segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Outra vez os cromos dos espanhóis

No caso até são mexicanos, mas dá no mesmo, é a mesma língua e a necessidade de traduzir tudo é igual. Só mesmo o Abel para ter relíquias destas!

Edição mexicana de um EP dos Beatles, reparem no prodígio que são os títulos na capa.


Só na contracapa figuram os títulos originais em inglês.


domingo, 2 de outubro de 2011

Medo

Oh, nããããão!! Parece que vem aí outra ModaLisboa. Das duas uma: ou faço previamente uma grande limpeza no Google Reader ou habilito-me a pôr os olhos em muita fotografia que mais valera nunca ter visto a luz do dia. Isto já para não mencionar as figurinhas deploráveis e as fatiotas — a que elas chamam modelitos, provavelmente uma das palavras mais idiotas que já li (ouvir não, que não conheço quem a use), além da rasquice que é qualquer diminutivo acabado em ito ou ita.

sábado, 1 de outubro de 2011

I ♥ MasterChef Australia

Nos últimos meses fiquei completamente viciada nesta série, que tento acompanhar religiosamente, apesar de embirrar com o formato em que passa na Sic Mulher, dois episódios de cada vez, sendo que no dia seguinte temos de levar novamente com o último da noite anterior. Na prática, um episódio novo por dia, e a horas não muito católicas.

Por causa disso, ontem pus-me a investigar o YouTube, onde encontrei imensos episódios que ainda não passaram na televisão. O resultado foi serão madrugada adentro. De caminho pude verificar que a blogosfera nacional não detém o exclusivo da peçonha. Onde houver um computador, Internet e a possibilidade de algum anonimato, é mais do que provável que encontremos gente medonha, seja qual for a nacionalidade. Encontrei comentários abjectos, que denunciei sem piedade. A maior parte era sobre Matt Preston, com adjectivos e expressões que não vou repetir; digamos que a palavra mais suave que encontrei foi fruit. Tudo porque o senhor (casado, a viver com a mulher e pais de três filhos) costuma conjugar calças coloridas com o blazer e não abdica do foulard ao pescoço e do lenço no bolso. Se já me merecia imensa simpatia antes, imaginem agora. Acresce que a sua elevada estatura, o penteado e o ar nonchalant me lembram imenso Oscar Wilde. Só podia gostar dele, não é?

Tal como adoro os outros dois apresentadores e juízes, os chefs Gary Mehigan e George Calombaris. Este concurso foge à regra, aos padrões recorrentes que assentam sempre na dualidade polícia bom/polícia mau. Nos outros concursos há sempre o formato estereotipado do juiz bonzinho e indulgente, com quem o público se derrete, e do juiz demolidor, que achincalha e que o público adora odiar, deleitando-se secretamente com a sua brutalidade. No MasterChef Australia as coisas não são assim. Os juízes são justos mas atentos e muito sabedores, não perdoam uma falha mas não deixam de assinalar um molho bem conseguido, uma boa apresentação, uma massa al dente no ponto exacto, uma atitude empenhada mesmo quando tudo corre mal. E encorajam, estimulam, galvanizam. Um grande exemplo.

Os concorrentes? Outro caso raro. Vejo solidariedade, entreajuda, genuína camaradagem. Competem todos, são adversários, sim, mas cada um dá o seu melhor e não passa rasteiras aos demais para ficar em posição vantajosa. A única com quem embirrava bastante, Joanne (talvez por causa das expressões faciais, admito), e que me parecia destoar bastante desse quadro de harmonia geral, fez-me esta tarde vacilar, num programa que ainda não tinha visto, de tal forma tentava ajudar um colega a superar uma prova de pressão. Gosto de todos, sim. Mas claro que tenho os meus preferidos. Claire, pela personalidade doce e discreta, que me parece albergar uma grande tenacidade. Matthew e Callum, tão novinhos (20 ou 21 anos, na altura, e Matthew ainda por cima tão bonito!), um genuíno laço de amizade ali surgido a uni-los. Adam, sempre tão modesto, sempre tão humilde. Jonathan. Fiona, 24 anos, tão bonita, aqueles enormes olhos de gazela, tive tanta pena que saísse. E Marion, aquela querida, uma miúda de 27 anos que conseguiu derrotar um grande chef na confecção do prato que era o seu cartão de visita e do seu restaurante. Que proeza!

