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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Bittersweet

Na sexta-feira, jantar de amigos do Zé na Casa do Alentejo, convocado pelo Miguel C. O Miguel foi quem há muitos anos nos apresentou, na ida para o primeiro concerto de Leonard Cohen em Portugal, como referi aqui. Éramos 24, poderíamos ter sido mais. E todos tinham histórias deliciosas do Zé para contar.

Mas foi o Miguel, sentado à minha direita, quem, já no fim do jantar, teve palavras sobreo Zé que nos fizeram reflectir, aos vizinhos mais próximos. A ultimar a organização do jantar, dizia-nos o Miguel, a contar e recontar as presenças, tinha encontrado um denominador comum em todos os nomes da lista, a qualidade humana. E tinha dado consigo a pensar que o Zé, com aquela personalidade irresistível, a permanente disponibilidade para os amigos, tinha o dom de extrair de nós, de cada um de nós, o melhor que em nós havia, trazendo-o para a superfície.

Assim era o Zé. E parece-me que este jantar não será filho único.

(porque Leonard Cohen a cantou naquele 18 de Fevereiro de 1985 em que eu e o Zé nos conhecemos, e porque continuo a ter uma enorme dificuldade em lidar com este adeus que a morte nos impôs)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Entrada da semana, por Luís Mira

No blogue Ié-Ié, de LT

MÃOS RIGOROSAMENTE VIGIADAS

(imagem de Rita Carmo/Espanta Espíritos - BLITZ)

It’s four in the morning, the end of July, I’m writing you now just to say that you’re fine…!

Há muitos, muitos anos atrás a minha masculinidade foi posta em causa pelos meus amigos, por culpa do Leonard Cohen…

Eu explico-me melhor…

Naqueles tempos (finais dos anos sessenta…) era habitual organizarem-se as festinhas de Sábado à tarde nas caves, sótãos ou garagens de amigos. As mães tratavam dos sumos, das sandes e dos bolinhos secos, arrebanhavam-se umas miúdas amigas e amigas de amigas e montava-se a festa…

A estratégia era começar por agitar a malta, e por isso era habitual serem os Creedence, os Doors ou os Ten Years After os primeiros a saltar para arena. Mas quando se punha Leonard Cohen no gira-discos (ou em fita pré-gravada, como era habitual) a mensagem de código estava dada: reduziam-se ao máximo as fontes de luz, as persianas desciam para lá do mínimo imposto pelas mães e sabíamos todos que era chegada à hora do “apertanço”, tacitamente aceite ou deitando-se o barro à parede, que depois se veria…

Para todos menos para mim, que sempre me recusei a utilizar o Cohen para essas operações. Ficava sentado de pernas estendidas a contemplar o vazio (já na altura…) e a beber sofregamente essa música que parecia surgir das brumas e das sombras. Enfeitiçado por aquela voz, aquele tom único do dedilhar da viola. E nem o facto de só a muito esforço ir conseguindo desbravar o sentido daquelas letras me preocupava minimamente. Aquele som bastava-me, tal como me bastava o som de muitas canções irlandesas cujo dialecto próprio as tornava, para mim, absolutamente intraduzíveis. Ou como me bastaria, muitos anos mais tarde, o mistério das vozes búlgaras…

Em boa verdade, não conseguia ouvir Cohen de outra maneira, o que dava azo a alguns comentários sarcásticos por parte do resto da maralha. Não que não me soubesse bem ouvi-lo com uma boa companhia ao lado… Mas com mãos rigorosamente vigiadas. Uma simples festa no cabelo seria mais que suficiente…

Quarenta anos se passaram e eu não mudei em nada. Continuo sentado no meu lugar a escutar. À minha volta as pessoas agitam-se. Há um bambolear de ancas, pezinhos que se mexem… Palminhas, gritinhos estridentes, braços esvoaçando pelo ar em sinal de grande satisfação…. E os antigos isqueiros na escuridão são agora substituídos pelos telemóveis e pelos irritantes flashes das modernas máquinas de filmar/fotografar. Pobre Leonard!

LC faz parte daquele muito reduzido grupo de pessoas que são absolutamente indispensáveis na minha vida, e cujo desaparecimento, um dia, me deixará um profundo vazio. Como aqueles Amigos que, estando longe, estão sempre bem dentro de nós, mesmo quando damos a sensação de os acolher sem grande afectividade. Chorarei, com certeza, no dia em que partir...

