domingo, 31 de julho de 2011

Ainda sobre Anne Frank


Recomendo vivamente este filme, que comprei há dois ou três anos. Em 159 críticas na Amazon, 133 dão-lhe cinco estrelas, as restantes dão-lhe quatro. So many people can't be wrong.

Transcrevo esta, muito eloquente:

154 of 158 people found the following review helpful:
5.0 out of 5 stars Our Anne, April 18, 2004
This review is from: Anne Frank - The Whole Story (DVD)
«As i write this review, this film is just finishing up, and I must say, this is one of the most moving accounts of Anne Frank that I've seen to date. We all know the story of Anne Frank, how it started, and what a complete tragic end of her life; and more importantly, what hope she brought to the world that killed her. This film is a remarkable, incredible retelling of the life of Anne Frank.

The reasons why this film soars, aboslutely soars, are numerous. First, the film tells the complete story, from before the Franks hid in the Annex, until her final days in the concentration camp. Whereas some films tend to linger solely on Anne's days in the Annex, this wider focus gives us the larger picture. Anne's time in captivity is heart wrenching; we have fallen in love with the tempestuous, darling girl and to see her solely fade away is devastating. It serves as a testament both to the millions lost, and the one girl that would write a book to change the world.

Secondly, the performances in this movie are amazing. Ben Kingsley and Brenda Blethyn lend their star-stature names to this project, and turn in performances that are real and dignified. Favorite Lili Taylor, who is one of America's most talented actressses, gives a quiet, powerful performance as Miep Gies. It's Hannah Taylor Gorden, as Anne, brings Anne to life with complexity and grace. Gordon honors Anne in every scene, never deifying the girl, but making her real, human. She even writes the way Anne did, holding the pen as Anne would have held it. That attention to detail does not go unnoticed by those of us who love Anne. It was a perfect match of actress and role.

Third, this film is visually beautiful. Often, you expect a "lower" standard of technical excellence in a television film. Rightfully so, ABC and the director, Robert Dornhelm, give this film a professional style. There are several scenes where you are just in awe, apart from the incredible story.

It was sad for me to learn that this film was not endorsed by the Anne Frank Foundation, because the film was based on a biography not approved by the foundation. Whereas I think its important to have the Foundation so Anne's life can be told in a honest way, they should have seen the film before making a judgment. This movie is a beautiful testament to a beautiful life, and it should be free from any political wranglings like this.

By the final scene, when Miep gives Otto Frank his daughter's diary, and he travels back into the Annex to look at it, my heart was breaking. Anne didn't live to see the effect she'd have on the world, but I think for all of us, we have adopted Anne as our own daughter or sister. She belongs to the world now, and we are responsible to take care of her, to make sure her story is told generation after generation, to honor her life by ensuring nothing like this ever happens in history again.»

I ♥ Amazon


No Verão de 1984 encontrei na Livraria Férin um livro em francês que me deixou fascinada. Folheei-o por uma boa meia hora. Sustentava a teoria de que o Diário de Anne Frank não passava de uma fraude grosseira, uma fabricação posterior à guerra. Parecia profusamente documentado, com fotografias de caligrafias diferentes (mesmo muito diferentes) que surgem no manuscrito do diário. Infelizmente era caríssimo, três contos certos, lembro-me perfeitamente, isto numa época em que o preço médio de um livro devia andar entre os duzentos e os trezentos escudos (sim, entre um euro e um euro e meio, leram bem).

Estupidamente, coisa que nem parece minha, esqueci-me tanto do título do livro como do nome do autor. Mais tarde voltaria à Férin, interrogaria os empregados. Nenhum se lembrava, não souberam dar-me qualquer informação. Rumei à que era a catedral dos livros estrangeiros, a Buchholz, onde as empregadas eram sempre um poço de conhecimento. Os resultados foram iguais. Pesquisámos catálogos, fizemos buscas temáticas. Nada.

Anos mais tarde, viria a fazer muitas buscas na internet, nunca descobri que livro seria aquele. Há poucas semanas, graças ao documentário sobre o pai de Anne de que aqui falei (e que já me chegou), suspeitei de que o autor poderia ser Meyer Levin, sendo o livro que eu folheei uma tradução para o francês. Corri a investigá-lo, mas não também não é ele, não obstante a sua notória obsessão por Anne Frank e pelo pai, que deu aliás um livro que me parece interessantíssimo e que, obviamente, já está no meu sempre cheio carrinho de compras da Amazon (muitas páginas, nem queiram saber), para encomendar um dia destes.

