terça-feira, 6 de março de 2012

I ♥ Gilmore Girls

Não dei atenção à série quando começou a passar na televisão, na SIC Mulher, e estava capaz de jurar que só deram uma ou duas temporadas. Mas às vezes à noite, ao computador no escritório e com a televisão ligada baixinho, arrebitava aqui e ali a orelha com fragmentos de diálogos que me pareciam francamente bons e desviava os olhos para o ecrã. E resolvi comprar a primeira temporada.

Foi paixão fulminante e um fim-de-semana em que não fiz outra coisa senão devorar episódio atrás de episódio. Gilmore Girls é notável. Localizada em Stars Hollow, uma cidadezinha imaginária do Connecticut, centra-se em Lorelai Gilmore e na sua brilhante e encantadora filha Rory, com o sonho de entrar em Harvard. Lorelai foi uma mãe adolescente, teve Rory com 16 anos, criou-a sozinha, deixando de estudar e cortando praticamente todos os laços com os seus empertigados pais de classe alta. E é justamente aqui que a série começa, quando Lorelai, engolindo o orgulho, lhes pede ajuda financeira para poder mandar a filha para uma óptima e caríssima escola privada que lhe dê uma sólida preparação que possibilite a sua admissão em Harvard, coisa que não está ao alcance do liceu de Stars Hollow, com os seus padrões pouco exigentes.

Gilmore Girls é todo um mundo, não é apenas a riquíssima relação de Lorelai com a filha. Os seus diálogos, disparados numa velocidade estonteante, são um emaranhado constante de referências culturais. Música, política, cinema, televisão, vale tudo. Sei que apanhei uns 90%, mas devo ter deixado escapar umas quantas. Gilmore Girtls é também uma extraordinária galeria de personagens, a começar nos pais de Lorelai, que é impossível não adorarmos, tanto nos divertem. Principalmente a mãe, que a cada novo episódio tem uma nova criada, já que a anterior foi despedida pelos motivos mais incríveis ou despediu-se, exasperada — o que faz lembrar Murphy Brown e as secretárias, que só apareciam nos créditos como Secretária #1, Secretária #2, até perfazerem o anedótico número de 93.

Mas há muito mais, há todas as personagens de Stars Hollow e a sua divertidíssima dose de absurdo. Luke, o dono do diner, que ainda conserva o letreiro de quando era a loja de ferragens do pai. Lane, a reprimida grande amiga coreana de Rory, e a sua feroz mãe. Michel, o desdenhoso e impagável Michel, concierge da estalagem (vibro com as piadas dele e o ar com que são ditas). Sookie, a melhor amiga de Lorelai. Os vizinhos, com menção especial para Miss Babette, a Sally Struthers que foi a filha de Archie Bunker em All in the Family. Taylor, o lojista e autarca déspota, sempre às turras com Luke. E Kirk, o extraordinário Kirk, de episódio para episódio com um trabalho diferente, sempre envolvido em tudo o que acontece na cidade.

E depois há Paris, a competitiva e insuportável Paris, grande rival de Rory em Chilton, e cujo convívio, nem sempre fácil, continuará quando entrarem para a universidade.

O que posso dizer mais? Que comprei as restantes seis temporadas num ápice, em coisa de mês e meio, e que as devorei? Que as emprestei todas em Maio à Cristina, mulher do Gonçalo, também doida pela série, e que estou a ressacar de saudades? 


(confesso que não gosto nada, nada, mesmo nada da canção de abertura da série, Where You Lead, mesmo sendo da grande Carole King e cantada por ela. Por isso optei pelas Bangles, o grupo que Lorelai, a mãe, adora; chega a levar a filhas e as amigas a um concerto delas em Nova Iorque, em que este Eternal Flame é tocado)

19 comentários:

  1. eu vi quando passou na televisão...
    E também adorei :)

    kisses***

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    1. Na televisão passaram a série completa? Pareceu-me que não, mas posso estar enganada.

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  2. Eu também a vi toda e numa fase bem negra....se calhar já passou tempo o suficiente para a rever, acho que o espírito combina bem com a minha nova residência no campo :)

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    1. Rita, acho que combina muito bem. Também já me aconteceu isso, ver um filme num momento menos bom, não me dizer muito, não o achar nada de especial e vir mais tarde a revê-lo e a adorar.
      Acho que já falei disso lá para trás, aconteceu-me com Far From Heaven, que acho uma obra-prima.

