Nos últimos meses fiquei completamente viciada nesta série, que tento acompanhar religiosamente, apesar de embirrar com o formato em que passa na Sic Mulher, dois episódios de cada vez, sendo que no dia seguinte temos de levar novamente com o último da noite anterior. Na prática, um episódio novo por dia, e a horas não muito católicas.
Por causa disso, ontem pus-me a investigar o YouTube, onde encontrei imensos episódios que ainda não passaram na televisão. O resultado foi serão madrugada adentro. De caminho pude verificar que a blogosfera nacional não detém o exclusivo da peçonha. Onde houver um computador, Internet e a possibilidade de algum anonimato, é mais do que provável que encontremos gente medonha, seja qual for a nacionalidade. Encontrei comentários abjectos, que denunciei sem piedade. A maior parte era sobre Matt Preston, com adjectivos e expressões que não vou repetir; digamos que a palavra mais suave que encontrei foi fruit. Tudo porque o senhor (casado, a viver com a mulher e pais de três filhos) costuma conjugar calças coloridas com o blazer e não abdica do foulard ao pescoço e do lenço no bolso. Se já me merecia imensa simpatia antes, imaginem agora. Acresce que a sua elevada estatura, o penteado e o ar nonchalant me lembram imenso Oscar Wilde. Só podia gostar dele, não é?
Tal como adoro os outros dois apresentadores e juízes, os chefs Gary Mehigan e George Calombaris. Este concurso foge à regra, aos padrões recorrentes que assentam sempre na dualidade polícia bom/polícia mau. Nos outros concursos há sempre o formato estereotipado do juiz bonzinho e indulgente, com quem o público se derrete, e do juiz demolidor, que achincalha e que o público adora odiar, deleitando-se secretamente com a sua brutalidade. No MasterChef Australia as coisas não são assim. Os juízes são justos mas atentos e muito sabedores, não perdoam uma falha mas não deixam de assinalar um molho bem conseguido, uma boa apresentação, uma massa al dente no ponto exacto, uma atitude empenhada mesmo quando tudo corre mal. E encorajam, estimulam, galvanizam. Um grande exemplo.
Os concorrentes? Outro caso raro. Vejo solidariedade, entreajuda, genuína camaradagem. Competem todos, são adversários, sim, mas cada um dá o seu melhor e não passa rasteiras aos demais para ficar em posição vantajosa. A única com quem embirrava bastante, Joanne (talvez por causa das expressões faciais, admito), e que me parecia destoar bastante desse quadro de harmonia geral, fez-me esta tarde vacilar, num programa que ainda não tinha visto, de tal forma tentava ajudar um colega a superar uma prova de pressão. Gosto de todos, sim. Mas claro que tenho os meus preferidos. Claire, pela personalidade doce e discreta, que me parece albergar uma grande tenacidade. Matthew e Callum, tão novinhos (20 ou 21 anos, na altura, e Matthew ainda por cima tão bonito!), um genuíno laço de amizade ali surgido a uni-los. Adam, sempre tão modesto, sempre tão humilde. Jonathan. Fiona, 24 anos, tão bonita, aqueles enormes olhos de gazela, tive tanta pena que saísse. E Marion, aquela querida, uma miúda de 27 anos que conseguiu derrotar um grande chef na confecção do prato que era o seu cartão de visita e do seu restaurante. Que proeza!
Avizinha-se nova versão do vício, que a Luna já me falou no Junior MasterChef Australia, para miúdos entre os oito e os doze anos. Disseram-me que já passa em Portugal, mas parece que num canal excusivo do MEO. Tenho de descobrir maneira de ver.
O grande problema deste programa? O grande problema, meus amigos, são os meus olhos a saltarem das órbitas para se colarem àquelas iguarias no ecrã (mesmo apesar da mania dos anglo-saxónicos com o borrego, carne que não consigo comer), são as minhas papilas gustativas num desgoverno e eu a ficar com a maior das fomes.