A verdade é que algures nos anos 70 ou já nos 80 surgiu grande polémica sobre a autenticidade do diário.  O Instituto Estatal Holandês para os Documentos de Guerra procedeu a um rigoroso e monumental estudo do diário, que resultou neste calhamaço (719 páginas quase A4 em letra miudinha) que vêem na imagem. Há muito que o livro andava lá, no tal atafulhado carrinho de compras. Adiava sempre a encomenda por ser francamente caro, chegou a custar mais de 60 dólares numa época em que o valor do dólar  era superior ao do euro. Se somarmos a isso o IVA, os portes e a desagradável possibilidade de ter de pagar alfândega, percebe-se que a compra fosse sempre adiada.  Mas há duas semanas encontrei-o na Amazon britânica a preço mesmo muito convidativo e não hesitei mais. Em segunda mão e como novo, ninguém diria que alguma vez foi aberto. Gotta love Amazon!

Acresce que creio ser esta a primeira publicação integral do diário, com a inclusão de passagens omitidas por decisão do pai de Anne, ora por serem bastante duras para com a mãe, ora por falarem muito explicitamente do seu amadurecimento físico e da sexualidade.

A ir lendo aos poucos.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

What goes around...

... comes around.

Nunca tive qualquer simpatia pelo ex-presidente George Bush filho (o mesmo não posso dizer em relação ao pai, apesar de ser republicano).

Ainda assim, há pouco escangalhei-me a rir com uma história que ele contou no programa de Oprah. A sua presença era claramente para promover o seu livro autobiográfico Decision Points, e foi franco na medida do possível. Questionado por Oprah em relação ao seu antigo problema com o álcool e à sua decisão de parar de beber aos 40 anos, julgo que este terá sido um dos momentos mais honestos do programa. George Bush admitiu o problema: mesmo não andando propriamente aos tropeções, o álcool começava a afectar-lhe a vida, o casamento, a relação com as filhas. E depois, certa noite, num jantar, sentado ao lado de uma encantadora senhora na casa dos 50, e porque já estava suficientemente entornado para ter começado a perder aquela parte do cérebro que censura a fala, perguntou-lhe de chofre como era o sexo depois dos 50. O pai, a mãe e a mulher, que ouviram a pergunta, ficaram gelados. E, evidentemente, não gostaram nada. A senhora ficou tão embaraçada que deve ter descoberto de repente que tinha uma malha numa meia e que urgia ir à casa de banho.

Uns anos depois, copos para trás das costas (alguma vez viram fotografias dele em novinho? Such a cutie pie!), já governador do Texas, fez 50 anos. E recebeu um cartão, amoroso, da senhora do jantar de uns anos antes, lacónico e justiceiro: «What's the answer?» 

É a tal coisa, as mós de Deus moem devagar, mas moem finíssimo.

Sobre a biografia de Oprah, que acabei de ler anteontem, a ver se falo amanhã ou depois. Material muito interessante.


Ando nisto desde ontem


É que não consigo olhar para esta fotografia sem desatar a rir. E quanto mais olho mais rio.

Daqui, escusado será dizer.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Outros tempos

Ontem à noite, a meio da leitura da biografia de Oprah Winfrey por Kitty Kelley (leitura muito-muito interessante, acrescento), fui consultar o índice remissivo, razoavelmente breve para um livro de 500 e tal páginas. E lembrei-me de uma história muito antiga, e de um trabalho que foi um autêntico pesadelo.

O índice remissivo, quando existe, é a última coisa a fazer em qualquer livro, porque só pode ser feito depois de a paginação estar na forma definitiva e de o texto estar fixado. Como tal, sobra normalmente para o revisor. É um pincel do pior, mas é trabalho que tem de ser feito, e não há volta a dar-lhe. 

