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domingo, 29 de abril de 2018

O império da asneira

Os atentados ao Português que lemos e ouvimos são diários. Já não se aproveita nada, nem ninguém. Tanto faz que seja a televisão, revistas disto e daquilo, jornais impressos e online, as atrocidades são de arrepiar. Já nem sequer o Expresso e o Público se safam.

Esta, que acaba de me ser enviada pela minha amiga Conceição, é de uma ignorância tão atroz que me deixa muda. É da revista Caras e, a menos que alguém na redacção (se é que têm redacção, sei lá eu) dê pela coisa a tempo, acabará certamente por sair na edição impressa.

Fico muito feliz pela aparente solidez do casamento dos duques de Cambridge, que cumpre hoje sete anos. Faz-me é uma impressão dos diabos que alguém possa achar que assimentar é um verbo, e que se escreve com dois ss.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

This may be a come back. Or not.


De vez em quando almoço aqui, os hamburgers* são óptimos, o serviço é muito simpático e atencioso, está-se lindamente na esplanada.
E confesso que, saloia e desconhecedora das novas tendências como me tornei, até investiguei a expressão Wyne Bar, não fosse a coisa existir e eu ignorar. Não existe, a ignorância é mesmo só deles.


*Recuso-me a escrever "hambúrgueres", lamento lamentar.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Aqui há gato

Só ontem vi pela primeira vez a revista digital New in Town, que me pareceu coisa interessante, útil e a acompanhar de perto. Pu-la imediatamente no feedly.

Há pouco havia uma actualização. Ora quem me conhece sabe da minha paixão por teatro e pode, portanto, imaginar como fiquei a bufar, exasperada, quando deparei com a notícia da imagem abaixo.

Gato em Telhado de Zinco Quente, Ana Luísa Bernardino, quem quer que seja a menina? Gato?! Gata, se faz favor! E não foi gralha, surge por duas vezes no texto. Um pouquinho de cultura geral é coisa que dá sempre jeito, e pode fazer falta quando menos se espera. Foi o caso. Aproveito também para lhe dizer que, quando se fala desta peça, ninguém se refere à protagonista como Margaret, mas sim como Maggie. Maggie the cat. A explicação para o título da peça está numa frase de Maggie no primeiro acto: «You know what I feel like? I feel all the time like a cat on a hot tin roof.» 

É claro que fui à página do Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, é claro que o título desta extraordinária peça de Tennessee Williams figura lá correctamente.

Deixei comentário com correcção na New in Town, vamos ver quanto tempo demora a ser aprovado e se corrigem (acredito que sim).

Uma nota final de profundo desagrado em relação à NiT: escreve ao abrigo do acordo ortográfico. Um rasgado louvor ao Teatro Municipal de Almada, que não vai cá em cantigas e escreve como Deus manda e eu e muito boa gente gostamos.

E por falar em acordo ortográfico: já todos assinaram a ILC contra essa aberração? 


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Um trabalho muito jeitoso

Acreditem ou não, só hoje vi A Gaiola Dourada — de que gostei imenso, pôs-me bem-disposta, e boa disposição era coisa em falta depois destes três dias com os olhos postos nas notícias de Paris.

Mas do que quero mesmo falar é da qualidade do trabalho de legendagem, consistente e coerente nas asneiras medonhas ao longo de todo o filme. Deixo-vos apenas com alguns mimos colhidos aqui e ali.








Para tão portentoso trabalho foram precisos os esforços combinados de três (nada menos do que três!) tradutores e de um número não especificado de revisores. Grandes profissionais, assim dá gosto!



segunda-feira, 31 de março de 2014

Sei Lá - parte II

A nossa estimada Margarida Rebelo Pinto até pode ter um livrinho chamado Não Há Coincidências, pero que las hay...

