segunda-feira, 22 de agosto de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Agatha dearest
«One knows that an author has been well loved if, when he or she dies, fans wish there was one more book left for them to read; no one is more deserving of such an accolade than Agatha Christie.»
Estas são as linhas finais de um livro que li há pouco tempo, graças à I., já que lhe desconhecia a existência, e que me apaixonou: Agatha Christie and the Eleven Missing Days, de Jared Cade.
Tanto a I. como eu achámos o livro apaixonante e (palavras dela em privado, com as quais concordo integralmente), escrito com muito carinho e humanidade. Eu vou um bocadinho mais longe: acho que o livro é uma soberba biografia. Para devotas da obra de Agatha Christie como nós, juntou muitas pontas soltas, pontas muito dolorosas para a escritora, coisas que nem sequer remotamente aflorou na sua autobiografia (cuja leitura, ainda assim, recomendo).
Muitas vezes, ao reler Agatha Christie (sim, eu releio-lhe os livros), tropecei na sua imensa compaixão por amores desesperados, nas descrições que intuí serem quase pessoais. À cabeça ponho a Elinor de Sad Cypress (em português Poirot Salva o Criminoso), senti que havia ali muito do seu imenso amor pelo primeiro marido, Archie; ponho também a Elsa de Five Little Pigs (Poirot Desvenda o Passado), que me parece um exercício quase catártico. Outras personagens há. Até no ciúme feroz e orgulhoso de Mary Cavendish, no seu primeiro livro, poderíamos já encontrar pistas para o seu trágico primeiro casamento.
À medida que vou envelhecendo, os livros de Agatha Christie vão-me sendo ainda mais queridos. Comecei a lê-la aos 16 anos, incitada pelo D., o meu namorado. A Colecção Vampiro Gigante, que ia publicar a sua obra integral por ordem cronológica, tinha acabado de ser lançada. Um livro novo de três em três meses, dei comigo a desejar que aquilo se prolongasse muito mais, não queria o dia em que já não houvesse um livro novo para ler.
Outras palavras de Jared Cade que me tocaram muito, por perceber muito bem aquilo de que ele fala, aquela nostalgia de um tempo perdido:
«Agatha was destined to be known as the disappearing novelist in more ways than one; much of the world she knew and wrote about has almost completely vanished: a world of chauffeured Daimlers and Bentleys, solvent aristocracy and stately homes.» — a isto voltarei amanhã, a propósito de Miss Marple.
Não foi fácil encontrar um retrato de Agatha Christie para pôr aqui, um retrato que lhe fizesse justiça, o mais provável é que fosse apenas pouco fotogénica. Jared Cade é peremptório, era uma mulher muito atraente e com grande encanto, foi-o até depois dos 40 anos, quase até aos 50, repete-o várias vezes ao longo do livro.
E agora temos um novo destino de sonho, a I. e eu: Greenway.
Mais, muito mais haveria a dizer sobre Agatha Christie. Acho que fica para outro dia, tão cansada me sinto.
Recado para a Charlotte: corre a comprar o livro. É uma autêntica biografia. E das melhores.
Apontamento à margem: este retrato de Agatha Christie é de 1926, o ano da grande tempestade, que só detonou em grande em Dezembro. Aposto que o casaco de malha que Agatha veste era de Archie: abotoa ao contrário, à homem.
Apontamento à margem: este retrato de Agatha Christie é de 1926, o ano da grande tempestade, que só detonou em grande em Dezembro. Aposto que o casaco de malha que Agatha veste era de Archie: abotoa ao contrário, à homem.
sábado, 13 de agosto de 2011
Que diabo?
Há coisas em que sou muito esquisita. Gosto de ter tudo organizadinho, tudo bonitinho. E isso também passa pelo meu iPod. Gosto que as músicas sejam acompanhadas pela capa do disco. Manias, pronto. Ora, por qualquer misterioso capricho divino, nem sempre o iTunes me encontra automaticamente as capas (e outras vezes encontra-me capas disparatadas). Fico irritada e ponho-as à pata. Quem não tem cão caça com girafa, assunto resolvido.
Ora hoje reparei que nem numa única das faixas de Jesus Christ Superstar, essa obra-prima de Andrew Lloyd Weber, que nunca mais fez nada à altura, aparecia a capa. Toca a ir buscá-la. E, claro, abri o primeiro resultado que me apareceu no Google, para gravar a imagem, e que foi esta página. Imaginem agora a minha cara de parva quando dei com a publicidade. Agência Funerária Ponte de Lousa?!
