Mostrar mensagens com a etiqueta The Big Five O. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta The Big Five O. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 13 de abril de 2011

The Big Five O (and a once upon a time)

Podia pôr aqui um retrato teu. Podia pôr aqui um dos poucos retratos que temos juntos, há muitos anos, numa festa do Stone's (e estávamos tão giros, apetecia mesmo!). Não devo nem vou fazê-lo. Procurei uma fotografia da Pindô na Internet, não encontrei nenhuma. Fica esta, e as coordenadas são bastantes.

Por mais que isso possa irritar outras pessoas (e muito irritou, em tempos idos), esta é uma música que só consigo associar a ti e àqueles tempos tão longínquos em que fingíamos estudar no teu quarto de paredes estridentemente cor de laranja (que raio de cor!) e só ríamos muito, e ouvíamos muita música, e o frasco de álcool já era presença habitual na secretária, para apagar cada risco da esferográfica Cross (que perdi há muitos anos) que ia parar ao teu braço a cada disparate que me dizias. E ríamos, ríamos.

Apanhaste-me, uma vez mais, mas só até Agosto. Serei sempre mais velha, mesmo que só oito meses. E gosto, sempre gostei, vou gostar muito de ti a vida inteira. Nada a fazer, terei sempre este enorme fraco por pessoas muito inteligentes. Verdade seja dita, tu não és meramente inteligente. És brilhante. Só espero que não tenhas sido ainda atacado pelo senhor alemão, e que reconheças a música. e ela te transporte no tempo. Porque foi um tempo bonito. Porque és o meio amor dos dois grandes amores e meio da minha vida.

sábado, 25 de setembro de 2010

The Big Five O


Hoje é a vez dele, mais novo do que eu um mês menos dois dias. O meu Amigo-Irmão de toda a vida, no matter what.

Numa certa noite de Janeiro ou Fevereiro de 1988, estávamos no Stone's e eu assistia aparentemente impávida a coisas que muito me magoavam. Saquei do papel e da caneta e rabisquei febrilmente uns certos versos de uma certa música de Simon & Garfunkel que lhe passei discretamente, sabendo que ele os reconheceria de imediato:

«And so you see I have come to doubt
All that I once held as true
I stand alone without beliefs
The only truth I know is you.
»

Muitos anos mais tarde, no bar do Westbury, em Londres, a meio de uma muito longa conversa já madrugada fora, abriu a carteira e mostrou-me esse papelinho, que ainda trazia sempre consigo, tanto tempo e várias carteiras depois. Acredito que ainda o traga. Porque o meu Amigo é assim.


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

The Big Five O

Chegou a minha vez. Cinquenta anos!

Como voaram! Posso garantir-vos que neste momento há dentro de mim uma adolescente mesmo muito surpreendida. Olho para este retrato do Verão dos meus vinte anos, num dia muito feliz, num sítio que para mim é simplesmente mágico... e penso que passaram trinta anos. Como é possível, se lembro tão bem aquele dia?

Há um outro retrato que gostaria de pôr aqui, se o encontrasse, e que seria talvez mais significativo, já que é do Verão dos meus 25 anos — metade da minha vida. Por acaso é um dos meus favoritos, já que tenho o azar de não ser nada fotogénica. O Rui contrariava-me, dizia que não, que não há gente pouco fotogénica, o que há são maus fotógrafos, e ele lá devia saber, que percebia de fotografia como poucos.

Seja como for, é impossível não assinalar esta data, tamanha a importância que toda a vida lhes dei, às datas. São marcos, são símbolos, trago dezenas e dezenas na memória do coração, outras tantas na memória intelectual. Ainda hoje, ao almoço, comentava a rir que sabia de cor datas tão irrelevantes para a minha vida como a da coroação de Carlos Magno, a da ordem de prisão dos Templários ou as das execuções de Ana Bolena ou de Luís XVI e de Maria Antonieta.

A música? Ah, a música hoje só poderia ser esta. É que ainda ontem eu tinha vinte anos. Curiosamente, numa coincidência inquietante, a primeira música que me apareceu no iPos esta manhã, a caminho do Colosso, foi Who Knows Where The Time Goes?, de Sandy Denny.

HIER ENCORE

Hier encore
J´avais vingt ans
Je caressais le temps
Et jouais de la vie
Comme on joue de l´amour
Et je vivais la nuit
Sans compter sur mes jours
Qui fuyaient dans le temps
J´ai fait tant de projets
Qui sont restés en l´air
J´ai fondé tant d´espoirs
Qui se sont envolés
Que je reste perdu
Ne sachant où aller
Les yeux cherchant le ciel
Mais le cœur mis en terre
Hier encore
J´avais vingt ans
Je gaspillais le temps
En croyant l´arrêter
Et pour le retenir
Même le devancer
Je n´ai fait que courir
Et me suis essoufflé
Ignorant le passé
Conjuguant au futur
Je précédais de moi
Toute conversation
Et donnais mon avis
Que je voulais le bon
Pour critiquer le monde
Avec désinvolture


Hier encore
J´avais vingt ans
Mais j´ai perdu mon temps
A faire des folies
Qui ne me laissent au fond
Rien de vraiment précis
Que quelques rides au front
Et la peur de l´ennui
Car mes amours sont mortes
Avant que d´exister
Mes amis sont partis
Et ne reviendront pas
Par ma faute j´ai fait
Le vide autour de moi
Et j´ai gâché ma vie
Et mes jeunes années
Du meilleur et du pire
En jetant le meilleur
J´ai figé mes sourires
Et j´ai glacé mes pleurs
Où sont-ils à présent
A présent mes vingt an

Charles Aznavour: Hier Encore

quarta-feira, 28 de julho de 2010

The Big Five O... e uma história de passar ao bronze

Este é o ano em que todos nós, os grandes amigos do grupo do Liceu, desconcertados, damos connosco a fazer 50 anos. Estranha idade, quando ainda nos sentimos (principalmente quando estamos juntos) perfeitamente adolescentes. Como é possível que já tenhamos essa idade toda?! 

