Poder-se-ia pensar que pagamos mensalmente uma data de dinheiro para ter uma data de canais de televisão (dos quais devemos espreitar uns dez por cento) para ter um serviço em condições, não é verdade?
Não, não é. E aqui a culpa nem é dos serviços que nos facultam a televisão por cabo. A culpa é mesmo dos canais, que estão positivamente a borrifar-se para o espectador pagante, muito pagante, tanto faz que seja à Zon, à MEO ou a outro fornecedor qualquer.
Vejamos a SIC Mulher, por exemplo. Depois de ter feito arrastar durante não sei quanto tempo a segunda temporada de MasterChef Australia, repetindo incontáveis episódios até à exaustão, além de nos obrigar sempre a voltar a ver o segundo episódio do dia anterior, repete agora... MasterChef Australia. E que temporada? A terceira (que por acaso já vi toda na internet)? Isso é que era bom! Não, repete a segunda. Temos para uns largos meses. Da mesma maneira, com tanta temporada que o raio do programa teve, e tendo ainda há muito pouco tempo passado a 13.ª ou 14.ª de America's Next Top Model, brinda-nos agora justamente com a mesmíssima temporada e as mesmas carinhas larocas, umas mais larocas do que outras. Deve haver mais casos, mas hoje em dia as poucas coisas que me fazem não mudar de canal quando por lá passo são o show de Ellen DeGeneres e o óptimo programa de entrevistas de Adelaide de Sousa. Se calho a apanhar o Dr. Oz, fujo em grande velocidade, aquilo deprime-me e, não sendo hipocondríaca, fico sempre a achar que tenho imensas doenças, todas as que lá são referidas. Se é aquela pequena que grita imenso, a Ana Rita Clara, os meus ouvidos melindrados também dão às de vila-diogo. Idem para o Querido Mudei a Casa, calham-me sempre repetições. E o Dr. Phil, esse grande querido, passa a horas impróprias, género cinco da madrugada — sei porque esta noite acordei e lá estava ele a enxovalhar um casal.
E depois há o Biography, o inefável Biography. Não são só as asneiras de pronúncia, não são só as asneiras de português, não são só os anúncios espanhóis (mas por que raio havemos nós de ver anúncios espanhóis que nos aliciam a comprar produtos que nem sequer se vendem cá?!). O Biography deu ultimamente em fazer uma coisa que acho francamente abusiva: não dobra programas nem os legenda. Passa-os em inglês, cá vai disto, quem não perceber paciência. É o caso do reality show de Gene Simmons (que até me diverte, acho-o pessoa muito inteligente, pelo que já li sobre ele). É o caso de Raw Nerve, o programa de entrevistas de William Shatner. Aqui a coisa ainda é mais estapafúrdia, porque passam sempre dois episódios seguidos. Um não tem legendas, quem não souber inglês que se arranje, estudasse! O seguinte é dobrado. Claro que, com a minha sorte, quando o entrevistado foi Gene Simmons teve de me calhar um dos dobrados.
Ora acontece que a esmagadora maioria dos espectadores, espectadores que pagam mensalmente o acesso àquele canal, não tem inglês suficiente para acompanhar um programa não legendado. Isto para para não mencionar sequer quem nem inglês fala, mas tem o mais legítimo dos direitos a usufruir de um serviço pelo qual paga e que não lhe é fornecido em condições.
Sintam-se à vontade para reproduzir e divulgar o texto nos vossos blogues. Nunca seremos demasiados.
«Sim. Ando de elevador
muitas vezes. Às vezes inclino a cabeça, admito. Muitas vezes uso os braços de
modo que ache confortável. Estas coisas acontecem quando começo a pensar em
coisas, ou observo o mundo ao meu redor. Creio que algo bastante comum em qualquer
pessoa que trabalhe e passe a vida a criar mundos imaginários para cinema.
Nasci bom observador, admito que não por escolha, e tive a sorte de encontrar
maneira de ajudar a criar emoções e memórias através de imagens em movimento.
Elevadores. Passagens
tão temporárias e interessantes. Elevadores sempre me fascinaram, por criarem
um espaço forçado de observação. Tão pequeno, mas cheio de detalhes. Quem veste
o quê, quem olha para onde, quem tosse quando.
Imagino ser aquele
rapaz. Podia perfeitamente ser eu. Aliás, fui eu há uns meses. Em Setembro.
Estive em Portugal e trouxe o meu namorado para ele conhecer a minha família,
que tanto me adora e respeita, e também para conhecer o país onde cresci, as
ruas onde andei e os edifícios que me rodeavam em criança. Sou gay e sempre fui. Nunca tive dúvidas e
nunca foi uma escolha. Ninguém escolheria alguma vez ser gay, porque muito provavelmente isso traria uma vida de desafios
como ter de educar uma pessoa como José António Saraiva. E já agora, caso isto
seja novidade, também ninguém escolhe ser heterossexual.
