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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Dinheiro mal gasto


Um honesto leão larga uma pipa de massa no cabeleireiro.


Volta para a savana para fazer um vistão, cai uma chuvada e acontece-lhe isto.

Fotografias assombrosas em The Serengeti Lion.

sábado, 16 de junho de 2012

The kindness of strangers

Poucos minutos depois da publicação do último post, chegou-me um mail de uma leitora regular e comentadora ocasional com o oferecimento pronto e espontâneo de um iPod Nano que tem guardado e que não usa. Suponho que imaginam o que tal gesto me sensibilizou. Não identifico a sua autora, que tem blogue, mas não posso deixar de voltar a agradecer-lhe e a repetir aquilo que lhe respondi: não posso aceitar, de forma alguma, não posso mesmo. Mas, como também lhe disse, é como se ele estivesse a cantar nos meus ouvidos. Obrigada, muito obrigada!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Um sonho

Deixem-me apresentar-vos Churchill, Manitoba, noroeste do Canadá, a capital mundial do urso polar. Desde que soube da existência desta cidade e do autêntico comício de ursos polares que anualmente, entre Outubro e o princípio de Novembro, se reúne lá, que sonho visitá-la. O inconveniente é que a viagem sai caríssima e não dá para combinar com outras deslocações: aquilo fica rigorosamente no meio do nada, são milhares de quilómetros e vários voos de ligação, além do preço das excursões para avistar os ursos em toda a segurança, que é tudo menos simpático (e para este ano, entre 17 de Outubro e 13 de Novembro, já está tudo esgotado).

A explicação para este fenómeno anual que me põe a suspirar? Os ursos vão chegando e por ali vagueiam à espera de que as águas da Baía de Hudson gelem para poderem atravessar para o Árctico. E obtêm-se imagens como estas:





segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

They had no choice

Falar de War Horse sem falar deste monumento seria deixar a coisa pela metade. O Animals in War Memorial, concebido pelo escultor inglês David Backhouse e inaugurado em Londres em 2004, em Brook Gate, junto ao Hyde Park, é o monumento dedicado aos animais que pereceram ao serviço do exército britânico ao longo da história. Nem sei dizer a que ponto me comove. Vejam aqui algumas histórias.

Duas inscrições na pedra. A primeira é uma dedicatória:

«This monument is dedicated to all the animals
that served and died alongside British and allied forces
in wars and campaigns throughout time»

A segunda, muito curta, faz com que os olhos se me encham imediatamente de lágrimas:

«They had no choice»





quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dois milagres e estranhas coincidências

Faz hoje precisamente um ano, a 13 de Outubro de 2010, eu ia assistindo no gabinete, de olhos maravilhados, ao resgate de 33 mineiros encurralados nas profundezas da terra havia 69 dias. E a cada mineiro que aquela estreitíssima cápsula ia devolvendo à superfície, à vida, à família e aos amigos, dava graças a Deus e pensava que estava a assistir a um milagre em directo.

Não me perguntem qual foi a estranha associação de ideias que fiz, mas de repente lembrei-me de um outro milagre, ocorrido muitos anos antes, e que me tinha impressionado tanto que nunca o esqueci: o do desastre dos Andes, em que um avião uruguaio que transportava uma equipa de râguebi, familiares e amigos em deslocação ao Chile, se tinha despenhado na alta montanha (ver aqui). Na altura eu tinha apenas 12 anos, mas lembro bem o muito que noticiários e jornais divulgaram a história. Anos mais tarde, já em 1977, já com 16 anos, foi com emoção que vi no cinema Roma um filme que reconstituía toda a trágica odisseia. A destacá-la de outros acidentes aéreos, a notícia que, após o resgate dos 16 sobreviventes, cedo correu mundo: isolados de tudo, a 3600 metros de altitude, com temperaturas de muitos graus negativos, sem água e sem comida, tendo ouvido pelo rádio do avião que as buscas tinham sido abandonadas, não tiveram outro recurso para se manter vivos senão alimentar-se dos corpos dos mortos. Só ao fim de 72 dias, e porque dois do grupo entretanto gastaram dez dias montanha abaixo em busca de socorro, em condições inimagináveis, seriam resgatados.