Temos mesmo essa idade toda, não há como fugir à voragem do tempo, este tempo que voou sem sabermos como entre as conversas de quatro amigas estendidas ao sol de Primavera na relva dos jardins da Gulbenkian e as conversas das mesmas quatro amigas compostamente sentadas à mesa de um restaurante qualquer, trinta e tal anos depois. 

Ainda ontem eu e a Vanda tínhamos 12 anos e ficávamos sentadas lado a lado na sala de aulas. Ontem foi o dia dos 50 anos da Vanda. Um mês certo depois será o dia dos meus 50 anos. Ontem a Vanda celebrou em família, hoje foi o jantar connosco (e faltou a São, no Algarve, elemento imprescindível das Quatro Terríveis — assim éramos conhecidas no Liceu — presente connosco ao telefone).

A Vanda sempre foi doentiamente pontual. Às oito em ponto estava a ligar-me do Spianata a perguntar-me um impaciente «Onde é que estás?!» Eu, que com o passar dos anos também fui ficando doentiamente pontual, tenho outras condicionantes. Ainda estava no gabinete, como tinha avisado na véspera que era mais do que provável que acontecesse. A Clara, que também tem uma vida profissional complicada, também tinha avisado que era possível que chegasse atrasada.

E lá estava a Vanda, num glorioso fim de dia de Julho, uma mesa na esplanada do Spianata, à espera das amigas e já com uma caipirinha à frente. Uma mulher, se não tiver um livro à mão, faz qualquer coisa para se entreter. Pode olhar para a paisagem, pode estudar a ementa, pode pôr-se a consultar o telemóvel. A Vanda nunca foi do modelo corrente: a Vanda descobriu um pêlo numa perna. No instante seguinte a Vanda ficou obcecada. Morte ao inimigo! Havia que eliminá-lo. E estava a Vanda em plena cruzada de extermínio, a língua ao lado num esforço concentrado, o polegar e o indicador em alicate a tentar caçar o intruso, quando aparece um criado solícito. A Vanda nem deu por ele, toda entregue à sua nobre causa. Quase saltou, sobressaltada, quando lhe ouviu a voz: «Desculpe interromper a sua depilação...»

Resumindo e concluindo: provavelmente nunca teríamos sabido deste mortificante apontamento, tantos são sempre os assuntos a absorver-nos, se a meio do jantar eu não tivesse achado as atitudes do mesmíssimo criado um bocadinho bizarras. «Ó meninas, é só impressão minha ou este tipo está grosso?» Foi aí que a Vanda nos contou a história acontecida antes da nossa chegada. E rimos como doidas, porque tinha tido graça. Mal por mal, antes um bêbedo com piada. Mas, a trabalhar num restaurante, esperemos que conte sempre com benevolência igual à nossa. As duas fotografias que nos tirou não correram lá muito bem. Mero exemplo.

Abaixo a reprodução do que registei ontem no blóguio do Liceu para a Vanda. Com a imprescindível banda sonora, claro.


The Big Five O!

E hoje é a vez da Vanda!

Aposto, meus Amigos, que perguntarão por que escolhi esta fotografia, em que a Vanda nem sequer está sozinha. Por duas razões: porque está com o António, como ela fundador deste grupo, já lá vão 15 anos. E pela enorme alegria que esta imagem transmite.

A Vanda foi a minha primeira grande amiga no Liceu. Sentávamo-nos lado a lado naquela sala 5 do primeiro andar do Pátio Norte da qual se via o Hotel Sheraton, eu com o n.º 26, ela com o 32, no nosso primeiro ano do Liceu. O Dr. Malaquias, Professor de Desenho, chamava-nos «as manas». A amizade continuou nos cinco anos seguintes, cada uma a crescer de maneira diferente, mas sempre em harmonia e em riso. No 5.º ano já éramos quatro, sempre juntas, duas em cada turma. A Clara e eu na A, a Vanda e a São na B. Quantas travessuras, quantas tonteiras, quantas gargalhadas!

Ainda conservo com grande carinho um certo disco oferecido pela Vanda nesse nosso primeiro ano. Sobre a qualidade musical é melhor que não nos pronunciemos:


Tal como conservo este retrato da Vanda nessa época. Mudou mesmo muito pouco, terão de concordar comigo, mesmo tendo passado 38 anos.


A banda sonora para este dia dos 50 anos da Vanda? Muitas seriam as escolhas possíveis. Mas optei por Aznavour, que é uma avassaladora paixão que temos em comum. E porque esta música é, entre outras coisas, a evocação de um percurso, das coisas que deixam marcas. E porque é uma enorme celebração de Amizade. A família é-nos dada, os amigos são escolha nossa. E ainda porque nos lembra como, em tempos distantes, cada vez mais distantes, a vida foi bem mais simples e fácil. Graças a Deus, nenhum de nós perdeu a alegria. A Vanda, seguramente, não a perdeu.