Ora vejamos. No sábado à tarde passei pela loja de quinquilharias que há perto de minha casa. À porta, como sempre, um escaparate de livros usados. A que, como sempre, deitei uma olhadela. Entalado entre um Harold Robbins qualquer e um livro juvenil de uma colecção que, mesmo ainda adolescente, sempre desdenhei, lá estava essa obra de subido recorte literário que é Sei Lá. Vi naquilo um sinal do destino e, depois de verificar o número da edição (era a 7.ª), paguei sem regatear os 50 cêntimos que me eram pedidos. As coisas que uma pessoa não faz pelo rigor científico de uma investigação! As coisas que eu não faço pelos meus prezados leitores! Até comprar um livro de Margarida Rebelo Pinto, co'a breca!

Ainda no sábado, recebi à noite um e-mail de uma leitora, de seu nome Susana, que me contava que a seguir à leitura da primeira edição de Sei Lá tinha escrito à autora a alertá-la (jocosamente, é certo, mas convenhamos que era irresistível) para esse portento de um fim-de-semana com dois sábados — ou dois domingos, tanto faz. Para sua grande surpresa recebeu, pouco tempo depois, uma carta manuscrita de Margarida Rebelo Pinto (na altura ela ainda tinha, pelo menos aparentemente, alguma humildade, como aponta a Susana) a dizer que o erro seria corrigido na edição seguinte. E a Susana concluía filosoficamente que «Nunca deixou de me surpreender como tal coisa passou em branco, sempre achei que ninguém conseguiu ler o livro até ao fim antes de ser publicado.» 

Pois, meus bons amigos, munida que estou agora da 7.ª edição, posso dizer-vos abalizadamente que não senhores, que o erro não foi corrigido nas seis edições seguintes, pelo menos. O erro e os erros, os muitos erros. A minha sorte é Deus ter-me dado este olho imediato (quantas vezes odiosamente incómodo) para a asneira escrita, que parece que até pisca com uma intensidade de lâmpada de mil watts mal abro um livro, uma revista, um jornal ou um blogue, em menos de um quarto de hora detectei uma quantidade muito respeitável — tão grande como a falta de respeito que as letras da autora me merecem.

A 7.ª edição, revista por um senhor chamado Manuel Luís Evangelista, tem pérolas como estas que digitalizei e agora vos apresento.


Esta, como sabem, faz o meu enlevo. A Guidinha que experimente ir aos Preciados de Badajoz (esta minha veia saudosista é incorrigível, já não existem Preciados vai para mais de vinte anos) e pedir uns cremes na perfumaria, a ver a cara de incompreensão das asistentas. Creme, em castelhano, é um substantivo feminino. Las cremas, Guidinha, las cremas. ¿Vale?
Tenho para mim que, se não conhecemos uma língua, é mais prudente abstermo-nos de a usar, nem que seja nas interjeições mais curtas, como voilà — passo a vida a ler voilá em blogues, e rio sempre. A ignorância tem a mania pérfida de se autodenunciar. Mas mais grave, muito mais grave, é quando a ignorância diz respeito à nossa própria língua. A Guidinha escreveu duas vezes (pelo menos, foram as que encontrei) esse magnífico adjectivo tão do agrado da imprensa nacional e dos bloggers: solarengo. Por duas vezes o revisor achou bem e deixou passar, e tão criminoso é o que assalta a vinha como o que fica de guarda.



E, convenhamos, dizer de um andar que, além de espaçoso, é também solarengo, é uma autêntica «contradição em termos» (nem imaginam como deliro com esta tradução, tantas vezes encontrada, da expressão «a contradiction in terms»). 

Querem mais? Pois há mais, claro que há mais. E muito mais haveria por certo, tivesse eu tido paciência e não tivesse coisas de qualidade para ler. Fiquem só com mais esta, que dispensa comentários, tão medonha é.


O meu rigor científico poderia ter-se dado por satisfeito e ficado por aqui, mas a optimista incurável (ou ingénua, nem sei bem) que há em mim persistia na esperança de que edições posteriores — que houve seguramente, porque esta 7.ª é ainda de 1999 — tivessem dado uma boa varredela em tão vasto estendal de asneiras. Gastar mais dinheiro estava fora de questão, evidentemente, ir a uma livraria de propósito também, restava-me procurar na Internet. Procurei e encontrei aqui uma outra edição, podem consultar e corroborar as minhas conclusões.

