 de junho de 2008
Sex and the City, the movie: not so good...
Ontem, véspera de feriado, o Colosso estaria a meio-gás, era previsível que houvesse pouco trabalho. Yeah, right! Saí de lá já perto das oito e meia, e a tarde foi frenética. Tinha desafiado as Cell Blog Chicks para irmos ver o filme juntas, apontando o dia seguinte à estreia. A Mad, já se sabe, está a milhares de quilómetros. A Rosarinho não deu cavaco. A TCL respondeu desinteressadamente. A Sofia ripostou (e muito bem!) que nesse dia jogava a selecção. As únicas que queriam realmente ver o filme quanto antes éramos eu e a Ana.Quando finalmente estava a ultimar as coisas para sair, decidi que ia ver o filme ontem, sozinha ou acompanhada. Precisava daquela evasão, tão cansada estava. Ainda tentei ligar à Ana, que não atendeu. Fui sozinha.
Bem que eu estava renitente quanto a esta transposição ao cinema! Não se deve mesmo mexer no que é perfeito, e a série de televisão era-o. Por outro lado, e vamos com calma, não é um mau filme — é apenas decepcionante para quem, como eu (e acredito que milhões de mulheres), conhece a série de cor.
O filme está bem feito, que está. É razoavelmente credível, se nos abstivermos do facto de uma caramela com uma crónica semanal num jornal piolhoso chamado The New York Star [e com isto intitula-se escritora, coisa que sempre me fez confusão] poder comprar Manolos, Jimmy Choos e Louboutins a toda a hora. A evolução das quatro amigas, aquilo a que chegaram quatro anos depois, é plausível. Mas o filme é poucochinho. O filme é de um exibicionismo parvo. Sarah Jessica Parker volta a ser vetada por toilettes disparatadas, e ainda tenho bem fresco na memória o esdrúxulo objecto que pôs na cabeça na estreia mundial do filme, em Londres — o Vítor achou que era uma montagem... Se o filme pretende ser, em simultâneo, uma homenagem a Nova Iorque, até aí desilude. Tirando um breve lampejo da Bethesda Fountain que me pôs logo um nó na garganta, tirando um certo encontro a pé na ponte de Brooklyn (que também só fiz até meio), não vi imagens arrebatadoras da cidade como só ela sabe ser e a série tão bem tinha mostrado.
Vamos agora à história, e farei os possíveis para não estragar a surpresa a quem ainda não viu.
Tentarei não misturar actrizes e as personagens a que tão bem deram vida, que são todas fabulosas. Cynthia Nixon é, para mim, a melhor de todas, e não é debalde [WOW!, outra vez no mesmo dia!] que já leva um Emmy por SATC e um Tony, talvez o mais nobre de todos os prémios, no curriculum, por Rabbit Hole [Vítor, posso voltar a dizer que te odeio?] Fiquei deslumbrada quando, lá por 2000, revi mais uma vez Amadeus e a reconheci na criadinha adolescente que Salieri tinha contratado para espiar Mozart. Além disso é, para mim, a mais bonita das quatro — aqui antecipo vozes discordantes. Kristin Davis é linda, certo. Kim Cattrall é encantadora e tem um corpo que vou ali e já venho, e nem vou falar no facto de já ir nos 51 anos. Sarah Jessica Parker, grande actriz, é a menos bonita das quatro. Cynthia Nixon, para mim, supera-as a todas. É uma nova Meryl Streep, com uma beleza que vem de dentro, qualquer coisa que irradia e que nem toda a minha verbosidade chega para explicar. Dois apontamentos, para quem não saiba: Cynthia Nixon, mãe de dois filhos, vive neste momento com uma mulher — nunca se deteve a analisar a sua sexualidade, acontece apenas que se descobriu apaixonada por outra mulher; Cynthia Nixon derrotou recentemente um cancro da mama.
Em Sexo e a Cidade, as minhas personagens favoritas sempre foram Miranda e Samantha. Miranda pelo sentido de humor ácido e demolidor, tão de acordo comigo. Samantha pela sexualidade alegre e assumida que faz dela duplamente personagem de ficção. Eu acho que não há mulheres assim, tenho amigos que dizem que há, e que conhecem algumas. A mulher mais próxima da personalidade exteriorizada de Samantha que conheci era profundamente infeliz. Usava o sexo como tentativa desesperada para encontrar um grande amor, e nunca me pareceu que com bons resultados. Acabava cada one night stand maltratada, humilhada, acabrunhada. Foi a ela que ofereci, há muitos anos, o livro que a querida Cora me reencontrou, A Nova Mulher.