Ir a Portugal com o meu
namorado foi um passeio de redescoberta de um país que sempre me trouxe muitas
memórias. Desde memórias péssimas de ser violentamente gozado na escola, a nível
físico e psicológico, por ser gay.
Desde memórias óptimas a criar um grupo de amigos que nunca me trataram de
maneira diferente quando eu inclino a cabeça, ou mexo os braços, ou pouso os
pés no chão.
Tive a sorte de ter uma
família acolhedora, mas conheço muitos casos em que tal não acontece. Se há
coisa que aprendi foi a não julgar os outros. Acho que não há nada mais
precioso na vida do que aprender com a individualidade de cada um. Talvez seja
por isso que tenha conseguido ser tão bem sucedido tanto em Hollywood como em
Silicon Valley.
E, apesar de ser gay, ajudei a criar imagens que marcaram
o mundo. Imagens que inspiraram adultos e crianças a acreditarem num mundo
melhor. Um mundo em que dois robots
se podem apaixonar, ou dois escuteiros se podem conhecer em crianças e viver
juntos a vida inteira, ou um mundo em que um astronauta encontre um melhor
amigo num simples cowboy. Sem falar
de um rato que pode cozinhar... Estes não existem na verdade, mas transmitem um
ideal de um mundo em que eu acredito ser possível viver. Em que cada pessoa é
como é, e em que cada um de nós tem a oportunidade de trazer algo mágico às
pessoas que se cruzam na nossa vida.
Não sei em que mundo o
José António Saraiva vive, mas pela maneira como publicamente julga os outros
deve ser um espaço bastante triste. Tenho pena de não ter estado naquele
elevador, naquele momento. Pelo menos, poderia ter olhado para ele, sorrido e,
quem sabe, mostrar que o Portugal de agora é um país muito mais acolhedor do
que alguma vez foi. Um país em que posso trazer o meu namorado e criar memórias
novas para o resto da nossa vida. Um país em que nos podemos casar como
qualquer outra pessoa.
Aqui na Califórnia,
sinto-me em casa. Sinto-me em casa porque sei que posso andar de elevador, e
muito provavelmente vou conhecer alguém que se calhar com apenas vinte anos
criou uma empresa que está a mudar o mundo. Ou alguém que se calhar inclina a
cabeça de certa maneira, e me faz sorrir por saber que pertenço a um mundo em
que podemos ser verdadeiros, genuínos e nós próprios.
E entretanto vou criando
outros mundos imaginários. Que muito provavelmente irão fazer sorrir os filhos,
netos ou bisnetos do José António Saraiva.»
Acabo de ouvir uma das afirmações que mais me chocaram em toda a minha vida. Estava eu muito cumpridora a tratar da declaração do IRS, a televisão ligada na TLC, quando começa aquela coisa inenarrável dos concursos de beleza infantis, Toddlers & Tiaras.
O pior é que não se consegue deixar de olhar. E fui mesmo a tempo de ver e ouvir uma mãe contar o seu enorme desapontamento aquando da primeira gravidez, ao saber que era um rapaz. «I was pretty upset. In fact, I had the children so we could do the pageants.»
Nojo absoluto. Desliguei a televisão e pus Mozart. Mas não mudo a banda sonora. Este Teach Your Children parece-me estranhamente adequado.
Não podia interessar-me menos que esta mulher, Anna Wintour, grã-sacerdotisa da moda internacional, seja um epítome do chique. A única coisa que me agrada nela é mesmo a fidelidade ao penteado, imutável em décadas, já que a personalidade (dizem) também não é das mais amenas. O que me põe doente é a sua obstinação quanto ao uso de peles. Aqui está, julgo, com gola e punhos de lince. Chique, incrivelmente chique, não é?
Fico sempre dividida entre um riso de escárnio ou um encolher de ombros de comiseração de cada vez que oiço um certo separador do Biography Channel a anunciar um dos seus programas. Com voz segura, a locutora diz-nos que Project Runway é «apresentado por Aide Klum.» Suponho que também diga mine, e táxe, e Aude, e Snoope. Mas onde irão buscar estas araras?
A Miss Glitering divulgou no seu blogue, com a melhor das intenções, esta campanha solidária do Banco Santander Totta a favor da Liga Portuguesa contra o Cancro a decorrer no Facebook. Apressei-me a ir lá dar o meu contributo, que consistia meramente em pôr um like na página do banco. Missão cumprida, os meus olhos desceram um pouco na página, querendo saber exactamente em que consistia aquilo. E fiquei estarrecida, cada like na página do banco reverte num generoso donativo de dez cêntimos a favor da LPC! Que extravagância! Que prodigalidade!
As contas fazem-se num instante. Dez mil likes, mil euros de donativo, vinte mil correspondem a dois mil euros. Imeeeeeenso dinheiro para um banco, sabendo nós que tais verbas são passíveis de dedução fiscal e que, de caminho, de cada vez que abrirmos o Facebook, seremos bombardeados com publicidade que não lhes custa um tostão, apenas por causa daquele nosso incauto e bem intencionado like.