Escolho para banda sonora aquela que é, para mim (como é para o Vítor, como era para o Nuno) a melhor música da obra, basta ouvir a extraordinária letra de Tim Rice. um dia destes tenho de falar mais alongadamente de Jesus Christ Superstar, e de como uma obra tão pouco ortodoxa alargou a minha visão dos Evangelhos, aos 14 anos.
My mind is clearer now
At last
All too well
I can see
Where we all
Soon will be
If you strip away
The myth
From the man
You will see
Where we all
Soon will be
Jesus!
You've started to believe
The things they say of you
You really do believe
This talk of God is true
And all the good you've done
Will soon be swept away
You've begun to matter more
Than the things you say
Listen Jesus
I don't like what I see
All I ask is that you listen to me
And remember
I've been your right hand man all along
You have set them all on fire
They think they've found the new Messiah
And they'll hurt you when they find they're wrong
I remember when this whole thing began
No talk of God then, we called you a man
And believe me
My admiration for you hasn't died
But every word you say today
Gets twisted 'round some other way
And they'll hurt you if they think you've lied
Nazareth's most famous son
Should have stayed a great unknown
Like his father carving wood
He'd have made good
Tables, chairs and oaken chests
Would have suited Jesus best
He'd have caused nobody harm
No one alarm
Listen Jesus, do you care for your race?
Don't you see we must keep in our place?
We are occupied
Have you forgotten how put down we are?
I am frightened by the crowd
For we are getting much too loud
And they'll crush us if we go too far
If we go too far
Listen Jesus to the warning I give
Please remember that I want us to live
But it's sad to see our chances weakening with ev'ry hour
All your followers are blind
Too much heaven on their minds
It was beautiful, but now it's sour
Yes it's all gone sour
Ah --- ah ah ah --- ah
God Jesus, it's all gone sour
Listen Jesus to the warning I give
Please remember that I want us to live
So come on, come on, listen to me.
Ah --- ah
Come on, listen, listen to me.
Come on and listen to me.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Um enorme aplauso
Esta noite, no programa de Ellen DeGeneres, apareceu como convidado Graeme Taylor, um miúdo de 14 anos que me deixou boquiaberta de admiração.
Jay McDowell, professor de Economia da sua escola de Ann Arbor, Michigan, foi suspenso sem vencimento por ter expulsado da aula um aluno que fez violentos comentários homófobos. Graeme saltou em sua defesa no conselho escolar. Vale mesmo a pena ver o filme abaixo, porque regista parte dessa sua intervenção, bem como a sua participação no programa de Ellen.
Fiquei maravilhada com a clareza de raciocínio, a mente perfeitamente estruturada e a limpidez articuladíssima do discurso deste adolescente de apenas 14 anos. Que vai ser, na certa, um grande Homem. Vai ser? Corrijo: já é um grande Homem.
Não percam.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Oprah's favourite things
Este programa anual e lendário foi o último, porque o show de Oprah já chegou ao fim nos Estados Unidos. Parece que as tentativas de subornos e cunhas para estar na assistência eram uma coisa de loucos — o próprio Brad Pitt terá uma vez telefonado a Oprah para tentar arranjar um bilhete para a mãe, segundo ela conta na edição em DVD dos vinte anos do show.
Só apanhei o programa de hoje já no fim, no momento em que Oprah dava a cada pessoa na assistência (julgo que costumam ser 300) o novo modelo do Carocha de 2012. A histeria foi a habitual.
De todos estes programas, o mais célebre foi o do início da temporada de 2004-2005. Estávamos em Miami de férias, o Vítor foi ao cybercafe da Collins para fazer alguns ajustamentos em reservas para restaurantes, eu aproveitei para me enfiar na sapataria da esquina. Nisto recebo um SMS dele: «Vem depressa ver a Oprah.» No café havia um plasma gigante e estava toda a gente suspensa a ver aquela enorme extravagância, não havia memória de coisa semelhante, foi a notícia de abertura de todos os telejornais pelo país fora: a assistência em peso recebeu um Pontiac do ano.
O que fiquei a saber há pouco tempo, quando li a biografia de Oprah por Kitty Kelley, foi que os tais carros não estavam isentos de taxas, que correriam por conta dos premiados, e que ascendiam a sete mil dólares, uma verba que a maior parte dos presentes, quase todos professores, não podia pagar. Muitos não puderam levar os carros, outros levaram-nos, venderam-nos, pagaram as taxas e ficaram com a diferença. Gostava de saber como terá sido desta vez.