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  3. Eu até comentava, mas estás cansadinha de saber que adoro a série :)

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  4. Fiquei emocionada, Teresa, porque adooooro esta série e ainda não tinha visto ninguém comentá-la desta forma. Obrigada.
    Apaixonei-me assim que vi o 1º episódio.
    Como elas falam a um ritmo alucinante, tinha dificuldade em perceber algumas das referências aos anos 80, a época da minha adolescência. Por isso, decidi comprar as temporadas à medida que iam sendo editadas em Portugal... o que me levou a enveredar pelo mundo do crime: é que as 6ª e 7ª temporadas não foram lançadas por cá - vi-me compelida aos downloads ilegais. Logo eu, tão acerrimamente contra.
    E isto abriu uma caixa de Pandora, porque confesso que tenho continuado a reincidir nesse crime. Devo até confessar que a última vítima foi o Downton Abbey... desta vez, culpo-a a si, Teresa. Adivinhe porquê, eheheh
    Beijinhos.

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    1. Julie, eu mandei vir toda a série da Amazon britânica, onde está a preços incríveis (aposto que na Fnac foi mais do dobro, como de costume). Tenho ideia de que algumas das temporadas até têm legendas também em português, que eu não uso. Vá lá espreitar, é uma pena ficar com a série incompleta.

      Quanto a Downton Abbey, assumo a culpa com enorme prazer. :)))

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  5. Eu amor, adoro GG. Sonhava com as personagens contantemente, com Star Hollow. O que posso comentar é que gostava que o filme fosse feito para fosse feita justiça à argumentista das primeiras 5 temporadas.

    Aqui está mais um gosto em comum Teresa. Já agora com qual de identifica mais, Lorelai mãe ou Lorelai filha?

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    1. Sinceramente, não me parece que um filme fosse boa ideia, se bem que já tenha lido qualquer coisa sobre isso.

      Quanto às duas Lorelais e quanto àquela com quem me identifico mais, eu diria que sou um híbrido. Há coisas da filha que me lembram incrivelmente a minha adolescência. Até aquele primeiro namoro.

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    2. Os filmes têo o hábito de "matar" as séries, que nunca façam um de Friends, mas neste caso acho que havia material cinematográfico. Quanto às Gilmore, o meu namorado costumava dizer que eu tinha as qualidades da Rory e os defeitos da Lorelai. Talvez não seja mal visto :)

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    3. Uma mistura deveras interessante, Raquel. :)

      E Friends em filme... nunca!

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  6. Olá Teresa,

    Também sou Teresa. Leio o seu blogue há mais de três anos e gosto muito. Muito. Não tenho blogue. Tenho um presente para si que acho que vai fazer as suas delícias. Tenho quase a certeza de que a Teresa não conhecerá, senão já teria dado post. Ando para lho deixar há meses e meses. É hoje. Desconfio, enquanto sua leitora, que vai escrever sobre isto. Se não, diga-me pelo menos o que pensa, está bem?

    Veja por esta ordem:

    http://www.lstudio.com/web-therapy/camilla-bowner-aversion-therapy.html

    http://www.lstudio.com/web-therapy/camilla-bowner-healing-touch.html

    http://www.lstudio.com/web-therapy/camilla-bowner-reverse-psychology.html

    http://www.lstudio.com/web-therapy/camilla-bowner-outtakes.html

    http://www.lstudio.com/web-therapy/camilla-bowner-behind-the-scenes.html

    Um beijo.

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    1. Tê que também é Teresa (e a mim também há quem me chame Tê, e eu costumo assinar T.),
      Muito, muito obrigada pelo seu magnífico presente, que adorei!!
      E olhe que ainda só vi o primeiro, por falta de tempo. Que maravilha, desconhecia por completo a existência disto!
      E, sim, vai dar post, oh se vai! :)))
      Um beijinho.

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  7. Teresa (autora do blog), nunca vi, fiquei com curiosidade. obg! :)

    Teresa (do comentário), obg também, já estou deliciada a explorar os seus links!

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    1. Sem-se-ver, a série é magnífica. Só a última temporada é mais fraca.
      Veja, que não vai arrepender-se,

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  8. Eu amo GG! A melhor personagem é sem dúvida a Lorelai, sempre achei a Rory uma daquelas miudinhas sonsas! ahah E a mãe da Lorelai? Demaiss....

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  9. Que saudades desta série. Vi-a toda e deram todas as temporadas :)
    Adoro!

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