Pois esta 14.ª edição, de 2009, foi revista por um outro senhor, chamado Henrique Tavares e Castro. A questão do fim-de-semana de três dias foi sanada com um providencial feriado a somar-se ao sábado e ao domingo, aleluia! Apraz-me igualmente dizer que aqueles dois solarengos passaram a ensolarado o primeiro (pág. 113 do pdf) e soalheiro  o segundo (pág. 115).

Já o resto, lamento lamentar, permanece igual. Os cremes não passaram a cremas, aquele vêm pavoroso não passou a vêem.

Numa adaptação muito livre de A Ceia dos Cardeais, só apetece dizer «Como é diferente a literatura em Portugal!»

sexta-feira, 28 de março de 2014

Sei Lá

Uma amiga minha pôs ontem na sua página do Facebook o trailer do filme Sei Lá, que vi com o mesmo interesse que me teria despertado um tratado de balística.

Li o livro na altura em que saiu, emprestado por uma amiga, que o resumiu assim: «Não vale um caracol, só tem piada por se passar em sítios que conhecemos, o T, a Kapital, o Bairro Alto, o Pap'Açorda, e outros desses.» Despachei-o numa noite, a reparar nos incontáveis erros de português, nas frases defeituosas, nas peneiras da protagonista/autora.

Rebolei a rir com uma frase em castelhano, atribuída ao ex-namorado basco da narradora: «A mi cariño le gustan los cremes.» Los cremes?! Mas não houve em toda a editora uma única alminha que soubesse que creme em castelhano é feminino, la crema

Mas o êxtase absoluto, a fechar com chave de ouro um livro muito parvo, chegaria com um fim-de-semana de três dias passado no Alentejo. Três dias, sim. Dois domingos, mais concretamente. Mais uma vez, ninguém parece ter reparado na asneira. A não ser a Helena, como descobri há tempos.

O livro teve várias edições desde 1999, espero que algum revisor competente tenha dado uma volta a tanto disparate.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

É preciso ser muito estúpido

A seguir ao post em que falei da peça The Lisbon Traviata, lancei a discussão no extraordinário fórum de teatro que é All That Chat (topam a alusão a Bob Fosse, não é verdade?). Foi uma animação, e de caminho recebi duas informações preciosas. É tão bom aprender com os melhores!

A partir desse dia passei a receber carradas de visitas vindas de lá (tenho o Sitemeter instalado mas nunca o vejo, eu gosto mesmo é do Statcounter, que me fornece toneladas de informação sobre quem me visita). E tive a curiosidade de ir àquela aplicação aqui ao lado, aquele tradutor automático, e de tentar ver as coisas em inglês pelos olhos de quem me lia, vindo do Talking Broadway. Houve um amante de teatro dos Hamptons muito persistente que passou umas largas cinco horas a escarafunchar-me o blogue, com especial atenção à etiqueta As minhas divas (que na tradução passou a The Divas my, só para terem uma ideia da falta de qualidade da coisa). Bisbilhoteira que sou, segui a etiqueta. E tropecei deslumbrada num post antigo em que refiro muito de passagem a actriz Margarida Marinho, irmã do meu amigo Pedro com o mesmo apelido. O tradutor automático é tão tonto que também lhe traduziu o nome, coitada! E passou a Marguerite Ocean. Caso para dizer uma frase que me ocorre muito quando deparo com coisas especialmente estúpidas: Atão não, filho?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

E a coerência, senhores? (e tanto revisor sem trabalho)



A isto chamo eu jornalismo do bom e do melhor. Reparem que no título da notícia a ainda secretária de Estado do Tesouro e agora parece que ministra das Finanças (será também ministra de Estado?) aparece como Maria Luísa, já no corpo da notícia aparece com o seu nome verdadeiro, Maria Luís. Eu cá, no lugar da senhora, afinava. Diria como o Guimarães, o tio de Dâmaso (Dâmaso Cândido de Salcede), que vivia em Paris e que lá passava por M. de Guimaran, «embirro que me estropiem o nome.» 