E durante muito tempo se pensou que LC tinha, de facto, partido. Não da vida, porque o sabíamos ocupado com outras coisas. Mas das lides… Ao ponto de, a determinada altura, eu próprio ter dado comigo a imaginar a sedutora teoria de que Cohen, esse homem de palavras, se tinha despedido de nós com um instrumental: o belíssimo “Tacoma Trailer”, última faixa de “The Future”. Como se a sua voz se tivesse desvanecido no piano/cravo e o pudéssemos imaginar de costas a sair de cena pela estrada fora, como no final de um filme do Charlot. É que entre “The Future” (1992) e “Ten New Songs” (2001) passaram nove anos, uma eternidade que nunca antes se tinha verificado entre discos.

Mas ainda bem que a minha brilhante teoria saiu furada. Tanto “Ten New Songs” como “Dear Heather” são bons discos - talvez mais aquele do que este – embora não cheguem aos calcanhares das minhas jóias da coroa, que são os três primeiros. Os seus críticos acusaram LC de se ter deixado manietar pelas mulheres (Sharon Robison no primeiro caso, Anjani Thomas no segundo), como já antes o fora por Phil Spector no “Death of a Ladies’ Man”. E de ter deixado a sua música ser invadida por uma batida jazzy de elevador e por coros femininos delicodoces. Mas esqueceram-se de duas coisas: que manietado pelas “ladies” sempre ele o fora; e que magníficas vozes femininas existem desde o seu primeiro disco, nesse longínquo ano de 1967. Muito antes dos tempos da Jennifer Warnes…

Se as minhas contas não falham, é a quarta vez que LC se apresenta em Portugal. Cascais primeiro, depois no Coliseu nos finais dos anos oitenta e no ano passado em Algés. Só este último falhei, porque valores mais alto se levantaram.

Dos dois primeiros concertos guardo a excelente memória de um LC em grande forma e de uma muito ligeira e agradável tonalidade “Country” dada a muitas das canções dos primeiros tempos, como se Cohen se tivesse lembrado que foi precisamente num grupo “Country” – os “Buckskin Boys” – que começou a sua aventura musical. Ainda andei, na altura, à procura de “discos pirata” que o tivessem captado ao vivo nessa fase, mas não encontrei nada, embora essa batida se sinta de passagem em algumas músicas do documentário da BBC “Songs From The Life of Leonard Cogen” (1988), que teve edição em vídeo entre nós.

Para o concerto de ontem, as minhas expectativas eram muito baixas. Bastava-me ter visto que o recente “Live in London” tem apenas cinco músicas (num total de vinte e seis…) anteriores a “New Skin….” para ter percebido que não faço parte do “público alvo” deste espectáculo…

O que é que eu hei-de dizer…? Que o concerto seguiu, quase na integra, o alinhamento do de Londres? Que esteve a milhas dos dois concertos anteriores que tinha visto? Que a voz de Cohen, lá do alto dos seus quase 75 anos, já não está, propriamente, “like it was before”? Que as tais vozes femininas nem sempre me apareceram tão afinadinhas como se poderia esperar? Que os seis músicos que o acompanharam me pareceram competentes mas, por vezes, demasiado exuberantes (mas havia que fazer descansar a voz de LC…)? Que algumas canções foram completamente assassinadas (“Suzanne”, por exemplo …)? Que o Pavilhão Atlântico não é local onde mais desejaríamos assistir a um concerto de LC? Que os urros da assistência me irritaram solenemente? Mas não sejamos assim tão derrotistas, porque momentos bons também os houve: ver LC em tão boa fora, aos saltinhos pelo palco; “Tower of Song”, com o coro a funcionar na perfeição, em especial a menina da boina com os cabelos (des)cuidadamente espalhados pela face, que também toca harpa; “Take This Waltz”; “Boogey Street”, mas aqui os créditos vão, inteirinhos, para a excelente voz de Sharon Robison.

Mas, em boa verdade, borrifo-me em tudo isso. O que eu queria mesmo era poder rever LC, antes de morrermos os dois… E não posso, egoisticamente, deixar de reconhecer que foi bom que tivessem continuado na penumbra, e não assim devassadas em público, algumas das pérolas mais escondidas da minha especial predilecção: “The Stranger Song”, “One of Us Cant Not be Wrong”, “The Old Revolution”, “Why Don’t You Try”, cujo final é o melhor pedaço instrumental da obra de Cohen, para além da referida “Tacoma Trailer”; “If it Be Your Will”, “The Guests” …

E sabe tão bem ver Leonard Cohen …

I guess that I’ll miss you, Leonard, e por isso vou ter de ser muito mauzinho… Desejo que, algures, um produtor, um manager ou um simples contabilista te volte a ir à carteira e te obrigue a voltar à estrada. Sei bem que só assim poderei ter o prazer de te rever…

Not for just an hour
Not for just a day
Not for just a year
But always

Sincerely,

Luís Mira

PS:

Nestes tristes tempos, já nem sequer os bilhetes dos espectáculos têm a personalidade dos do antigamente...!

