terça-feira, 25 de março de 2014
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Update on Giuditta Pasta
No ano seguinte viria a almoçar muitas vezes com ele no refeitório e só então, quando já não era sua aluna, passou a tratar-me por Teresa. Conversávamos muito, eu divertia-o. Acolheu a rir os meus desabafos exasperados sobre Viagens na Minha Terra e sobre Amor de Perdição, acolheu também o meu deslumbramento com Os Maias. E com Cesário Verde. E com Antero. Eu era então, como continuo a ser, uma tagarela incurável. E ele achava-me graça, pronto. Provavelmente já achava no tal dia em que me exilou para aquela carteira junto à porta, da qual eu via através do vidro as folhas do plátano em frente.
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
(do grande John Barry. Oscar para a melhor canção, Oscar para a melhor partitura original)
domingo, 30 de novembro de 2008
Dois Gigantes
Faz hoje oito anos que este retrato foi tirado.Havia já muitos anos que tinha prometido a mim mesma que estaria no Père-Lachaise no centenário da morte de Oscar Wilde, à hora exacta a que partiu deste mundo, já contei a história aqui. Sim, fui a Paris de propósito. Há doidos piores...
Volto a proclamar a minha gratidão eterna à Dr.ª Teresa Monteiro, a quem devo a qualidade do meu inglês e a minha desmedida paixão por Oscar Wilde e por Teatro. Nem sabia ela no que se metia ao pôr-me a ler The Importance of Being Earnest, de Oscar Wilde, e Look Back in Anger, de John Osborne, tinha eu 16 anos. A culpa é sua, querida Dr.ª Teresa! Esta semana vou mandar-lhe um retrato que eu e o Vítor tirámos em Londres há dias. Tenho a certeza de que vai lembrar-se imediatamente dele! — foi seu aluno no sexto ano.
O segundo Gigante que morreu nesta mesma data, trinta e cinco anos mais tarde, é Fernando Pessoa, que devo a outro grande Gigante, que tive a honra e o privilégio de ter como Professor: Vergílio Ferreira.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Fernando Pessoa — 120 anos hoje
Lembro-me bem do seu olhar.
Ele atravessa ainda a minha alma,
Como um risco de fogo na noite.
Lembro-me bem do seu olhar. O resto…
Sim o resto parece-se apenas com a vida.
Ontem, passei nas ruas como qualquer pessoa.
Olhei para as montras despreocupadamente
E não encontrei amigos com quem falar.
De repente vi que estava triste, mortalmente triste,
Tão triste que me pareceu que me seria impossível
Viver amanhã, não porque morresse ou me matasse,
Mas porque seria impossível viver amanhã e mais nada.
Fumo, sonho, recostado na poltrona.
Dói-me viver como uma posição incómoda.
Deve haver ilhas lá para o sul das coisas
Onde sofrer seja uma coisa mais suave,
Onde viver custe menos ao pensamento,
E onde a gente possa fechar os olhos e adormecer ao sol
E acordar sem ter que pensar em responsabilidades sociais
Nem no dia do mês ou da semana que é hoje.
Abrigo no peito, como a um inimigo que temo ofender,
Um coração exageradamente espontâneo,
Que sente tudo o que eu sonho como se fosse real,
Que bate com o pé a melodia das canções que o meu pensamento canta,
Canções tristes, como as ruas estreitas quando chove.