Eu sei como estas coisas podem acontecer, ou pelo menos sabia, no jornalismo jurássico (corriam os anos históricos de 1989 e 1990). Tive vários exemplos na saudosa Patada (ver posts anteriores aqui). Nós esforçávamo-nos imenso, mas a verdade era que o jornal já era uma bandalheira vergonhosa e sem remédio. Já não tínhamos jornalistas, os poucos da velha guarda que ainda se tinham aguentado já tinham saído, desgostosos. As notícias publicadas não eram mais do que transcrições de telex da LUSA e de telefotos de uma agência estrangeira cujo nome tenho aqui na ponta da língua e que teima em fugir-me.

Triste é reconhecer que trabalhávamos que nem doidos para produzir obra de tão fraca qualidade. Eu rangia os dentes em surdina quando o director vinha sentar-se ao meu lado, ao fim da tarde, para me ditar o editorial, com a pergunta petulante «Então, Teresa, como é que vamos dirigir-nos hoje ao país?»

Éramos uma equipa pequena mas muito coesa, cada um lançava mão a tudo o que pudesse fazer para ajudar. Eu já tinha trabalho de sobra com a agenda, cinco páginas diárias a meu cargo, em que o que me fazia suar sangue era mesmo a cabra da astrologia (já contei) — imaginem o que é ter de inventar diariamente 36 coisas diferentes (amor, saúde e dinheiro) para 12 signos, mas se era preciso fazer outras coisas arregaçava as mangas (eu e todos, seja feita justiça).

Vivíamos a época pós-queda do mundo de Berlim (nem sei contar-vos a emoção que foi essa noite naquela redacção, mas posso confirmar-vos que não foi mesmo culpa da Helena, que tinha ido viver para lá três dias antes). Surge uma telefoto de uma estátua de Lutero (Martinho Lutero, como o conhecemos em Português) a ser deposta, mudada de local em Dresden — antiga Alemanha de Leste, mas notem que a unificação só viria no Verão seguinte — ou meramente removida para limpeza, já não me lembro. Escrevi rapidamente o texto, fi-lo passar em disquete (ainda se lembram?) à Graça, que estava a tratar da paginação, e que recebia a informação dos títulos, que tudo reunia maquinalmente, confiante, e depois paginava em Page Maker (meu querido menino, que saudades desse programa!), tudo medido ao milímetro, com ferramentas que só a Apple tinha, que Windows era coisa que ainda não tinha sido criada.

Um bocado depois, devia passar das nove da noite e começávamos a ficar nervosos, o jornal tinha de ir para a gráfica a horas, alguém me tinha trazido caridosamente um prego atafulhado de alho (como eu gosto) da rua, eu a roê-lo e a conceder-me uma folga de breves minutos, passo pelo computador da Graça e deito uma olhadela interessada., para ver como estava aquilo a correr-lhe. Deparo com um título na página em que ela estava a trabalhar: «Martin Luther... qualquer coisa». Ia passar adiante, em direcção à secretária do Rui, que estava a trabalhar a primeira página. Qualquer coisa me fez estacar como um cavalo espantado. Seria a mesma notícia que eu tinha transcrito coisa de uma hora antes? Martin Luther para mim era e é Martin Luther King, Jr., um dos heróis do meu Pai, um dos mártires da luta pelos Direitos Civis, assassinado em Memphis no dia em que o meu Pai fez 34 anos, 4 de Abril de 1968.

O prego a arrefecer, eu agoniada só da asneira que estava a prever, pedi à Gracinha que puxasse o texto da fotografia que já tinha carregado. Ela atirou as mãos para o céu num gesto de desespero. Se eu não tivesse passado por ali naquele momento teria saído uma notícia perdida de estúpida sobre qualquer coisa a acontecer à estátua de Lutero em Dresden, cujo título o designava como Martin Luther. Corrigimos a tempo. Como corrigimos outras coisas. Houve dias em que tive ataques de fúria, principalmente com uma jornalista que pretendia ser do social e que, além de não ter a mais remota noção de como escrever sem erros, era arrogante, gorda e feia. Mandei-lhe alguns memos delicados, um não tão delicado quando me mandou uma notícia sobre Elizabeth Taylor acompanhada de uma fotografia disparatada (e logo aquele jornal, que tinha um arquivo fotográfico sem preço). Era qualquer coisa como «Acho que começa a confundir o social com a mera cultura geral. A fotografia que me passou não é de Elizabeth Taylor, é de Farah Diba, ex-imperatriz da Pérsia, actual Irão. E aproveito para lhe dizer que na outra fotografia que me mandou o célebre chicote de Indiana Jones não é de ouro. É de couro.» Claro que fiz um inimiga para o resto da vida.