A televisão continuava a mostrar a subida dos mineiros à superfície, um a um. Comentei com a Conceição (dez anos mais velha do que eu) e com a Manuela (cinco anos mais velha, que tinha ido ao nosso gabinete por cinco minutos, só para se livrar por um bocadinho que fosse da insuportável colega). Ficaram a olhar para mim como se eu fosse marciana. Desastre de avião nos Andes? Hã? Estás a falar de quê?! E eu não conseguia acreditar. Como era possível que as duas — já adultas quando tudo aquilo tinha acontecido, enquanto eu era apenas uma catraia — não se lembrassem? Um pedacinho irritada, socorri-me do meu infalível amigo Google, já a virar o monitor para a Manela, que estava de pé, com um impositivo «anda cá, ó tonta!»

De repente, franzi os olhos, sou capaz de jurar que empalideci, a Manuela pelo menos disse que tinha ficado com uma cara muito estranha. Estranha? É possível, muito possível. O que fiquei foi muito perturbada. O terrível acidente dos Andes tinha sido justamente naquela data, a 13 de Outubro de 1972, fazia nesse dia 38 anos, faz hoje 39. E na véspera, precisamente na véspera, alguns dos sobreviventes tinham estado no Chile, no local das operações de resgate, para encorajar mineiros e familiares com o exemplo da sua história de sobrevivência, de tenacidade e de fé. 

Tinha planeado escrever aqui sobre isso nesse dia, infelizmente o trabalho arrastou-se até muito tarde, já era madrugada quando saí do gabinete. Ficou para hoje, um ano depois. Infelizmente, já não encontrei muita da informação então disponível. Há dois dias, através da sua página oficial (¡Viven!), enviei uma mensagem, tentando confirmar a sua presença no local e explicando as razões. A resposta não tardou a chegar, pelas mãos de Javier Methol, um dos sobreviventes, o mais velho de todos. Com palavras calorosas e encantadoras, tratou-me por tu, explicando-me que à época do acidente já era pai de quatro filhos e a sua mais velha era pouco mais nova do que eu, despediu-se com um abraço paternal. Obrigada, Javier, muito obrigada! Foram palavras que calaram fundo. Deus vos abençoe a todos. Não reproduzo a mensagem, que é de foro privado, o que posso garantir é que muito me comoveu.

De caminho confirmou que sim, que cinco deles tinham estado no Chile. O grupo inteiro, solidário, queria ir. O Presidente do país dissuadiu-os, era demasiada gente, a confusão já era muita, seria um circo mediático ainda maior, os que não foram ficaram a postos para o que fosse necessário


Banda sonora: The Bee Gees - New York Mining Disaster 1941

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Um enorme aplauso

Esta noite, no programa de Ellen DeGeneres, apareceu como convidado Graeme Taylor, um miúdo de 14 anos que me deixou boquiaberta de admiração.

Jay McDowell, professor de Economia da sua escola de Ann Arbor, Michigan, foi suspenso sem vencimento por ter expulsado da aula um aluno que fez violentos comentários homófobos. Graeme saltou em sua defesa no conselho escolar. Vale mesmo a pena ver o filme abaixo, porque regista parte dessa sua intervenção, bem como a sua participação no programa de Ellen.

Fiquei maravilhada com a clareza de raciocínio, a mente perfeitamente estruturada e a limpidez articuladíssima do discurso deste adolescente de apenas 14 anos. Que vai ser, na certa, um grande Homem. Vai ser? Corrijo: já é um grande Homem.

Não percam.


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce

Há pouco mais de um ano, a Maria contava-nos o seu sonho. Que não era bem um sonho, não era um mero castelo no ar à moda de Mofina Mendes, como tantos se vêem por aí: era um objectivo. E, como escrevi na altura e continuo a pensar, «a diferença entre um e outro reside no facto de que ter um objectivo passa por ter um plano para o pôr em prática. Não se fica a sonhar que nos sai o Euromilhões. Arregaçam-se as mangas e vai-se à luta, que para a frente é que é o caminho.»

Foi o que a Maria fez em todo este ano. É certo que foi amparada por uma enorme rede de afectos e de solidariedade, de gente a querer ajudar. O que não sei bem quantas pessoas poderão imaginar é todo o enorme esforço suplementar em horas arrancadas a um descanso muito merecido que este projecto lhe tem exigido ao longo de um ano. Eu sei, porque muitas vezes falámos sobre isso de viva voz. Outras pessoas sabem. Mas não todas. Durante mais de um ano a Maria tem tido a casa transformada num acampamento, deita-se altas horas da manhã (e quantas vezes falámos a horas incríveis) depois de ler e responder a mensagens, de vigiar as ofertas dos sucessivos leilões. Passagens diárias nos correios para expedir os artigos licitados, frequentemente com uma sensação de frustração quando as encomendas vinham devolvidas por irresponsabilidade de quem tinha licitado. Isto para não falar dos vencedores das licitações que depois desapareciam como desfeitos em fumo. De tudo isto foi feito este último ano da Maria.