As editoras que ainda vão tendo algum brio fazem normalmente duas saídas de provas. A primeira é enviada ao revisor ainda em Word, para que ele possa corrigir directamente no documento (normalmente com track changes, para eventual verificação de dúvidas). As segundas provas vêm já em PDF e são corrigidas no papel, acompanhadas daqueles sinais que parecem quase um código secreto, e que os revisores e os gráficos tão bem conhecem — tirar espaço, dar espaço, troca de letras, caixa alta, caixa baixa, itálico, etc. E é fatal como o destino: na leitura em papel encontramos sempre erros que nem percebemos como nos escaparam na primeira, no ecrã. Só depois disto, e de a gráfica inserir as novas correcções e reenviar o livro, se passa ao índice remissivo. Hoje em dia, apesar de maçador, muito maçador, é um trabalho muito fácil: é só localizar cada nome com as teclas Ctrl + F e a seguir escrever à frente todos os números de página em que surgem.

Agora imaginem este trabalho há quase vinte anos, quando tudo se fazia em papel. Pior ainda, imaginem isto num livro de 930 páginas como as Memórias de Margaret Thatcher editadas pela Bertrand em 1994. E imaginem a quantidade de pessoas nelas citadas. Muitas e muitas páginas de índice remissivo. Só para Ronald Reagan devia haver mais de 50 entradas. Era um trabalho hercúleo, de dar em doido, e era mais seguro que fosse feito por duas pessoas, a cruzarem a informação entre si. Foi assim que eu e o editor da Bertrand passámos um fim-de-semana inteiro em casa dele de volta do maldito índice, a mulher dele a trazer-nos eventuais cafés e refrescos, que estava um calor dos diabos.

Quais teclas Ctrl + F, quais quê! Papelinho, meus amigos, papelinho! Um tinha o original do livro, o outro as provas, de vez em quando trocávamos. Era preciso localizar todas as entradas para cada nome na tradução. Ora o texto português é sempre mais extenso: se um nome aparecia na página 40 do original, isso queria dizer que na versão portuguesa estaria na 41 ou 42, pelo menos. E isto entrada após entrada, nome após nome, num trabalho interminável que nos consumiu dois dias e doses de paciência para um mês inteiro.

Infelizmente já não tenho o livro, um ex-namorado achou que ia abrilhantar-lhe a estante e ficou-me com ele. Tal como me ficou com a Correspondência com Marcello Caetano, do Prof. Veríssimo Serrão, que tinha uma dedicatória gentilíssima, encantadora, do autor, a agradecer-me a colaboração e o trabalho. A coisa é tão mais idiota quando penso que de certeza o usurpador nunca abriu nem um nem outro.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

I ♥ books

Acho que nunca contei aqui que tenho verdadeiro ódio a centros comerciais, e quanto maiores forem mais a coisa agrava, porque maiores são as probabilidades de vermos uma interminável sucessão das mesmas lojas. Quando vivia em Sintra, por exemplo, só ia ao CascaiShopping em caso de extrema necessidade, para ir a uma loja específica, que normalmente era a Worten, mais raramente a Fnac. E planificava a ida de forma a chegar ao meu objectivo pela via mais directa: parava o carro no parque de estacionamento de cima, entrava pela Sport Zone, descia nas escadas rolantes e desembocava mesmo onde queria. Compras feitas, era só repetir o percurso em sentido inverso, sem deitar sequer um olhar em volta.

Na semana passada tive mesmo de ir ao Colombo (pesadelo!), o meu perfume e o Terracota da Guerlain, fiel auxiliar de composição de um ar apresentável há longos anos, tinham acabado. Ainda por cima calhava bem, tinha recebido um SMS da Companhia dos Perfumes a dizer que estavam com promoções de 20%. Procedimento igual, entrada pela porta que me permite acesso mais directo, ida à loja, compra feita, regresso a casa. Bem sei que estava tudo em saldos e que no meu caminho, mesmo o mais curto possível, até passei por lojas. Não olhei para uma única montra. Suspeito que esta minha característica não seja lá muito feminina. Paciência.