Fiz marcha atrás, apressei-me a carregar no unlike, vão para o raio que os parta, não pactuo com filantropias destas.
E isto lembrou-me de duas coisas. A primeira foi uma canção de José Barata-Moura, nos revolucionários anos 70 (encontram-na no YouTube), que começava assim:
«Vamos brincar à caridadezinha,
Festa, canasta e boa comidinha.»
A segunda foi um cartoon do genial Quino, em que a impagável Susaninha, com os olhos a luzirem de gula e a lamber os beiços, diz à Mafalda que quando forem crescidas e forem senhoras da sociedade hão-de organizar muitos chás de caridade e banquetes com peru, lagosta e leitão, rematando logo de seguida, com expressão enojada: «para comprar feijão, arroz, massa, farinha e essas porcarias que comem os pobres».
«Carlos, rindo, arrastou-o pelo corredor. E de repente, ao entrarem na antecâmara, deram com Afonso falando a uma mulher carregada de luto, que lhe beijava a mão, meio de joelhos, sufocada de lágrimas: e ao lado outra mulher, com os olhos turvos de água também, embalava dentro do xale uma criancinha que parecia doente e gemia. Carlos parara embaraçado; o marquês instintivamente levou a mão à algibeira. Mas o velho, assim surpreendido na sua caridade, foi logo empurrando as duas mulheres para a escada: elas desciam, encolhidas, abençoando-o, num murmúrio de soluços; e ele, voltando-se para Carlos, quase se desculpou numa voz que ainda tremia:
— Sempre estes peditórios... Caso bem triste todavia... E o que é pior, é que por mais que se dê nunca se dá bastante. Mundo muito mal feito, marquês.
— Mundo muito mal feito, sr. Afonso da Maia — respondeu o marquês comovido.»
Eça de Queiroz, Os Maias
Ainda estou para saber por que raio compro todas as semanas a ¡Hola! desde os 16 ou 17 anos, se só a folheio, vejo os bonecos e, regra geral, me limito a ler os títulos. Ontem tropecei numa reportagem que irresistivelmente me trouxe à memória esta passagem de Os Maias. A dita reportagem mostrava-nos as duas manas Ecclestone em todo o esplendor da sua riqueza e acompanhadas dos correspondentes sinais exteriores. Tudo excessivo, tirando aquilo que o dinheiro não compra — bom gosto e bom ar. Está bem que o pai, patrão da Fórmula 1, é de origens muito humildes (fiquei a saber, dei-me ao trabalho de ler), filho de pescador, houve certamente muito mérito e muito trabalho em tamanha ascensão. Mas não deixa de ser revoltante transformar os números vertiginosos que a revista nos revela em milhões de refeições ou em cuidados de saúde. Não deixa de ser revoltante comparar estas duas inúteis com alguém como a Maria, que toda a vida se esfalfou a trabalhar e que presentemente vive uma odisseia num país carenciado de tudo como é Timor.
Demos então uma olhadela a algumas das imagens das manas Ecclestone com que a ¡Hola! nos presenteia (e palavra que amaldiçoo o tempo que desperdicei a digitalizá-las, não estão na página da revista, não tive outro remédio).
A mana morena, Tamara, ao volante do seu Ferrari. Não podemos negar que é bonita, mas o ar está muitíssimo mais para o extinto Café Photo de S. Paulo (os homens devem saber o que era) do que para Mayfair ou Belgravia. Há mesmo coisas que o dinheiro não pode comprar.
A mana morena no seu quarto da sua mansão de Londres. Menção para a decoração intimista e acolhedora, sem mais comentários. Vejam também a panorâmica da sala de cinema, na imagem inferior. Lord, take me now!
A mana morena num modesto cantinho do seu gigantesco closet (fiquei a saber que, só de Louboutins, tem a frioleira de 14 armários), junto de algumas das suas malas. De notar o papel de parede do interior, em padrão monogramado Vuitton, sendo apenas que as letras LV foram substituídas pelas suas iniciais, TE. E continua com ar de Café Photo, nada a fazer.
Reparem nas duas imagens de baixo. A ¡Hola! informa-nos amavelmente de que Tamara tem 17 Birkins. Mas é impossível não ver também as carteiras Chanel na prateleira inferior (tentei contá-las, mas perdi a paciência). Quantas crianças poderia esta única esquina de armário alimentar, vestir e manter na escola durante um ano inteiro? Umas largas centenas, se fosse em África.
A mana loira (?), Petra, com o marido muito recente (tenho uma vaga ideia de ter visto há duas ou três semanas a reportagem na ¡Hola!, mas é a tal coisa, nem dei atenção, fiquei agora a saber que casaram no mesmo castelo de Roma que foi cenário do casamento de Tom Cruise e Katie Holmes). O novel casal na acolhedora sala (nada como o preto para dar essa sensação de aconchego) da sua mansão de Belgravia.
A mana loira (?) à secretária do seu escritório na mansão de Belgravia, ecologicamente forrada de pele de crocodilo (estou capaz de lhe encher aquelas trombas de estalos). Folgo em verificar que o ar Café Photo runs in the family.