Mas eis que, in a simple twist of fate, como cantou Bob Dylan numa das canções que me são mais queridas, todo o cenário em que a vida da Maria se equacionava dá uma surpreendente e enorme reviravolta. Tão grande, tão grande, que a leva para muito mais longe do que Bruges, a duas horas de avião, tão grande que a leva para o outro lado do mundo, para uma terra que já foi portuguesa. A Maria vai para Timor e eu, que há algum tempo, desde a primeira hora, sabia dessa extraordinária notícia, alegrei-me por ela e com ela. Tal como outras pessoas. Novos caminhos se desenham, imprevistos e abençoados, reafirmando a minha crença em que o esforço acaba por ser recompensado. Talvez afinal a Maria nem tenha de passar pelo Colégio da Europa, quem sabe? Talvez a Maria, depois deste voluntariado de seis meses, tenha a entrada pela porta grande facilitada na ONU, seu grande sonho de sempre. Com muito trabalho pelo meio, sabe-se, mas ela não é nem foi nunca mulher de se esquivar ao trabalho, antes se atirou sempre a ele com unhas e dentes. O futuro a Deus pertence e eu acredito que Ele reserva grandes coisas à Maria.

Uma única e grande mágoa: a impossibilidade de levar o Gato. E o que ela batalhou por isso! Mas ter um bicho não é diferente de ter um filho, pensa-se sempre nele e no seu bem-estar em primeiro lugar. O Gato fica bem, muito bem e muito mimado, tendo a sua custódia sido disputada por quatro pessoas diferentes. Eu própria me teria oferecido para o receber, não fosse ter já duas princesinhas voluntariosas que teimam em recusar qualquer convívio. Espero que em Timor a Maria tenha boa ligação à Internet, que possa ver diariamente o Gato pelo Skype para que ambos possam matar saudades. 

Minha querida Maria, não preciso de dizer como estou orgulhosa de ti, pois não?


Explicação: é uma música exultante e empolgante, que anuncia novos tempos, grandes conquistas. Deu a Carly Simon um muito merecido Oscar de melhor canção em 1988. Era a música que o Vítor me sugeria que pusesse aqui no dia da vitória de Barack Obama. Ponho-a hoje e escolho o mesmo título que dei a esse post de 5 de Novembro de 2008: Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. Acho muito apropriado.

Let the River Run 

We're coming to the edge,
Running on the water,
Coming through the fog,
Your sons and daughters.

Let the river run,
Let all the dreamers
Wake the nation.
Come, the New Jerusalem.

Silver cities rise,
The morning lights
The streets that meet them,
And sirens call them on
With a song.

It's asking for the taking.
Trembling, shaking.
Oh, my heart is aching.

We're coming to the edge,
Running on the water,
Coming through the fog,
Your sons and daughters.

We the great and small
Stand on a star
And blaze a trail of desire
Through the dark'ning dawn.

It's asking for the taking.
Come run with me now,
The sky is the color of blue
You've never even seen
In the eyes of your lover.

Oh, my heart is aching.
We're coming to the edge,
Running on the water,
Coming through the fog,
Your sons and daughters.

It's asking for the taking.
Trembling, shaking.
Oh, my heart is aching.

We're coming to the edge,
Running on the water,
Coming through the fog,
Your sons and daughters.

Let the river run,
Let all the dreamers
Wake the nation.
Come, the New Jerusalem.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

I ♥ Gatoso

Na minha rua há uma mercearia pequenina, muito humilde, com ar de antiga taberna. Não tem muito para oferecer: algumas hortaliças, quatro ou cinco qualidades de fruta da época, coisas básicas como leite, farinha, açúcar, algumas massas, azeite. Mesmo assim, tento sempre comprar lá alguma coisa ao fim-de-semana, porque me comove a tenacidade do casal idoso que a mantém, mesmo não dando obviamente qualquer lucro. E porque esse casal idoso protege e alimenta o Gatoso.