A jornalista nem se pronunciou sobre o chicote de Indiana Jones. Quanto à fotografia de Farah Diba em vez de uma de Elizabeth Taylor, limitou-se a um negligente «Ora, quem é que vai saber?» O trabalho ficou para mim, que tive de ir ao arquivo fotográfico. Mal ou bem, por mais esterco que fosse, o jornal estava nas nossas mãos, no que dependesse de mim não ia avacalhar.

Sei que houve um tempo em que o então chefe de redacção, a viver em França, lia este blogue com assiduidade. Calhámos um com o outro (como diria o grande Eça), para começar porque tínhamos canetas Montblanc iguais.  Quando era ele a escrever o editorial entregava-mo com toda a confiança e dizia simplesmente «mexa onde lhe apetecer, corrija sem piedade.» O Jorge era tão maníaco do Português como eu, éramos capazes de perder dez minutos de tempo que não tínhamos em volta de uma frase, a tentar melhorá-la. Jorge, ainda está aí?

E o Rui Paulo?


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Gente tonta

O bairro de Benfica é um mundo fascinante. Cada trivial ida à rua dá-me sempre que pensar. Às vezes (cada vez mais vezes, aliás) são coisas tristes. Pessoas que pedem à porta do supermercado, lojas que fecham umas atrás de outras. Mas depois também há os lunáticos, e esses deixam-me perplexa. Como é o caso dos donos desta loja.

Aqui sempre existiu até há coisa de dois meses uma daquelas lojas de modas ranhosas como ainda vai havendo algumas por aqui e que tinham o seu centro especializado na Rua dos Fanqueiros. Nunca lá comprei nada, não me lembro sequer de lhe espreitar as montras, e olhem que passo à porta quase todos os dias. Como eu devia haver muita gente, e a loja acabou por fechar ao fim de longos anos de tenaz resistência.

Eu nunca tive jeito para negócios, mas ainda vou tendo tino suficiente para me espantar com a ideia peregrina desta gente que achou que isto podia dar dinheiro. A ideia, a meu ver, seria sempre tresloucada, mas num tempo como este que vivemos é a mesma coisa que fazer roleta russa sem fazer girar sequer o tambor do revólver. Ora vejam as montras e digam-me se não concordam comigo.

A loja vende coisas girinhas (parvinhas) para a casa. Eu até diria que mais para jardim, e sabe-se que em Benfica há imeeeeensa gente que tem jardim.


Mas quem é que num tempo de crise como este vai gastar os tostões que lhe faltam para as coisas mais essenciais com parvoíces destas? Não me parece que seja preciso ser um ás da contabilidade para prever um futuro muito sombrio para este investimento.

Banda sonora - Lluís Llach - Campanades a Morts

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Não se aproveita nada

1. Há dias, numa mudança de canal, fui mesmo a tempo de dar com Júlia Pinheiro a esganiçar-se e a dizer "parteleira". Lindo.

2. Mais uma ouvida no Biography: «a triologia do Senhor dos Anéis». TRILOGIA, suas bestas!

3. Há ilustres jornalistas que dizem e escrevem Estádio Santiago Barnabéu (o estádio do Real Madrid). Um deles até tem blogue conhecido e até parece ter sempre abalizadas opiniões sobre futebol. BErnabéu, meus senhores, Bernabéu! Com e! E isto sou eu, que até nem percebo nada de futebol, apesar de conseguir distinguir perfeitamente quando é golo, o que já nem é mau.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Juro que não fui eu

Não, aquela correcção irresistível de um proíbido para proibido não foi obra da minha mãozinha.
Mas bem podia ter sido.


sexta-feira, 30 de março de 2012

Quem serão estas bestas?