Há mais razões a fazerem de Miranda e Samantha as minhas preferidas. São genuinamente as mais generosas, as mais compassivas. Samantha até abdica de uma tarde de extremo luxo com um cabeleireiro da moda, marcada com meses de antecedência, para a ceder à amiga perdida numa maternidade recente. Até cede o vibrador acabado de comprar para aquietar o filho da amiga, que não pára de chorar. Quando Carrie, a viver uma relação sólida com Aidan, volta a envolver-se com Mr Big, então casado, só a Samantha tem coragem de confessar a verdade. Carrie sente-se tão culpada que lhe pergunta por que não a julga, por que não a recrimina. Samantha encolhe os ombros, estende-lhe um copo de vinho, faz um sorriso triste que diz mundos e responde apenas «Not my style.»
Charlotte e Carrie são bem mais egoístas. Parecem umas queridas, eu sei. Miranda e Samantha são pessoas melhores. Quando Miranda tem um acidente que a imobiliza nua no chão da casa de banho e pede socorro a Carrie (a mais egoísta de todas, mas que, por misteriosos desígnios do guião, é a amiga adorada das outras três) ela despacha o namorado para a ajudar, submetendo-a a uma enorme vergonha. Quando Carrie se vê na iminência de ficar sem casa, Samantha é a primeira a oferecer-lhe o dinheiro para a entrada, Miranda (a tal fria e dura) secunda-a imediatamente, mesmo estando no fim de uma gravidez e com enormes despesas pela frente. Charlotte, a próspera, que acaba de receber um senhor apartamento na Park, alheada, faz barulho com a palhinha, a chupar o resto do batido...
Mas voltemos ao filme, que é o motivo deste discurso interminável.
O filme nem enche nem preenche. Deu para matar saudades delas, mas nada daquilo convence. Empenharam-se de mais no guarda-roupa e nos acessórios, e de menos numa estrutura sólida e convincente para as personagens. E é aí que estão tramados, que milhões de mulheres por esse mundo fora conhecem-nas muito bem, às personagens. Até chegaram ao ponto de se projectar em algumas delas. Esse é, em última instância, o grande problema de SATC: é que rara é a mulher que não se identifica com todas as heroínas, neste ou naquele aspecto. Em cada uma de nós há, ao mesmo tempo e tudo misturado, um bocadinho daquelas quatro, por isso nos são tão queridas. A céptica e mordaz Miranda, tão vulnerável; a incorrigível romântica que é Charlotte (mas vejam lá se ela deixou fugir o apartamento de milhões na Park? Ou se, quando casou pela segunda vez, o marido não era um próspero advogado com casa nos Hamptons? Uma romântica com objectivos...). A fogosa Samantha, que descarta homens como se fossem lenços de papel. O grande enigma continua a ser Carrie. Para mim a menos simpática. Provavelmente a mais verdadeira.
Nota mental: vejo-me forçada a considerar que as deploráveis maneiras de Carrie à mesa, sempre a falar de boca cheia e a gesticular com os talheres, devem ser mesmo composição de personagem. Repetem-se no filme. É que até dói.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
I ♥ Friends #1
O fenómeno Friends passou-me totalmente ao lado. Tive uma noção vaga de que estava a acontecer, em duas vezes que estive em Nova Iorque não havia quiosque (nem vos passa pela cabeça o que eu embirro com o bancas, importado do Brasil...) em que os diversos protagonistas não fossem capa de incontáveis revistas. Mas nunca vi um único episódio.
Minto! Vi um bocado de um, tinha a série acabado havia poucos meses - as reposições já tinham começado, para deleite dos fãs apaixonados. Mas eu estava em Miami, fechada no hotel por causa de um furacão que se aproximava e prometia embater com grau cinco justamente... em Miami! Recolher obrigatório, que aquela gente não brinca em serviço, nem nos atrevíamos a sair - e mesmo que quiséssemos fazê-lo não iríamos longe, que a gasolina já tinha esgotado nas bombas, tamanho era o êxodo. É um milagre eu conseguir saber hoje qual era o episódio (The One in Vegas), tantas as vezes que saltava para o Weather Channel, a ver se ao menos o diabo do furacão se despachava e aterrava de uma vez por todas.
Só há coisa de um ano e pouco me resolvi a comprar, para ver como seria aquilo, a primeira temporada da série. ADOREI!!! Num espaço de tempo não superior a mês e meio comprei as oito seguintes... e fiquei depois desconsoladíssima à espera da décima e última, que ainda não tinha sido editada. Visitas diárias à Amazon para saber quando sairia, como é natural e compulsivo em mim, mulher de paixões (a repetição do que me tinha acontecido com Six Feet Under - do I see a pattern?).