Em contrapartida, ontem entrei numa livraria. Gosto, sempre gostei de livrarias. Nos anos do Liceu, quantas horas passadas na Bertrand da Estefânia a folhear livros, a conversar com um empregado cuja cara ainda lembro! Anos mais tarde, quando comecei a trabalhar, a minha Mãe dizia a rir que sabia sempre o dia em que eu recebia o ordenado, porque entrava em casa carregada de livros. Ora acontece que ontem tinha combinado jantar no Aya com um amigo. Uma reunião a demorar mais do que o previsto fê-lo atrasar-se e deu-me uma meia hora para gastar. As Torres Gémeas (nem me perguntem o que acho do nome) têm uma livraria Bulhosa, lá me enfiei.

Acreditem ou não, havia muito tempo que não entrava numa livraria, a Amazon é a minha mais querida amiga. Fiquei surpreendida com a enorme quaantidade de livros delicodoces com títulos românticos. Se são tantos, a única conclusão a chegar é que aquilo vende. Reparei também na variedade de livros com supostas maneiras de enfrentar a crise actual em exposição numa das montras. 

Fiquei contente por ver que há uma nova edição, de ar apetecível, de um grande livro, Os Buddenbrook, o meu favorito de Thomas Mann. Vi muitos volumes de ar fresco e reeditado da minha querida colecção Dois Mundos, que tantos grandes autores me deu a conhecer entre os dez e os vinte anos. Esses anos da dezena são de certeza os mais fecundos na vida de quem ama a a leitura e os livros.Para mim foram, e sei que nunca mais voltarei a ler tanto e durante tantas horas como nesse tempo, cujo apogeu deve ter-se situado entre os 14 e os 17 anos. O que eu li nessa idade, santo Deus!

Já ao balcão, enquanto o empregado procurava no computador informação sobre os livros da Cristina Torrão, reparei num livro, ali à mão de semear, já na caixa, suponho que o princípio seja o mesmo que põe as revistas mais idiotas na zona das caixas dos supermercados (nos Estados Unidos são os tablóides). O livro era este. Revirei os olhos. Folheei-o. O autor, Rodrigo Freixo, é pessoa de grandes qualidades e competências, segundo incensa uma das badanas. Um bom português é que não está entre elas, já que em coisa de um minuto encontrei três asneiras graves (e isto só a folhear, meus amigos!). Um "houvessem" (página 77); um "quanto muito" (é quando muito); um "do" que era obrigatoriamente "de o". Mesmo ao lado estava outro livro sobre o mesmo assunto, de autor diferente. Tive medo de lhe pegar, estava já suficientemente traumatizada.

Mas fiz compras, pronto.

Foi irresistível. Uma bela edição encadernada com toda a poesia,
ainda embrulhada num celofane protector.


Eu e as biografias, pronto. Expliquem-me só que disparate de capa é este. Tive de verificar na contracapa para me certificar de que era mesmo uma biografia da lendária rainha do Egipto.



É mais forte do que eu, pronto. Não há volta a dar-lhe, tenho paixão por biografias. Esta tem uma história curiosa. Foi o primeiro livro em que peguei ao entrar na livraria. Edição portuguesa, brochada (esta). O preço? € 27,50. Então não, coração! Nota mental: ver na Amazon. Óbvio, não? Já a caminho da caixa para pagar os outros dois, vejo de repente a edição original americana. Encadernada, este apetite que se vê na imagem, com mais fotografias. Por € 25,00. 

Como ainda me foi feito um desconto mais simbólico do que simpático (acho que retiraram uns 9% ao valor das compras), não vou consumir-me em arrependimento. Mas uma coisa é certa: tão cedo não volto a comprar livros em Portugal.

Para rematar o assunto, chegaram-me ontem pelo correio dois livros oferecidos pela Presença no Facebook, só paguei os portes de envio, menos de três euros. Mais gente que aderiu à iniciativa na mesma altura deve estar a receber os seus: a Madalena, o Abel, a T do Dias que voam, a Alexandra. Pena é que os títulos disponíveis fossem poucos, acabei por fixar-me nestes. Foram baratos, pronto, estou desculpada?


quinta-feira, 21 de julho de 2011

To Maria with love

Tenho há muitos anos numa pasta caricatamente chamada Indelitáveis este anúncio a uma marca de insecticida da Costa do Marfim chamada... Super Timor. O anúncio circulou pela Internet lá por 1999 e foi um enorme sucesso.



Boa viagem, Maria, e dá-nos notícias!