O Gatoso, como lhe chamo (o casal da mercearia não lhe deu qualquer nome, para eles é simplesmente o gato), é um bichano velhinho, de rua, cheio de cicatrizes antigas de bravas pelejas dos seus tempos de galã. De uma meiguice de fazer derreter o coração, cumprimenta-me sempre com um miado e estende a cabecinha de pêlo áspero e maltratado às minhas festas com um ronronar de beatitude.

Há tempos, num sábado, por volta da hora do almoço, ao passar em frente da mercearia lembrei-me de que havia vários dias que não via o Gatoso. Entrei para perguntar por ele, com o pretexto de comprar dois pacotes de leite. O casal estava a almoçar, numa mesa improvisada. E larguei a rir, porque nem precisei de perguntar nada. Junto deles, no chão, estava o Gatoso, a receber alternadamente de um e de outro bocadinhos do seu peixe cozido.





Update de 19 de Julho de 2011: soube hoje que o Gatoso morreu. Fiquei desolada. A senhora, quando lhe perguntei por ele, que já não via há uns dias, desatou a chorar e contou-me. Está inconsolável, e ficámos um grande bocado a conversar.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Bye Bye Birdie*

Nos últimos meses fiz um novo amigo. O Alípio, que foi como resolvi baptizá-lo, é um melro que tem alegrado extraordinariamente os meus dias em toda esta Primavera. Canta que é um encanto o dia inteiro.

Como retribuição, comecei a alimentá-lo. Rejeitou com firmeza o granulado especial para melros que lhe comprei numa loja de animais, prefere alpista ou biscoitos esfarelados. Todas as manhãs, quando chego, depois de pousar a carteira e de desfazer o desvio de chamadas para o meu telemóvel, a primeira coisa que faço é ir tratar do seu pequeno-almoço, que disponho em cima do aparelho de ar condicionado que tenho debaixo da janela. Bato palmas, chamo "Alípio! Alípio!" e instalo-me à secretária, a janela escancarada. E o Alípio aparece num ápice. Muitas vezes pára de comer e fica a olhar para mim, a cabecinha preta de lado, e depois desata a cantar numa alegria doida, suponho que à laia de agradecimento.



* Estreado na Broadway em 1960, Bye Bye Birdie recebeu em 1961 o Tony para melhor musical.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Parabéns com algum atraso

Os meus vizinhos Marley e Tosh fizeram três anos há uma semana — muito sensatamente, e já que não sabia a data exacta do nascimento das belezas, o dono resolveu considerar a data da adopção, 10 de Junho, como a dos seus anos. E foi nesse dia que tirei estas fotografias. Não esqueçamos que sou uma espécie de madrinha do Marley, como contei aqui.

Excepcionalmente, tiveram direito a uma latinha de pâté cada um.




quarta-feira, 8 de junho de 2011

Qualidade humana

Ao telefone com uma amiga com provas de amizade dadas, mesmo que nunca nos tenhamos visto. A amiga vai por seis meses para um país na outra ponta do mundo. Oferece-me espontânea e generosamente o seu carro (repito, nunca nos vimos) durante esses meses de ausência. Impossível não largar a rir, mesmo sensibilizadíssima. Mesmo falando ao telefone pelo menos duas vezes por semana, há sempre coisas mais importantes. Um carro não é, decididamente uma delas. Um carro, para mim, não passa de um meio de transporte. Uma coisa que me leva do local A ao local B, e não muito mais do que isso. 

Mas na cabeça da minha amiga tinha-se fixado esta imagem, já com dois anos. É a tal coisa, não ligo mesmo a carros, ou teria contado que comprei outro (e foi uma grande compra, um carro impecável com dez anos e trinta mil quilómetros, uma única dona, a mulher do Abel, que o usava basicamente para ir de vez em quando ao supermercado, até terem decidido em conjunto que era estúpido um casal ter três carros e que havia que despachar um.

Sorte minha, que fiquei com ele. Sorte ainda maior é ter uma amiga que não sabia disto e que me ofereceu o seu carro que ia ficar parado durante seis meses. Tal como, com tantas coisas tão feias a acontecerem ultimamente na blogosfera, é uma sorte enorme ter tantas pessoas de tanta e tamanha qualidade à minha volta. Sinto-me abençoada.