P.S. meu: Pois não Luís, pois não!




sexta-feira, 3 de abril de 2009

Eternamente Leonard Cohen

Em resposta a esta entrada do Don Vivo, ponho aqui este filme de 1983. A música é a intemporal Suzanne, a primeira faixa do seu primeiro disco, o magnífico Songs of Leonard Cohen. Do grande ano da música, 1967.

Não pude deixar de reparar (não sabemos nós as letras todas de cor?) que, na emocionante versão ao vivo que o Luís pôs, o verso «From his lonely wooden tower» foi alterado para «From his lonesome wooden tower».



terça-feira, 22 de julho de 2008

Comentários que merecem um post: Leonard Cohen

Ou a crónica emocionada de um concerto. Pelo comentador Blue Bird (que julgo não ter blogue, pelo menos no Blogger). Obrigada!

«Olá Teresa! Compreendo a sua decisão e respeito-a, eu tinha que ir, fiquei mesmo na frente a 3 m dele e quando às 21.00 em ponto entrou em palco e começou de rompante o "Dance me to the end of love" (que pelo que me apercebi nem é de perto nem de longe uma das suas preferidas), as lágrimas começaram-me a correr pelo rosto abaixo, eu não era o único assim, olhava à minha volta e via outras pessoas no mesmo estado, raparigas de vinte e poucos anos a cantar baixinho a letra com a mão direita no coração...aquela entrada foi letal acredite, Cohen ajoelhado a cantar "show me slowly what I only known the limits of...", depois durante o concerto não se ouvia uma única palavra tamanho era a devoção com se escutava cada linha de cada canção. O Cohen apenas nos olhava, com um olhar tão humano quanto comovente e sorria, sorria como uma criança, e sentia-se ali qualquer coisa que não sei explicar, algo muito grande mesmo. Depois foi o desfilar de todas as canções que já sabemos "Bird on a wire", "Gypsy's Wife" divinal, "Hey, that's no way to say goodbye", "Suzanne" teve logo uma grande ovação claro, etc... no final, no último encore ainda ousei pedir bem alto e a pulmões abertos "Famous Blue Raincoat" (a minha canção de culto), tenho quase a certeza que ouviu, pois sorriu uma vez mais mas começou logo "I tried to leave you", no final quando virou as costas e se dirigiu para a saída do palco, as lágrimas voltaram a cair-me...tinha acabado. Depois olhando à minha volta e observando o rosto das pessoas, notei um misto de alegria por aquilo que tinham acabado de assistir mas ao mesmo tempo um olhar triste, vago e perdido por saber que Cohen tinha partido para se calhar nunca mais voltar...

Blue Bird
»

Publicada por Anónimo em A Gota de Ran Tan Plan a 22 de Julho de 2008 1:38

sábado, 19 de julho de 2008

Concordo, Sofia!

SMS recebido da Sofia, neste momento a ouvir e ver Leonard Cohen: «O Cohen é lindo!»


Sorrio, porque estou de acordo. Mas não é assim que ele se vê, e esta é seguramente uma das chaves para lhe decifrar a música.

Lembras-te de Chelsea Hotel, Sofia? Uma das suas grandes músicas, fala de Janis Joplin...

«I remember you well in the Chelsea Hotel
You were famous, your heart was a legend.

You told me again you preferred handsome men
but for me you would make an exception.
And clenching your fist for the ones like us

Who are oppressed by the figures of beauty,

You fixed yourself, you said,
"Well never mind,
we are ugly but we have the music..."»

Leonard Cohen: é hoje!

E a minha decisão de não ir (tive bilhetes de primeira água oferecidos) é lúcida, consciente. É claro que não seria eu se não me debatesse com uma dúvida incómoda, insidiosa: e se?... Agradeço de todo o coração aos comentadores que, lá muito para trás, se insurgiram com as minhas dúvidas e me instaram a ir, não fosse arrepender-me mais tarde.

Não vou, meus amigos, e a escolha é minha. Leonard Cohen é para mim tão sagrado que não suportaria ouvi-lo num sítio que, mesmo não o conhecendo, me suscita fortes suspeitas. A música de Leonard Cohen é tão intimista que não é admissível ouvi-la em sítios tão esdrúxulos como aquele Pavilhão Atlântico (que devia levar com uma bomba Antónia em cima, mas isto é tão-somente a minha opinião) ou este Passeio Marítimo de Algés. Repito que não conheço o sítio, mas à partida cheira-me a coisa tão dissonante de Leonard Cohen que até dói. E eu tenho os discos todos, os originais...