A singela moradia do casal em Los Angeles (só para o Outono, esclarece a ¡Hola!), em tempos propriedade de Aaron Spelling. Custou 120 milhões de dólares, 104 milhões de euros, mais coisa, menos coisa, sendo que o menos coisa poderia provavelmente equivaler a um belíssimo apartamento no Príncipe Real. Foi presente da mãe, croata, que arrebanhou a modesta quantia de 815 milhões de euros ao octogenário ex-marido no acordo de divórcio de há dois anos. Estas eslavas devem ter talentos inimagináveis.
Pois. O marido recente da loira (?) deu-lhe este presente de anos, apenas de valor sentimental, que esta gente não liga a dinheiro. Deve ser para quando ela tiver o capricho de guiar da mansão para ir às compras em Rodeo Drive, que andar de limo a toda a hora também enjoa.
Lembrei-me também de versos de Alberto Caeiro por causa de todo este meu ataque de maledicência, que não o é. A coisa cifra-se mais em desprezo. Não, não tenho fome da sobremesa alheia. Entristece-me é que este mundo esteja tão mal feito.
«Ontem o pregador de verdades dele
Falou outra vez comigo.
Falou do sofrimento das classes que trabalham
(Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre).
Falou da injustiça de uns terem dinheiro,
E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer.
Ou se é só fome da sobremesa alheia.
Falou de tudo quanto pudesse fazê-lo zangar-se.»
Ontem à noite, quase a desligar o computador, começou no canal História um óptimo documentário sobre René Magritte.
Uma da manhã, não eram horas para telefonemas, mesmo que o alvo até possa ter hábitos noctívagos. Mas apressei-me a enviar um e-mail à Ana Vidal, sabedora da paixão que tem pela obra do pintor (e que é partilhada), avisando-a do horário das repetições.
Corri para a cama, para ver o documentário com todo o conforto, Drusilla a meu lado na almofada, Agripina encostada à minha barriga. E, mais uma vez, fiquei furibunda com a falta de qualidade do trabalho transposto para português. Legendas, senhores, legendas! Deixem de dobrar as coisas! Só do nome do pintor apanhei três pronúncias diferentes, variando consoante a pessoa que fazia a narração: Magritte (a correcta, o "e" final bem nítido), Magrit e (pasmem!) Magri.
Vi no fim que a produção era de uma empresa chamada Pátio das Cantigas, que assina infindáveis outras vergonhas.
Simpatizo muito com a miúda, mesmo embirrando-lhe com a vozinha fina já um tanto a resvalar para o estridente. Pela voz, evidentemente, não lhe assiste qualquer culpa. Conheci-a no 6Teen, programa da SIC Mulher de há uns anos, e sempre gostei da parceria que fazia com a co-apresentadora, Joana Dias, menina de penteados um pouco excêntricos, única nota de rebeldia num discurso calmo e de grande bom senso. Funcionavam muito bem em conjunto e eu via o programa sempre que podia.
Há pouco sentei-me ao computador, liguei a televisão, estavam a passar uma reportagem sobre a ModaLisboa. A primeira coisa que vi foi Raquel Strada a entrevistar o estilista Pedro Pedro. A primeira pergunta que lhe ouvi, «Então e presenteasteS-nos com quê, desta vez?», fez-me mudar de canal a toda a pressa.
The King of Queens, em Portugal Ele, Ela e o Pai.
Insuportável.
According to Jim, ou O Mundo de Jim.
Ainda esta tarde passou na Fox, daí ter-me lembrado das outras.
Não consegue arrancar-me nem um sorriso. Fico apenas irritada.
Hope & Faith, não me lembro do título português, passou na SIC Mulher há uns quatro anos.
Pior do que as duas anteriores somadas. Punha-me a ranger os dentes de irritação.
Duas irmãs, Hope (Faith Ford, estão a ver o trocadilho parvo?, a minha querida Corky de Murphy Brown) e Faith (Kelly Ripa, neste momento senhora poderosíssima na televisão; a personagem dava-me vontade de atirar com uma panela de água ao ecrã).
E pensar que as três (!) temporadas que este esterco durou estão editadas em DVD, enquanto de Murphy Brown saiu apenas a primeira, e já há cinco anos!
Há coisas que têm o condão de me irritar profundamente. Poucas me irritam tanto como solidariedades que não passam da garganta. Ou do teclado, o que vai dar no mesmo.
Tanto eu como o Abel queremos impulsionar o projecto da Maria. Para tal, mais uma gotinha de água no oceano, oferecemos duas t-shirts para serem leiloadas (estas). A Maria, por sua vez, anunciou-as no seu (e nosso) Take Us to Bruges (aqui). Tanto eu como o Abel divulgámos igualmente nas nossas páginas do Facebook.
