sábado, 22 de fevereiro de 2014

Sim, mas...


Inteiramente de acordo, Clarinha, permita que a trate assim. Mas, já que tanto e tão louvavelmente respeita a correcção da nossa língua, comece lá por corrigir esse erro, faça-me, faça-se e faça-nos o favor: «eu sou uma das que se ASSUMEM». Pode ser ?

Devo dizer que é erro em que tropeço diariamente seis, sete, oito vezes. Na imprensa, em frases no Facebook, em blogues, muitas vezes, até, pela mão de pessoas que proclamam de forma altaneira escrever muito bem — a Pipoca, por exemplo, passa a vida a fazê-lo.

Quando se fala de uma parte menor, individual, inserida num todo maior e colectivo, o verbo tem de assumir o plural, é tão simples como isto. Eu sou uma das que até acham que escrevem com bastante correcção, mas, não obstante, estou sempre aberta a que me corrijam, e agradeço que me corrijam, porque ninguém é infalível, ninguém está imune a erros.

E, já agora, não se dão erros, outra coisa que quase toda a gente diz. Os erros fazem-se, ou cometem-se. Os mais puristas defendem até que «os erros fazem-se, os pecados cometem-se.» Matando dois coelhos de uma cajadada, diria que este erro, que Clara de Sousa e tantas outras pessoas fazem, é um pecado cometido contra a nossa língua.

5 comentários:

  1. Não concordo que a expressão "dar erros" esteja errada. Vivemos hoje num mundo em que tudo tem de ser rigorosamente de acordo com as regras, esquecendo, muitas vezes, que a língua não se faz apenas de regras, mas também de expressões consagradas pelo uso, como é o caso em que questão.

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    1. Sem esquecer que esse uso deve obedecer a uma lógica de "adequação" ao contexto.

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  2. Não posso concordar consigo. Mesmo que 99% das pessoas escrevam e digam (e escrevem e dizem) degladiar, delapidar ou Pirinéus, nenhum passa a ser correcto só por a asneira estar de tal forma disseminada.

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  3. Quem não dá ou não comete erros? Há que os corrigir.
    E, "pelas alminhas", acabem com esse "Aborto Ortográfico" a que chamam acordo.

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  4. Estou confiante em que o aborto acabará nisso mesmo: um projecto (revoltantemente cretino) abortado.

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