Avizinha-se nova versão do vício, que a Luna já me falou no Junior MasterChef Australia, para miúdos entre os oito e os doze anos. Disseram-me que já passa em Portugal, mas parece que num canal excusivo do MEO. Tenho de descobrir maneira de ver.

O grande problema deste programa? O grande problema, meus amigos, são os meus olhos a saltarem das órbitas para se colarem àquelas iguarias no ecrã (mesmo apesar da mania dos anglo-saxónicos com o borrego, carne que não consigo comer), são as minhas papilas gustativas num desgoverno e eu a ficar com a maior das fomes.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Love hurts

Era o destino. Contei aqui a compra destas sandálias, e a profunda desconfiança que me inspiraram.

Desconfiança tão grande que, compradas há mais de dois anos, só ontem me resolvi a calçá-las pela primeira vez. Já um bocadinho atrasada para ir para a inauguração da exposição da Nusha, a Madalena à minha espera, quase pronta, só faltava pôr brincos, Agripininha atravessa-se-me à frente no corredor. Não houve como não a pisar.

Um grito, um bufar danado, e os dentes fincados com todo o gosto na minha perna esquerda nua. Duas feridas das quais o sangue não parava de correr e as sandálias, que já não voltarão a ver a luz do dia, lixadas para todo o sempre (são de camurça). Meia hora na casa de banho, muito papel higiénico a tentar estancar o sangue — nota mental: comprar aquele lápis que os homens usam para os cortes do barbear. Finalmente a coisa lá parou.

Hoje tenho a perna, que me dói bastante, toda besuntada de Bacitracina. Coitadinha, ela não fez por mal, nem sequer lhe ralhei. Mas era escusado ser tão bruta, ninguém me manda ter um pequeno lince da Sibéria em casa. Quanto às sandálias, paz às sua almas (aqui com toda a propriedade), estava mesmo escrito que nunca havia de calçá-las.

Ainda e sempre Simon & Garfunkel

Porque são um dos meus amores maiores na música. Porque esta é seguramente uma das três maiores que cantaram juntos (letra e música de Paul) — as outras duas são America e The Boxer. Outras há que me dizem mais, muito mais, como I Am A Rock, Kathy's Song, A Most Peculiar Man. Mas por razões minhas, íntimas, que não me impedem de discernir que as outras, as tais três grandes, são eternas.

E nunca consigo deixar de me maravilhar com a extraordinária voz de Art.

Dez anos depois este arrepiante poema já era estudado nos cursos de literatura das universidades americanas.

«Hello darkness, my old friend
I've come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone
'Neath the halo of a street lamp
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more
People talking without speaking
People hearing without listening
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence

"Fools", said I, "You do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach you"
But my words, like silent raindrops fell
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon god they made
And the sign flashed out its warning
In the words that it was forming
And the sign said, "The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls"
And whispered in the sounds of silence.
»

Convosco, meus amigos, Simon & Garfunkel, no mítico festival de Monterey, 1967, o GRANDE ano da música. The Summer of Love. Os Mamas and Papas, outro amor igual de tão grande que é, também lá cantaram. Eu devia ter nascido doze anos mais cedo.  Fiz as contas, bastavam doze.


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Do I see a pattern?

Acontecimentos recentes na blogosfera trouxeram-me à memória o inefável Assurancetourix, bardo da irredutível aldeia gaulesa, aquele que na cena final de cada livro, a do banquete, fica sempre algures, amarrado e amordaçado, já que ninguém o pode ouvir.

Segundo a definição que Goscinny nos dá da personagem, as opiniões sobre ele dividem-se: ele considera-se genial, todos os outros o acham abominável.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A Vénus de Milo reinterpretada


Venus Sevilhana Scarlettjohanssing com Abanico e Castanholas

A Luna levou a sério o meu prémio. Inspirando-se na história que contei antes e, fazendo uso dos seus nunca demasiado gabados talentos com o Paint, traz-nos uma surpreendente abordagem da Vénus de Milo. Uma Vénus toda salerosa, pronta a sair por aí de abanico y castañuelas, bailando por sevillanas.

Obrigada, Luna! Que grande prémio! Enfia aquele telefone piroso cuja marca me recuso a referir aqui em qualquer caixote de lixo!