E é então que o meu mau feitio, que tem raras mas contundentes aparições (mea culpa), pode vir à tona. Uma menina põe o polegar para cima a dizer que gosta. Uma outra, mais assertiva, perante o apelo «Vamos ser solidários?», brada um entusiástico «Vamos!!!!!!!!!!!», seguido de (contei-os) ONZE pontos de exclamação. Dir-se-ia, à vista desarmada, que ambas teriam ido a correr licitar as belas t-shirts, como prova da sua solidariedade, nem que fosse com € 11,50 (a base de licitação são onze euros). Pois, para minha grande surpresa, nenhuma destas filantropas do teclado fez qualquer oferta, quer no Beatles Forever! quer no Take Us to Bruges.
Todos nós, aqueles que andamos na blogosfera há uns anos, conhecemos o chorrilho de comentários que pode seguir-se a um post a relatar um drama pessoal. Muita palmadinha nas costas, muito «Amiga(o), estou contigo», «Amiga(o), conta comigo para o que precisares» — isto, na maior parte das vezes, para pessoas que nunca conhecemos mais gordas e não passam para nós de uma página que se visita.
Ou não. Porque há realmente empatias que se criam, inexplicáveis mas muito reais. Foi assim que, no Natal de 2007, o Eskisito enviou uma mensagem aos bloggers com quem mais se dava, a sugerir que nos juntássemos para tentar oferecer um Natal mais alegre a uma de nós, recentemente no desemprego, marido também desempregado, e com duas crianças pequenas. Note-se que, na época, tanto o Eskisito como a sua Maria tinham uma vida financeira muito difícil, o que não os impediu de pensar em quem, momentaneamente, tinha ainda menos do que eles. Toda a gente colaborou. O Alf (saudades daquele blogue) foi logo o primeiro, com um muito generoso contributo, o triplo do que quase toda a gente deu, especificando que era para «brinquedos para os miúdos». No meio desta onda de solidariedade, uma única voz discordante, de uma dessas pessoas que eram normalmente todas palmadinhas nas costas e protestos de «estou contigo!»: não concordava nada, era o que faltava, vir agora com apelos, ela também tinha problemas de dinheiro e não os expunha, patati-patatá e a serpentina. É que a solidariedade pode ser uma coisa muito bonita e que fica muito bem, mas quando nos apelam à carteira a coisa muda de figura. Conclusão da história? Entre todos, conseguimos oferecer um mega cabaz de Natal, cheio de mercearias e bens essenciais mas em que também houve espaço para petiscos mais refinados e brinquedos para as crianças. O Eskisito e a Maria, os organizadores, juntaram um cartão com os nomes de todos os que tinham contribuído. Mantiveram a lista dos contactados, incluíram o nome da única voz dissonante, da única pessoa que não tinha colaborado com um cêntimo. Uns dias mais tarde, a obsequiada fez um agradecimento público e muito emotivo no blogue, em que se dirigia pessoalmente, um a um, a todos os nomes da lista. A tal blogger ficou muda e calada, nada de «olha que estás enganada, eu não participei nisso.»
Seja como for, o alvo do nosso movimento de solidariedade está hoje muito bem e até já teve um terceiro filho. Da outra nunca mais ouvi falar e não poderia interessar-me menos.
Já era tempo. Fiz uma senhora limpeza no Google Reader, eliminei implacavelmente blogues que nem sei por que raio em algum momento adicionei. Estou saturada de consumismo, de whislists para o Natal — sim, as leituras andam atrasadas —, de vesti isto, vou vestir aquilo (acompanhado de fotografias caçadas na Net, o que me faz logo ligar o desconfiómetro), quero estas botas, quero esta carteira... Quero, quero, quero. Coisas, coisas, coisas. Materialismo a perder de vista.
Recebi presentes encantadores este Natal. Nada de muito caro, tudo pensado com carinho. Dei presentes encantadores. O mais caro que devo ter dado foi para a Madalena, mas confessei-lhe com toda a franqueza que me tinha sido oferecido no Natal passado, seis xícaras de café da Vista Alegre, ainda estava no embrulho original. Ela candidatou-se de imediato a receber nos anos, daqui a dois meses, as outras seis iguais que sabe que também tenho (vou pensar no teu caso). O presente mais caro que devo ter recebido foi também, curiosamente, da Madalena: um jarro da Marinha Grande que nos encantou às duas de uma vez que estávamos a fazer horas para ir jantar ao Café de S. Bento. Tal como nos encantou um blusão de cabedal imoral de giro e imoral de caro, numa boutique umas portas acima. Ainda propus que o comprássemos a treias, ela, eu e a Pituxa, que ia jantar connosco, e o usássemos por turnos, infelizmente não chegámos a acordo.Eu tinha esquecido completamente o jarro, a Madalena não. E ofereceu-mo. É esta delicadeza que torna um presente especial, qualquer que seja o seu valor. Devo dizer que um dos presentes mais preciosos que recebi até hoje deve ter custado, na época, coisa de duzentos escudos (um euro), talvez um pouco mais, com a gravação. Mas a gravação fazia toda a diferença.