O canal História alastra-se menos do que o Biography, mas também tem os seus brilhos. Esta noite, num documentário sobre Nova Iorque, ouvi por três vezes a palavra "pedestral" relativamente à Estátua da Liberdade. "Pedestral", com r, sim. À primeira achei que não tinha ouvido bem, à segunda confirmei, à terceira atirei as mãos à cabeça.

domingo, 4 de março de 2012

Duplamente extraordinário


O Ié-Ié andou a deambular pelo Príncipe Real e fotografou estes dois prodigiosos avisos na porta do Pavilhão Chinês. E eu não resisto a roubar-lhe a imagem, porque isto é demasiado bom, ou demasiado mau, consoante a perspectiva, para não ser divulgado.

Só não consigo decidir qual é pior, se a versão inglesa ou a portuguesa. «Closed for a privet invent» ou «Fechado para envento privado»? Decidam vocês, enquanto eu continuo a rir.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Lido agora mesmo no Facebook

Comentário deixado na página de uma grande amiga minha:

«Aqueles miúdos conheço-os desde que nasceram e a Vera é casada com um neto duma prima direita da minha sogra!!!!!»

Cianeto? Estricnina? Vou ali suicidar-me com o nojo.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Oh, céus!

Fico sempre dividida entre um riso de escárnio ou um encolher de ombros de comiseração de cada vez que oiço um certo separador do Biography Channel a anunciar um dos seus programas. Com voz segura, a locutora diz-nos que Project Runway é «apresentado por Aide Klum.» Suponho que também diga mine, e táxe, e Aude, e Snoope. Mas onde irão buscar estas araras?

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Outra vez os cromos dos espanhóis

No caso até são mexicanos, mas dá no mesmo, é a mesma língua e a necessidade de traduzir tudo é igual. Só mesmo o Abel para ter relíquias destas!

Edição mexicana de um EP dos Beatles, reparem no prodígio que são os títulos na capa.


Só na contracapa figuram os títulos originais em inglês.


quinta-feira, 30 de junho de 2011

Se não visse não acreditava


A publicidade automática que nos surge quando abrimos muitas páginas, na maior parte das vezes um engodo trapaceiro para nos arrancarem uns cêntimos ou uns euros, consoante a desfaçatez, desta vez deixou-me siderada.

É só ver o anúncio que me apareceu à direita, ao abrir esta página da revista Sábado. Pôr esta estupidez a votação para ganhar dinheiro já é macabro e de escroque. Que ainda por cima publicitem uma viagem como prémio ultrapassa tudo. Uma viagem aonde, já agora? Uma viagem só de ida, talvez?

O Zé Carlos, meu amigo do grupo do Liceu, filho do dono da que era a maior agência funerária do país, durante muito tempo lidou com algum embaraço com a profissão do pai. Depois aprendeu a contornar o assunto e em resposta ao clássico «o que é que o teu pai faz?» ouvi-lhe disparates de ir às lágrimas. As respostas que mais me faziam rir, as minhas favoritas, eram «tem uma agência de viagens de ida» e «tem um negócio de carnes frias».

Uma coisa é um adolescente brincar com a profissão do pai, antecipando-se a palavras como cangalheiro ou gato-pingado, que fatalmente ouviria  em piadas, e ficando em vantagem, por ser o primeiro a rir do assunto. Outra, muito diferente, é ganhar dinheiro desta maneira sórdida.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

No bar da Católica

Esta história, ontem prometida, passou-se há muito, muito tempo, no tempo em que os animais falavam. Admito que os animais falantes até já pudessem estar em vias de extinção, mas ainda tínhamos o Camané. O Camané, justiça lhe seja feita, era muito prestável e era muito simpático, qualidades que nos fariam mais condescendentes com ele se não fosse passarmos a vida a esbarrar na sua profunda estupidez. Céus, como era estúpido! Digno de subir ao podium da estupidez suprema e ombrear com as personagens mais estúpidas de sempre da banda desenhada: Ran Tan Plan, Averell Dalton e Salamix (de Astérix na Córsega).