E isto vale para pessoas várias. Que espero que saibam que é delas que falo.

terça-feira, 24 de maio de 2011

O princípio

Em Setembro de 2002 decidi que estava na altura de encontrar uma companhia para Messy, que passava demasiadas horas sozinha. Cortava-me o coração quando, ao virar a esquina da rua para voltar a casa, a via à janela, um arzinho melancólico que fazia dó. Mal avistava o meu carro saltava imediatamente para o chão e corria para a porta, para me receber.

Telefonei para o veterinário, a perguntar se sabiam de ninhadas recentes para adopção. Nada. Telefonei para a União Zoófila. Idem. E depois fui à Arca de Noé, um fórum de amigos dos animais no qual já tinha feito dois bons amigos. Procurei os anúncios para adopção e deparei com esta beldade.


O click foi imediato. Ver e amar foram obra de um segundo, todo o coração me fugiu logo para ela. Telefonei imediatamente à pessoa que punha o anúncio e respirei de alívio por saber que ela ainda não tinha sido adoptada. Tinha-lhe aparecido no quintal, não percebia como, e não poderia conservá-la muito mais tempo, por causa dos cães.

O senhor morava na Av. da Igreja e combinámos encontrar-nos nessa mesma noite, depois do jantar, hora a que ele estaria livre. Calhava lindamente, já tinha combinado jantar com o Vítor, cuja casa era pertíssimo.

Foi assim que ele ma trouxe, nesta caixa de sapatos, este bebé minúsculo, um besnico adorável.
Percebi que a sua família de acolhimento temporário a tinha tratado muitíssimo bem, tanto que até lhe tinham feito várias fotografias, que me foram enviadas no dia seguinte.

Para terem ideia de quão pequenina era, basta contar-vos que passei o volante ao Vítor para poder ir com ela ao colo e ela, a trepar por mim acima e a enroscar-se-me no pescoço, acabou por enfiar a cabecinha numa das minhas argolas (que eram bastante grandes), em jeito de gargantilha.


Quem a viu e quem a vê! Hoje é esta gigantone.


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Agripina's chewing problem

Agri sempre teve, desde a mais tenra infância, uma tremenda e incompreensível compulsão para roer coisas. Continua assim ainda hoje, quase nove anos depois. Daí que eu sempre tenha dito que Agri has a chewing problem. Se estou a fazer-lhe festas é certo e sabido que em pouco tempo estará a tentar roer-me a mão (roer é diferente de morder, hem?). A única excepção é à noite, quando vem enroscar-se em mim na cama, para dormir. Aí desata a ronronar tão alto que mais parece o motor de um camião TIR.

Aqui fica uma eloquente sequência de imagens dela, minúscula, não devia ter mais de quatro meses.


Lá atrás, a inesquecível Messy, sempre maternal.
Agri está cabisbaixa, profundamente entediada. 


Ora vejamos... Que poderá Agri estragar?
Messy, como sempre, tem o seu ar digno, institucional, vitoriano.


Ahhhhhhh! Uma ideia! Let's roll!



E haverá coisa mais apetitosa para roer do que uma moldura de estanho? 
Sim, leram bem. De estanho.
Notem também a elegância de bailarina com que passou entre o candeeiro
 e as outras duas molduras sem derrubar nada.

Missão cumprida! Moldura derrotada e já por terra. Messy com ar reprovador.
E notem o ar de inocência ofendida de Agri. «Who, me? I didn'd do it!»


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Beleza pura

As magnólias floriram. As minhas árvores favoritas. Depois dos plátanos, claro.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A incomparável graça felina

Tosh, esta manhã

Marley e Tosh, ontem de manhã

Giuditta Pasta, à hora do almoço, derreada pelo calor

terça-feira, 26 de abril de 2011

Tonta mais tonta não há

Saio de casa às oito e meia, paro de fugida no café ao lado, apresso-me para o autocarro. Vem um a chegar, estou quase a subir quando dou uma palmada na testa: «Mas hoje é terça-feira! Só entras às 11 horas, minha estúpida!» Os feriados dão nisto, desorganizam-me mentalmente — ainda mais.

Encolhi risonhamente os ombros, comprei uma revista e instalei-me na esplanada em frente a saborear o belo sol matinal. Depois ainda voltei a casa para ir buscar a bolsinha das pinturas, de que me tinha esquecido. Foi quando encontrei os meus amigos Marley e Tosh, também eles deliciados ao sol. Não são um encanto?


sexta-feira, 8 de abril de 2011