Quando, a somar-se ao materialismo desenfreado, ainda tropeço em asneiras de Português de levar as mãos à cabeça ao mesmo tempo que se põe os olhos em alvo, só há mesmo uma coisa a fazer: tecla delete. Sempre fico menos isaurida (juro que li esta há tempos).
Rendo-me à evidência de que há mesmo muitas e poderosas razões para eu ver tão pouca televisão e o aparelhozinho ter quase exclusivamente a função de me transmitir notícias e de projectar filmes e séries que vou comprando.
Estava (e estou) no escritório — o de casa, claro, que hoje é sábado —, liguei a televisão, percorri dois ou três canais, acabei por estacionar na SIC Mulher, que estava a dar uma coisa perdida de ridícula chamada Querido, Mudei o Visual, onde aparecia uma menina que (diziam os amigos, ela, modestamente nem achava assim tanto) era a cara chapada da Angelina Jolie. Oh, poupem-me! Então não está mesmo a ver-se? Fui dando olhadelas, num misto de horror e fascínio por tanta parvoeira junta. O loiro afectado e cheio de maneirismos, com quem há dias me lembro de me ter cruzado na Marias, fez-me gargalhar. A apresentadora, que não sei como se chama, não falava alto: berrava. Ora eu tenho um certo trauma com pessoas que falam alto, é mais forte do que eu. Baixei o som, debalde (eh eh!) — ela continuava a esganiçar-se.
Desviei a atenção, aquilo acabou, começou o America's Next Top Model, que me parece repetir um formato que nos últimos tempos, por espreitadelas aqui e ali, me parece perpetuar-se até ao vómito, só variando o tema: cabeleireiros, modistas, manequins, mulheres mais velhas (tropecei nesse ontem à noite), you name it, they have it. Até a própria Oprah Winfrey parece ter aderido à moda, com um programa chamado The Big Give. Esse, valha-lhe Deus, sempre serve para ajudar alguém, já é alguma coisa.
A seguir começa a dar um coiso chamado Fama Show, que eu nunca tinha visto e que de futuro tentarei evitar a todo o custo. Do pouco que vi, pareceu-me que era apresentado por uma menina de pronúncia estrangeira, tendo ficado com fortes suspeitas de que poderia ser a tal Orsi Feher (espero que se escreva assim, não vou verificar) que li algures estar de namoro com o ex-treinador do Benfica. Nem imaginam o que me irrita que a minha memória seja capaz de reter coisas absolutamente inúteis e imbecis como esta. Too much stupid information.
O programa continua, abstraio-me, e acordo de repente quando estão a mostrar um spa qualquer em que (pareceu-me) cantavam as maravilhas de uma massagem com papaia e o massagista (se era) afirmava com autoridade que Cristóvão Colombo (pasmem!) dizia ser um dos frutos com mais nutrientes. Fiquei fulminada com a luz súbita que esta informação me trouxe, permitindo-me avaliar o navegador com um novo e deslumbrado olhar: Cristóvão Colombo, o grande nutricionista! Too much stupid information.
Volto a alhear-me, volto a despertar ao ouvir pronunciar esse nome reverenciado na Literatura, Margarida Rebelo Pinto. Fico a saber que tinha publicado novo livro, parece que se chama O Dia em que te Esqueci. Tenham dó de mim. Too much stupid information.
Já desesperada, desliguei a televisão. Fama Show? NUNCA MAIS.
Banda Sonora: Bruce Springsteen — Janey Don't You Lose Heart
Ontem à noite precisei de enviar ficheiros muito pesados (um deles tinha 180 MB) e recorri ao prestável mailbigfile.com. Claro que, na versão grátis (até 200 MB), temos de levar com anúncios. Os ficheiros eram vários, e a cada envio aparecia-me este revoltante anúncio:
Mais tarde, acabados os envios, fui ao imdb fazer algumas pesquisas. Quando procurei informação sobre Claude Bolling, deparei novamente com o anúncio:
Estes senhores da tal blinko.pt são uns espertalhões. Sabem que têm mercado assegurado para este serviço desprezível (só me pergunto se funciona mesmo, ou se é só para atrair papalvos). O mais deprimente de tudo é saber que muita gentinha, ao topar com o anúncio, vai subscrevê-lo com o maior entusiasmo. Abstenho-me de dizer o que acho de tal coisa.
Sabem da minha paixão por ursos, dos momentos de puro êxtase que vivi em Yellowstone há apenas cinco meses, contei aqui. Eu e o Vítor já DECIDIMOS: iremos lá também no Inverno, em breve. Queremos conhecê-lo rude, duro, sim, mas imaculado, momentaneamente a salvo da destruidora presença humana.
Dentro de menos de cinquenta anos, a assombrosa beleza destas imagens poderá ser apenas uma memória passada.
Estes dois impressionantes vídeos da CNN, que não consigo pôr aqui, qualquer coisa está errada, podem ser vistos nos links que deixo, que, esses sim, funcionam: Polar Bears Starving in Arctic e Polar Bears' Shrinking Habitat. Vejam, por favor!