Friends funciona para mim como entretenimento e evasão puros. E tem efeitos terapêuticos comprovados, como Sex and the City, como Música no Coração ou My Fair Lady (outro filme da minha vida).
Mas é muito mais do que isso. É realmente uma série de enorme qualidade. Para começar, os produtores foram muito felizes na escolha dos seis protagonistas. Cada um deles é perfeito no papel e na personagem. Por mim - mas é só a minha preferência muito pessoal, notem, aplaudo todos por igual - destaco a fabulosa Lisa Kudrow, David Schwimmer e Matthew Perry. A grande chatice é que também adoro os outros três!
Meus amigos, é tarde e tenho de descansar. É que depois de onze horas no Colosso ainda trouxe trabalho para casa, e só há pouco acabei a revisão de um extenso e apaixonante documento de 52 páginas que amanhã de manhã partirá para o mundo. No momento em que o enviei a quem de direito resolvi vir aqui palrar um bocadinho, mas estou realmente cansada.
Assim sendo, este post tem duas partes, e esta é só a primeira. Amanhã falarei mais alongadamente de Friends.
Agora deixo-vos só com esta cena que faz as minhas delícias (é possível que os mais novos precisem de algumas explicações...), a extraordinária Phoebe/Lisa Kudrow a brilhar em todo o seu esplendor... E ao som da grande-grande música tão truculentamente evocada...
Durmam bem!
Phoebe: Uh, see, I... I think the one that Elton John wrote for, um, that guy on Who's The Boss.
Rachel: What song was that, Pheebs?
Phoebe (singing): Hold me close, young Tony Danza.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
I ♥ Sex & the City

Só não morro de saudades destas quatro grande amigas... porque tenho a série completa em DVD e a revejo com frequência. Não sendo nada dada a neuras, tenho, como toda a gente, momentos de disposição mais tristonha. Alguns episódios de Sex and the City (ou de Friends, já agora, e dessa, que só há pouco mais de um ano descobri, falarei em breve) são uma terapia eficaz e fazem sempre maravilhas por mim.
Não conheço uma mulher que não adore esta série; não conheço um homem inteligente que não partilhe do nosso entusiasmo. O Vítor, por exemplo, só tendo visto uma meia dúzia de episódios, delira sempre com as minhas descrições desta ou daquela cena, há expressões que entraram na nossa linguagem privada e ritual, como o hilariante Hates it! de Anthony, o amigo de Charlotte, no episódio da escolha do vestido de noiva na Vera Wang (sim, sei a série DE COR).
Não conheço uma mulher que não adore esta série; não conheço um homem inteligente que não partilhe do nosso entusiasmo. O Vítor, por exemplo, só tendo visto uma meia dúzia de episódios, delira sempre com as minhas descrições desta ou daquela cena, há expressões que entraram na nossa linguagem privada e ritual, como o hilariante Hates it! de Anthony, o amigo de Charlotte, no episódio da escolha do vestido de noiva na Vera Wang (sim, sei a série DE COR).
A minha personagem favorita? São duas. Samantha, claro - como é possível não a adorar? E... se julgam que vou dizer Carrie, enganam-se. Miranda, sem dúvida. Delicio-me com o seu sentido de humor mordaz, de piadas secas e incisivas.
Por acaso, só por acaso, já encontrei algumas cenas para mim inesquecíveis (poderão não ser as vossas), anotei-as e - à cautela - copiei-as, terei todo o gosto em pô-las aqui.
Enquanto o filme não estreia - I can hardly wait! Inicialmente estava um tanto renitente e céptica, não se deve mexer no que é perfeito, mas o Vítor mandou-me há dias um artigo interessantíssimo da CNN que me fez reconsiderar - deixo-vos aqui duas belas homenagens.
Esta, a primeira, claramente promocional, à amizade do quarteto Carrie, Samantha, Miranda & Charlotte.
E esta, tão bonita, à quinta mulher do grupo, a minha amada Nova Iorque, omnipresente (a saudade até dói). Ao som de Manhattan, pela grande Ella Fitzgerald. Espero que gostem. Eu, confesso, comovi-me. Mas eu sou uma incurável sentimentalona...
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Six Feet Under - o fim
Já aqui falei desta série, pela qual tenho paixão absoluta - paixão que, pelos vistos, é partilhada pela Ana e pelo Pedro. Hoje deixo aqui a indescritível cena final. Faltam-me as palavras.
ADENDA: Se não viram a série e tiverem vontade de a ver, em caso algum vejam este filme. Ia estragar um final magnífico, dos melhores que alguma vez vi.
ADENDA: Se não viram a série e tiverem vontade de a ver, em caso algum vejam este filme. Ia estragar um final magnífico, dos melhores que alguma vez vi.
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