Por outro lado, éramos muito discretos e tínhamos muito tacto: o Camané, que devia ser pouco mais velho do que nós, era filho da D. Iolanda, também empregada do bar, uma jóia de senhora, de quem todos gostávamos muito. Ela e a D. Lurdinhas eram as nossas empregadas favoritas. Ainda lembro com carinho que me adoravam, e que vinham sempre avisar-me quando tiravam os queques do forno. Os queques da Católica eram lendários, e lá ia eu enfiar-me na cozinha e deliciar-me com as raspas de massa que ficavam no tabuleiro.

Num belo dia, a meio da manhã, eu e o Vítor chegámo-nos ao balcão. O Camané, acorreu, solícito. Eu pedi um café e provavelmente um queque (dois ou três por manhã, e não engordava, feliz idade!). O Vítor pediu também café e começou a passear os olhos pelos bolos em exposição. Nenhum lhe apetecia, mas apetecia-lhe qualquer coisa, só não sabia o quê. Os olhos desviaram-se para as prateleiras por trás do Camané, passearam indolentemente... e pararam numa expositor de chocolates da Regina, essa venerável instituição nacional. Voilà! Era mesmo aquilo que lhe apetecia! 

- Já sei. É um Coma Com Pão, se faz favor!

O Camané era sempre muito cerimonioso connosco, os futuros doutores. Virou-se, tirou um chocolate, tendo o cuidado de o pôr num pires antes de o apresentar ao balcão. E acrescentou, solícito:

- Deseja carcaça?

O Vítor ficou desconcertado.

- Como?

Eu percebi logo, e explodi numa gargalhada monstuosa.

- Deseja carcaça? - repetiu o Camané, muito sério.

De repente a pergunta atingiu o Vítor em cheio em todo o seu absurdo, fez-se luz. E era ver-nos aos dois a rir histericamente, agarrados um ao outro, sem conseguir parar. A imagem nas nossas cabeças era irresistivelmente cómica.




Agradecimento à T, do Dias Que Voam, que me forneceu a imagem de um antigo anúncio do chocolate. Não era este que eu lembrava, mas cumpre muito bem.

sábado, 7 de maio de 2011

A televisão (paga) que temos

Ontem à noite, quase a desligar o computador, começou no canal História um óptimo documentário sobre René Magritte. 

Uma da manhã, não eram horas para telefonemas, mesmo que o alvo até possa ter hábitos noctívagos. Mas apressei-me a enviar um e-mail à Ana Vidal, sabedora da paixão que tem pela obra do pintor (e que é partilhada), avisando-a do horário das repetições.

Corri para a cama, para ver o documentário com todo o conforto, Drusilla a meu lado na almofada, Agripina encostada à minha barriga. E, mais uma vez, fiquei furibunda com a falta de qualidade do trabalho transposto para português. Legendas, senhores, legendas! Deixem de dobrar as coisas! Só do nome do pintor apanhei três pronúncias diferentes, variando consoante a pessoa que fazia a narração: Magritte (a correcta, o "e" final bem nítido), Magrit e (pasmem!) Magri

Vi no fim que a produção era de uma empresa chamada Pátio das Cantigas, que assina infindáveis outras vergonhas.

terça-feira, 3 de maio de 2011

E insistem. E insistem.

Não tivesse eu uma relutância tão grande em relação a palavrões, teria dado a esta entrada um título bombástico, género "Putas de Leste", ou "Putas Russas", ou "Putas Eslavas", e aposto que isso passaria a atrair-me muitas visitas durante bastante tempo.

Esta oferta despudorada irrompe-me monitor adentro umas duas ou três vezes por semana, via Skype. Não sei bem qual será a parte do meu nome que pode fazê-los pensar que uma Teresa possa estar farta da arrogância de europeias e americanas e anseie pelo genuíno interesse e compreensão de uma doce moçoila das estepes ou das margens do Volga. O anúncio é sempre o mesmo, só os remetentes variam. Bloqueio-os um após outro. Mas continuam sempre a aparecer, sob novos nomes. Uma tristeza.

(do meu adorado Les Misérables, e a única música de toda a obra de que não
gosto lá muito; e sim, é sobre prostitutas.
Raios! Também me esqueci de Os Miseráveis no Desafio Literário!)