Graças a Deus, graças à sensatez que prevaleceu, Sarah Palin não será vice-presidente dos Estados Unidos. Bem sei que é um cargo quase irrelevante, de quantos vice-presidentes americanos nos lembramos mesmo? Mas a odiosa Sarah Palin, naquele fabuloso telefonema forjado que continua a fazer as minhas delícias, quando o suposto Sarkozy, a puxar por ela, lhe disse ver nela uma futura presidente, no meio de risinhos de adolescente nervosita, admitiu, cretina e nada disfarçadamente ambiciosa, um «maybe in eight years...» Dream on, asshole! Se o mundo tiver juízo, ficarás para todo o sempre politicamente proscrita. Caçar é tão giro, não é? Até te opuseste, minha grande fdp (há alturas em que uma senhora, e eu assim me considero, tem a legitimidade e até o dever de soltar o seu palavrão), a que os ursos polares fossem declarados espécie ameaçada. Votaste contra, minha grande filha-da-puta, agora com todas as letrinhas bem explícitas, sem querer denegrir a reputação da tua progenitora, que mais valia tivesse tido um mau sucesso. Do que o mundo se livrou, quando os Americanos escolheram Obama!
A música de fundo, Canadian Road Trilogy, é do meu amado Gordon Lightfoot. Achei-a adequada. Começa por evocar os tempos antigos, a pureza inicial da Natureza intocada. Fala depois da chegada do homem branco, a grande maldição. Os meus olhos vêem desfilar uma sucessão interminável e inebriante de paisagens inesquecíveis, as Montanhas Rochosas em toda a sua esmagadora beleza...
Canadian Road Trilogy
There was a time in this fair land when the railroad did not run
When the wild majestic mountains stood alone against the sun
Long before the white man and long before the wheel
When the green dark forest was too silent to be real
But time has no beginnings and history has no bounds
As to this verdant country they came from all around
They sailed upon her waterways and they walked the forests tall
And they built the mines the mills and the factories for the good of us all
And when the young mans fancy was turnin to the spring
The railroad men grew restless for to hear the hammers ring
Their minds were overflowing with the visions of their day
And many a fortune lost and won and many a debt to pay
For they looked in the future and what did they see
They saw an iron road runnin from sea to the sea
Bringin the goods to a young growin land
All up through the seaports and into their hands
Look away said they across this mighty land
From the eastern shore to the western strand
Bring in the workers and bring up the rails
We gotta lay down the tracks and tear up the trails
Open er heart let the life blood flow
Gotta get on our way cause were movin too slow
Bring in the workers and bring up the rails
Were gonna lay down the tracks and tear up the trails
Open er heart let the life blood flow
Gotta get on our way cause were movin too slow
Get on our way cause were movin too slow
Behind the blue rockies the sun is declinin
The stars, they come stealin at the close of the day
Across the wide prairie our loved ones lie sleeping
Beyond the dark oceans in a place far away
We are the navvies who work upon the railway
Swingin our hammers in the bright blazin sun
Livin on stew and drinkin bad whiskey
Bendin our old backs til the long days are done
We are the navvies who work upon the railway
Swingin our hammers in the bright blazin sun
Layin down track and buildin the bridges
Bendin our old backs til the railroad is done
So over the mountains and over the plains
Into the muskeg and into the rain
Up the St. lawrence all the way to gaspe
Swingin our hammers and drawin our pay
Drivin em in and tyin em down
Away to the bunkhouse and into the town
A dollar a day and a place for my head
A drink to the livin and a toast to the dead
Oh the song of the future has been sung
All the battles have been won
Over the mountain tops we stand
All the world at our command
We have opened up the soil
With our teardrops and our toil
For there was a time in this fair land when the railroad did not run
When the wild majestic mountains stood alone against the sun
Long before the white man and long before the wheel
When the green dark forest was too silent to be real
When the green dark forest was too silent to be real
And many are the dead men too silent to be real
Sendo apaixonada por História e por biografias, é evidente que gosto imenso do vosso canal. Quando, numa viagem aos Estados Unidos, descobri que aquilo que aos meus olhos era apenas uma rubrica do canal História era verdadeiramente um canal de televisão especializado, fiquei extasiada, e a desejar que ele estivesse disponível em Portugal.
Está há mais três anos, para minha — e certamente de muito mais gente — grande alegria. Parabéns.
Infelizmente, não há bela sem senão. Gostaria que vissem esta minha crítica como construtiva e bem intencionada.
As duas enormes (este enormes deveria estar em maiúsculas, e bem separadas, letra a letra, para melhor vincar a minha indignação) queixas que gostaria de vos apresentar estão interligadas, como adiante perceberão:
1. Legendas vs Dobragem
Os vossos documentários deveriam — na minha humilde opinião — ser legendados, ao invés de dobrados. Se nós Portugueses ainda vamos tendo algum jeito para línguas, ao contrário dos nossos vizinhos Espanhóis (não vou aprofundar o que lhes diz respeito nesta matéria, para não correr o risco de parecer maldosa), acredito sinceramente que isso se deve em parte à boa e antiga metodologia das legendas. Não me ficará lá muito bem dizer isto, mas se o meu inglês e o meu francês são verdadeiramente bons é porque, entre outras coisas, cresci a ver programas legendados. Enquanto se ouve também se aprende. Sendo o vosso um canal indiscutivelmente de cariz cultural, esta reclamação parece-me altamente válida e merecedora de consideração.