O que fiquei a saber há pouco tempo, quando li a biografia de Oprah por Kitty Kelley, foi que os tais carros não estavam isentos de taxas, que correriam por conta dos premiados, e que ascendiam a sete mil dólares, uma verba que a maior parte dos presentes, quase todos professores, não podia pagar. Muitos não puderam levar os carros, outros levaram-nos, venderam-nos, pagaram as taxas e ficaram com a diferença. Gostava de saber como terá sido desta vez.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
R.I.P. Roselle
A adorável Roselle, grande heroína do 11 de Setembro, morreu a 26 de Junho passado, com 13 anos (notícia aqui).
Já antes falei dela, de como a sua teimosia salvou a vida do dono, cego, guiando-o (e a mais pessoas) na descida de pesadelo de setenta e oito andares, rumo à vida, minutos antes do desmoronamento da Torre Norte, a que assistimos em directo.
Rest in peace, lovely Roselle.
Até que o divórcio nos separe
Ontem, em mais um episódio de Desperate Housewives (já foi anunciado que a próxima temporada será a última), Lynette e Tom Scavo separaram-se, ao fim de mais de vinte anos de casamento. O que me fez lembrar uma conversa tida há dias ao almoço com a minha amiga Luísa.
Debatíamos como ultimamente era grande o número de casamentos de muitos anos que chegam ao fim. Entre as nossas amizades são imensos. Quando fui ao primeiro jantar trimestral do meu grupo do Liceu, em 1996 (os jantares tinham começado no ano anterior), éramos 18, só três de nós não éramos casados. Os casados, a esmagadora maioria, já levavam quase todos mais de dez anos de casamento em cima e não havia um único divórcio. Agora, quinze anos passados, é raro que a cada novo jantar não fique a saber de mais uma separação. Com algumas histórias tétricas pelo meio, a começar na mulher encantadora de um de nós, com quem eu, mesmo sem a conhecer, acabava por ter grandes conversas ao telefone quando ligava para o marido, e que sem dizer água vai, quando percebeu que a separação estava por dias, se apressou a limpar-lhe uns largos milhares de contos de uma conta conjunta. O meu amigo andou uns bons três ou quatro anos para se reequilibrar financeiramente. Ela, no meio disto tudo, quase todas as noites se enfiava no carro e ia parar discretamente perto do prédio para onde ele se tinha mudado, a vigiar as entradas e saídas, e se havia luz nas janelas — e sei isto confessado pela própria, de uma vez em que me telefonou. Há uma história caricata de divórcio e recasamento, e nova separação (já estão novamente juntos, mas desta vez não casaram). Há o caso do meu amigo que descobriu que a mulher andava a traí-lo com o melhor amigo (um clássico), que ainda por cima era patrão dela. O Vítor e a mulher, durante tantos anos o casal mais feliz e harmonioso que alguma vez conheci, separaram-se ao fim de 24 anos. Há casos de graves crises que iam desembocando em divórcio, mas que conseguiram ser superadas, só não se sabe até quando. Mas a verdade é que as separações vão sendo cada vez mais frequentes no nosso grupo.
Claro que há casamentos que me parecem muito sólidos, como os da São, da Clara, da Vanda, da Eunice ou do António. Há o caso único do Helder e da outra Eunice do nosso grupo, namoro começado ainda no Liceu e casamento que dura até hoje. E é uma delícia conversar com cada um em separado e ver e ouvir o carinho, a admiração e a consideração com que cada um fala do outro. Ainda há coisa de dois meses o Helder veio almoçar comigo (trabalha muito perto do Colosso) e, falando dos problemas de saúde dos pais, uma situação complicada de gerir, me dizia coisas enternecedoras como "não imaginas como a Eunice é extraordinária, o jeito, a meiguice e a paciência que tem para os meus pais!" Faz bem à alma ouvir coisas destas. Como faz bem à alma pensar na história da Leninha e do João, que já contei aqui e aqui. O divórcio da Leninha, ao fim de 18 anos de casamento, foi dos primeiros divórcios tardios do nosso grupo. Quatro anos depois ela e o João reencontravam-se e estão quase a completar um ano de casados.
O fim de qualquer relação entristece-me sempre. Traz consigo sofrimento para as duas partes, sofrimento para os filhos. E era isso que eu debatia naquele almoço com a Luísa, ela própria casada há vinte e muitos anos, a admitir francamente que nem sempre era fácil, que havia altos e baixos, necessidade de muita compreensão, de muitas concessões, de muita paciência. Pode ser isso que falha e que acaba por ditar tantos divórcios. Ou então, hipótese que também equacionámos, chega-se à conclusão de que aquela relação há muito que não é satisfatória, que não chega, que não preenche. Os filhos já estão crescidos e vivem as suas próprias vidas. Quer-se mais, talvez emoção, talvez entusiasmo, qualquer coisa que já não se tem e se quer voltar a ter, enquanto há tempo, antes que seja demasiado tarde.
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