sexta-feira, 28 de março de 2014

Sei Lá

Uma amiga minha pôs ontem na sua página do Facebook o trailer do filme Sei Lá, que vi com o mesmo interesse que me teria despertado um tratado de balística.

Li o livro na altura em que saiu, emprestado por uma amiga, que o resumiu assim: «Não vale um caracol, só tem piada por se passar em sítios que conhecemos, o T, a Kapital, o Bairro Alto, o Pap'Açorda, e outros desses.» Despachei-o numa noite, a reparar nos incontáveis erros de português, nas frases defeituosas, nas peneiras da protagonista/autora.

Rebolei a rir com uma frase em castelhano, atribuída ao ex-namorado basco da narradora: «A mi cariño le gustan los cremes.» Los cremes?! Mas não houve em toda a editora uma única alminha que soubesse que creme em castelhano é feminino, la crema

Mas o êxtase absoluto, a fechar com chave de ouro um livro muito parvo, chegaria com um fim-de-semana de três dias passado no Alentejo. Três dias, sim. Dois domingos, mais concretamente. Mais uma vez, ninguém parece ter reparado na asneira. A não ser a Helena, como descobri há tempos.

O livro teve várias edições desde 1999, espero que algum revisor competente tenha dado uma volta a tanto disparate.

14 comentários:

  1. Eu li o livro em casa de uma amiga dos meus pais - despacha-se em hora ou duas - e achei muito, muito vazio, para não falar do final ridículo, mas já me esqueci de quase tudo. Já a crítica do João Pedro George ficará na minha memória para sempre, a argúcia, o detalhe, a exaustividade, a escrita dele...magnífico.

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    1. Na altura acompanhei a polémica, e ele deve ter tido um trabalho hercúleo! Além de revoltante, claro, que ninguém merece ter de ler aquilo tudo para fazer uma comparação fundamentada.

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  2. Eu reparei! Até pensei: será que era feriado? Enfim...mau, mau, mau. Mas vou ver o filme, é guilty pleasure.

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    1. Qual feriado, qual quê! Eu lembro-me de até ter voltado atrás na leitura, tão estúpido aquilo me parecia, só para confirmar que não me tinha enganado. Mas não, lá estava, ela referia-se ao terceiro dia como sendo um domingo.

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  3. Experimente ler o segundo livro da autora e descubra que...é igual! Mudam os nomes das personagens e os locais, nada mais.

    Eu preferiria, de longe, ler um tratado sobre balística.

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    1. Li mais um dela, não me lembro do nome. Outra bodega. Never again, venha o tratado de balística! :)

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  4. Não me recordo da história do livro, apenas desse fds de 3 dias (também reparei) do vazio da escrita e duma suposta relação que alguém tinha tido com Jorge Amado. Eu na altura andava a ler (a devorar, mais concretamente) os livros da Zélia Gattai, fiquei furiosa com esse devaneio literário.

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    1. Lembro-me de duas referências a Jorge Amado (que eu venero e acharei sempre que foi injustiçado, nunca ganhando o Nobel) no livro, e ambas me revoltaram também. Numa delas teria até jantado com ele. Caso tal coisa nunca tenha acontecido (que me parece ser mais do que provável), dá vontade de lapidar a senhora, que não se manca.

      Faz lembrar as pindéricas Doce, que tiveram no princípio dos anos 80, numa entrevista, uma frase que dispensa comentários: «Os Beatles também eram comerciais.» Pois.

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  5. Tratado De Balistica Crimilalistica (Spanish Edition)...

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    1. Venha ele, portanto. Parece que estamos todos de acordo. :)

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  6. As coisas de que te lembras, Teresa! Eu nem me lembrava de ter falado disso. Obrigada por mo lembrares - a verdade é que começava a desconfiar que tinha lido mal, ou estava a confundir alguma coisa.
    É sempre bom descobrir que não sou eu quem está maluquinha! :)

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  7. ("here comes the sun" - aaaah, esta música ainda consegue ser melhor que as outras!)
    (estes rapazinhos entendiam muito de comércio, está visto)

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