Bem sei que as dobragens são encomendadas. A empresas várias.Páteo das Cantigas, Artes e Letras, Pim Pam Pum, Santa Claus, etc. Graças a Deus, só raramente encontro no vosso canal coisas assinadas pela patética Ediberto Lima Produções. Como tal, a culpa não vos assiste na totalidade. Mas põe-se uma questão pertinente: alguém avalia a qualidade do produto final que será visto pelos assinantes da Tvcabo? É que chega a ser revoltante.
Deixem-me dar-vos um exemplo: um documentário sobre Carrie Fisher. que passou recentemente. Parece-me mais coerente que as intervenções da própria sejam legendadas — é ela a falar, ouçamos-lhe a voz! Sou suficientemente flexível para admitir que os depoimentos dos diferentes intervenientes até possam ser dobrados. Mas, por amor de Deus, já não sei qual foi a empresa encarregada do trabalho, a senhora que faz a voz de mãe da actriz/escritora (Debbie Reynolds, morreu há três anos) deve ter arranjado o tacho por meios pouco ortodoxos, ou talvez durma com o patrão, aquela vozinha mimalha e aflautada é intolerável. De fazer ranger os dentes. De dar uma vontade súbita e incontrolável de emigrar para uma galáxia distante, o mais distante possível.
Também recentemente, passou um magnífico documentário/entrevista em duas partes sobre Lauren Bacall, senhora de voz gloriosa, autêntico mel para os ouvidos. Dobrado. Inadmissível, lamento lamentar. E que dizer do fabuloso programa de entrevistas conduzido por James Lipton, Inside the Actors Studio? Dobrado. Dobrada a voz magnífica do entrevistador, dobradas as vozes magníficas dos entrevistados, sejam eles Morgan Freeman, Al Pacino ou — aqui é mesmo crime punível com morte especialmente violenta — Jeremy Irons.
Os exemplos são infindáveis, peço apenas que considerem a questão. Até porque julgo que vos será mais barato apresentar um documentário legendado do que um documentário dobrado.
2. O Português. A pronúncia de nomes/palavras estrangeiros
Caros senhores, é que não se aguenta!!! Já sei que a culpa não é vossa, mas volto a perguntar: ninguém vai investigar a qualidade dos trabalhos que vos entregam?
Há dias vi um segmento sobre a tenista Anna Kournikova. A locutora de serviço dizia com admirável convicção que «os fãs OCORREM para a ver». Mais adiante, confirmamos que a dita locutora é uma cretina de elevado calibre e de escolaridade discutível, porque repete com igual convicção que «os fãs OCORRERAM». Suponho que será desnecessário informar-vos de que as formas verbais seriam ACORREM e ACORRERAM — sinónimos de correr para, enquanto o verbo ocorrer é sinónimo de ACONTECER. E que dizer de pérolas como «os faróis do carro encadearam» (encandearam!), ou «a passagem de modelos teve lugar numa cave de tecto abobado»?... Por mais desinteressante que o dito tecto pudesse ser, acho mesquinho adjectivá-lo à brasileira como apatetado. Quereria a sumidade que fez a locução dizer abobadado? Just a wild guess...
E a calamitosa pronúncia de nomes estrangeiros? Nem as iniciais sabem pronunciar? Perdi a conta às vezes que ouvi GFK por JFK. Outra palavra que os locutores parecem ter clara dificuldade em articular é awards (prémios), sai-lhes sempre um howards, vá-se lá saber porquê, só que sem o «h» aspirado...
Caso precisem de ajuda, ou as empresas a quem entregam estes trabalhos — que claramente precisam desesperadamente dela — estejam intereressadas, na qualidade de revisora experimentada e com provas dadas, ofereço os meus préstimos.
Com os melhores cumprimentos,
Teresa
Dois meros exemplos de Inside the Actors Studio como deveríamos vê-lo em Portugal. Al Pacino (meninas, corram, a entrevista, em onze partes, está toda no Youtube).
Jeremy Irons. Também está toda no Youtube. Com legendas em italiano. E nós tão raladas! Só o prazer de ouvir aquela voz orgásmica!
(click to listen) (à falta do maravilhoso tema que compôs para Inside The Actors Studio, a pedido expresso de James Lipton, aqui fica este, igualmente dele)
Há meses gargalhei a ver uma ilustre figura da blogosfera a insurgir-se e a corrigir... mal. Corrigiu, cheia de petulância, para ter a ver com. Que continua errado. Discretamente, avisei-a por mail. A menina ignorou, continua a alastrar-se na asneira, nas asneiras, que são diárias, contínuas e continuadas. Mas diz-se jornalista.