Tive comentadores a instarem-me a ir ao concerto, e comentaram aqui apenas dessa vez, quando falei do primeiro concerto de Leonard Cohen, a 18 de Feveiro de 1985. Kiko e Blue Bird, não levem a mal, acreditem que ponderei tudo! A Sofia e o Huckleberry Friend estarão lá hoje, e quero que seja mágico para eles, será o seu primeiro e quase seguramente último encontro com o grande senhor.

Escolhi não ir. Há memórias que devemos manter intocadas, tão preciosas são. É o caso da minha memória mágica daquele 18 de Fevereiro de 1985, quando a Sofia ainda nem estava neste mundo. Sofia, querida, é o teu tempo de armazenar memórias, que seja como sonhaste!

Deixo aqui uma das mais belas músicas de Leonard Cohen, o meu «Álvaro de Campos cantado» (a Ana e a Sofia, duas senhoras com uma sensibilidade toda especial para a Poesia, aprovaram a definição, como tal não deve ser completamente disparatada), uma música que, seguramente, ninguém vai ouvir esta noite, disso tenho a certeza. Sei que ele não vai cantá-la, sei porque o percebo muito bem. A música chama-se Seems So Long Ago, Nancy e deixa-me sempre com um aperto na garganta. Obrigada, Vítor, por me teres oferecido Songs from a Room quando tínhamos vinte anos... Foram muitas noites insones, foram muitas lágrimas a ouvi-lo. Diria que Leonard Cohen é na minha vida tão importante como tu ou Mozart. Ou como os Beatles ou Simon & Garfunkel. E também como os Mamas & Papas e Peter, Paul & Mary... Diabos, eu devo ter mesmo infinitas capacidades de paixão! :)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O concerto da minha vida - Leonard Cohen

Cascais, 18 de Fevereiro de 1985 - faz hoje 23 anos, apenas menos um do que eu tinha nessa noite. Conservo ainda o bilhete encaixilhado, como coisa preciosa que é.

Eu andava nas nuvens desde o princípio de Janeiro, altura em que anunciaram a vinda dele a Portugal para um único concerto; não conseguia pensar noutra coisa. Logo que os bilhetes foram postos à venda corri à Rádio Renascença. Estão a ver o preço? Não é anedótico? Fiquem sabendo que eram os lugares mais caros, a maior parte era a 500 escudos.

O Miguel C., com quem me dava muito, ofereceu-me boleia no carro do seu grande amigo Zé A., e connosco ia mais uma menina que nem desconfio quem fosse. Graças a Deus, quando chegámos ao Pavilhão Dramático tivemos de nos separar, os lugares deles eram lá para cima, numa das bancadas laterais, e muito longe do meu. Eu queria e precisava de estar sozinha, porque é sozinha que se ouve Leonard Cohen, o meu Álvaro de Campos cantado.

Havia semanas que me interrogava sobre qual seria a música de abertura. O coração dizia-me, tão bem lhe conheço a obra, que só podia ser uma, aquela que a intuição me dizia ser a mais despudoradamente autobiográfica de todas. E depois ele surgiu, a figura ascética, as feições graníticas. Soaram as primeiras notas e eu de repente mal conseguia vê-lo, os olhos cheios de lágrimas e um soluço irreprimível a rebentar-me na garganta. Era mesmo Bird on the Wire, como eu secretamente tinha desejado, numa espécie de confirmação tácita da minha total compreensão da música dele. Tão total, tão completa, que seria também com essa música que fecharia o concerto. To come full circle.

Não sei quanto tempo durou o concerto, talvez umas duas horas e meia - eu estava numa dimensão paralela, flutuava. Mas não lhe perdoo não ter cantado Famous Blue Raincoat, outra das tais. À minha frente estava um tipo um pouco mais velho do que eu que durante os aplausos gritava esperançadamente «Raincoat!!!», sem nunca desistir. Em vão.

À saída juntei-me aos outros, que insistiam em ir sair. Recusei. Estava em estado de graça e assim queria continuar, depois daquilo tudo soaria pobre, paupérrimo. Sair, ir encafuar-me num sítio qualquer, ouvir e dizer banalidades seria quase um sacrilégio. Tinha pressa de chegar a casa, para continuar a ouvir Leonard Cohen. Tenho algures num caderno as minhas impressões dessa noite.

Tempos mais tarde, na inauguração de uma boîte (o Springfellows, ali para os lados do Campo Pequeno), encontrei o Miguel C., que me disse que eu tinha um grande admirador. Levantei uma sobrancelha, compus um ar desinteressado (e curiosíssima, claro), perguntei quem era. «É o Zé A.!» «Quem?», perguntei com toda a honestidade. «Não sei quem é.» «Claro que sabe! Até nos deu boleia para Cascais, quando fomos ao Leonard Cohen!»

Eu sabia que tinha ido ao concerto, irrefutável e inesquecível. Até sabia que um amigo do Miguel me tinha dado boleia e levado a casa. Do nome não me lembrava, o que em mim não era de admirar - a minha tão decantada memória é muito fraca no que toca a nomes. Já as caras... Nunca esqueço uma cara. Pois nem da cara do tal amigo me lembrava!

«Das tuas amigas, a única que se aproveita é aquela Teresa que foi connosco ver o Leonard Cohen, as outras são todas umas parvas!» - contou-me o Miguel que o Zé passava a vida a comentar. Um ou dois anos mais tarde, o Miguel lá conseguiria juntar-nos numa saída ardilosamente planeada. Quando vi o Zé percebi até que ponto eu naquela noite de Fevereiro estava na lua, porque ele era uma autêntica brasa. Além de ser uma pessoa encantadora. E nasceu uma amizade que continuou pelos anos fora e continua firme até hoje.

Faz também hoje 23 anos, portanto, que eu e o Zé nos conhecemos. Se não fosse tão tarde, telefonava-lhe. Fica para amanhã.

Now playing: Leonard Cohen - Bird on the Wire
(click to listen)


Adenda: Três anos depois, em Junho de 1988, Leonard Cohen voltou a Portugal. Ao Coliseu, sala que considero irreconciliável com um bom espectáculo - como o Pavilhão Atlântico, mas menos. E sorrio de lembrar que ao meu lado no camarote estava o Zé, na véspera da nossa expedição ao Alto Atlas e ao Sahara. O concerto foi uma muito pálida sombra do outro. Culpa da sala? Do público? Não sei. Mas foi decepcionante.

«
Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
Ser real é isto.»


Alberto Caeiro


sábado, 5 de maio de 2007

Till death do us part...


Descaradamente roubado à minha querida Flor do Mar, Senhora de quem ser amiga é um privilégio. Está longe de ser uma das músicas dele que mais me comovem, aquelas que batem com o pé a melodia das canções que o meu pensamento canta. Mas é Ele. Leonard Cohen. Este meu amor de sempre é para sempre - coisa que se pode dizer de muito poucos.

TAKE THIS WALTZ
Now in Vienna there's ten pretty women
There's a shoulder where Death comes to cry
There's a lobby with nine hundred windows
There's a tree where the doves go to die
There's a piece that was torn from the morning
And it hangs in the Gallery of Frost
Ay, Ay, Ay, Ay
Take this waltz, take this waltz
Take this waltz with the clamp on its jaws
Oh I want you, I want you, I want you
On a chair with a dead magazine
In the cave at the tip of the lily
In some hallways where love's never been
On a bed where the moon has been sweating
In a cry filled with footsteps and sand
Ay, Ay, Ay, Ay
Take this waltz, take this waltz
Take its broken waist in your hand

This waltz, this waltz, this waltz, this waltz
With its very own breath of brandy and Death
Dragging its tail in the sea

There's a concert hall in Vienna
Where your mouth had a thousand reviews
There's a bar where the boys have stopped talking
They've been sentenced to death by the blues
Ah, but who is it climbs to your picture
With a garland of freshly cut tears?
Ay, Ay, Ay, Ay
Take this waltz, take this waltz
Take this waltz it's been dying for years

There's an attic where children are playing
Where I've got to lie down with you soon
In a dream of Hungarian lanterns
In the mist of some sweet afternoon
And I'll see what you've chained to your sorrow
All your sheep and your lilies of snow
Ay, Ay, Ay, Ay
Take this waltz, take this waltz
With its "I'll never forget you, you know!"

This waltz, this waltz, this waltz, this waltz ...

And I'll dance with you in Vienna
I'll be wearing a river's disguise
The hyacinth wild on my shoulder,
My mouth on the dew of your thighs
And I'll bury my soul in a scrapbook,
With the photographs there, and the moss
And I'll yield to the flood of your beauty
My cheap violin and my cross
And you'll carry me down on your dancing
To the pools that you lift on your wrist
Oh my love, Oh my love
Take this waltz, take this waltz
It's yours now. It's all that there is