domingo, 17 de julho de 2011

O Abel e o seu livro na RTP Memória

Foi há uma semana, mais concretamente no dia 9 deste mês, a propósito de uma retrospectiva do grande cinema musical americano, que é outra paixão dele. E o Abel esteve no estúdio como convidado para falar de Um Americano em Paris.

Vale a pena ver, confiem em mim.

Faltam os minutos iniciais da entrevista, por falha técnica. Quando os tivermos, cá virá parar a peça completa.

 




sexta-feira, 15 de julho de 2011

As good as new

Chegou. Nunca encomendo um único artigo, prefiro juntar dois ou três, o suficiente para perfazer as 25 libras que me isentam de portes de envio. Juntei este e o de Sondheim na mesma encomenda.

Hardcover, como eu gosto. Em muito bom estado, diz o honesto vendedor. O preço está à direita, se carregarem na imagem conseguem vê-lo. E, de caminho, perceber por que é cada vez mais raro eu comprar livros em Portugal. José Rodrigues dos Santos a vinte e tal euros? Nem dado, quanto mais por esse preço!

Em muito bom estado? Está como novo!

Obrigada pela sugestão, I.!


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Chegou!


E eu não podia estar mais feliz. Uma edição de luxo, linda, linda! Gosto mais da minha capa, esta que vêem na imagem, mas as maravilhosas críticas estão aqui, na outra edição. Stephen Sondheim é provavelmente o maior génio do teatro musical do século XX, e é um dos homens da minha vida. I love you, Mr Sondheim!


Medicina caseira

No café dois prédios adiante do meu há muitas pessoas que conheço de vista e a quem cumprimento sem saber senão dois ou três nomes, os dos que têm bichos. Esta manhã, estava ao balcão a beber o meu café quando entra uma senhora que me aborda com um ar radiante, a mostrar-me uma mão onde há pouco tempo havia uma verruga: «Nem acredito! O seu tratamento resultou mesmo! Nem sinais dela, está a ver?» E rimos ambas com gosto.

Pois é, meus amigos, eu tenho um remédio caseiro, milagroso e infalível para as verrugas. Podem rir para aí à vontadinha e duvidar, o que vos garanto é que funciona. Só não me perguntem como nem porquê.

Teria eu uns sete ou oito anos e estávamos de férias em S. Martinho (não pode ter sido mais tarde, porque ainda existia o Café Tábuas, que já só os mais velhos do que eu provavelmente lembrarão), a minha Mãe descobriu que lhe tinha aparecido uma verruga numa mão. A meio da manhã, num daqueles momentos de sornice que se seguiam a um dos muitos banhos diários, os miúdos entretidos com leituras diversas, eu provavelmente agarrada a um livro dos Cinco comprado no Coxo da rua dos cafés, as senhoras ocupadas com as agulhas de malha ou de renda, a minha Mãe levantou-se e anunciou que ia à farmácia, a ver se lhe receitavam alguma coisa para aquela verruga horrorosa que lhe tinha aparecido. Um dos nossos vizinhos de barraca, médico, pediu para ver. Com um sorriso meio embaraçado, deu-lhe um conselho surpreendente. Não valia a pena ir à farmácia, iam receitar-lhe nitrato de prata, ou lá o que era, uma coisa que queimava e deixava a mão muito feia. O que ela ia fazer era, todas as manhãs, em jejum, molhar um dedo em saliva e esfregá-lo na verruga. Ficou a minha mãe estarrecida e ficou toda a gente em volta (ah, que saudades dessas férias de infância, os vizinhos de barraca os mesmos de ano para ano, os anos a desdobrarem-se numa continuidade serena e feliz!). Mas o homem era médico, que diabo! E mal não fazia. Pouco convencida, e acho que mais para ser amável do que outra coisa qualquer, a minha Mãe seguiu o conselho. E o raio da verruga desapareceu como por artes mágicas em coisa de uma semana.

Há uns vinte anos, estava a minha irmã casada havia pouco tempo, apareceu também uma verruga ao meu cunhado. Foi à farmácia, receitaram-lhe o usual para aquilo, a verruga não só não desaparecia como lhe doía imenso e aquilo estava com um aspecto muito feio. Num almoço de fim-de-semana o assunto veio à baila e a minha Mãe lembrou-se da velha receita milagrosa. O meu cunhado riu, fez imensa troça. Eu era a única a lembrar-se daquele episódio tão antigo, claro, a Ana à época tinha um ou dois anos, e garanti-lhe que era verdade. Como não tinha nada a perder, ele lá se decidiu a experimentar. Suponho que já estejam a calcular o que aconteceu à verruga. Pois é, meus amigos: foi-se.

Uns anos mais tarde, foi a minha vez. Nasceu-me uma verruga na base da unha do polegar direito. Minúscula a princípio, cedo começou a alastrar para os lados e a cobrir toda a raiz da unha. Coisa mesmo feia de ver, tão feia que ganhei o tique de tapar o dedo com o indicador, como quem faz uma figa. E é curioso como esquecemos certas coisa: nem sequer me lembrei da velha receita do nosso vizinho médico de S. Martinho. Foi a minha Mãe, uma vez mais, que ma lembrou. Todas as manhãs, mal acordava, ainda na cama, lá molhava eu um dedo em saliva e esfregava diligentemente aquela excrescência que tanto me incomodava. O resultado foi o de sempre, o mesmo sucesso absoluto. A verruga, que na verdade já eram várias, miúdas e coladas umas às outras, desapareceu em pouco mais de uma semana.

Suponho que esta receita tenha algo que ver com algum suco gástrico activo quando ainda em jejum, não faço ideia. A explicação não me interessa grandemente, só me interessa a eficácia, que é total. Assim, e confiem em mim: se vos aparecer uma verruga, ou a alguém que conheçam, deixem-se cá de modernos tratamentos de azoto e coisas similares que vos custarão uma pipa de massa num consultório de um bom dermatologista. Saliva, a vossa própria saliva, em jejum. E depois contem-me.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O incomparável Oscar Wilde

Ontem à noite peguei na que é a minha biografia favorita de Oscar Wilde, a de H. Montgomery Hyde

O que este livro já viajou! Oferecido, foi comprado no Canadá, julgo que em Toronto. Acompanhou-me logo de seguida para umas férias em Barcelona e reservei a leitura, a primeira de muitas, para a lânguida semana numa praia  da Costa Brava. Quando pego nele vêm-me imediatamente à memória manhãs de sol luminoso, areia clara e mar morno, tão fortes são as impressões que o primeiro contacto com um grande livro deixa em nós. E lembro-me de rir baixinho, de me emocionar, de me entristecer, de ler alto passagens ao M., também ele, por contágio, já rendido ao sortilégio de Oscar Wilde.

Do Algarve a Nova Iorque e Miami, passando por Londres e Paris ou Denver, esta biografia já andou comigo um pouco por toda a parte.

Ontem, ao folheá-la, tentando decidir em que parte havia de fixar-me, tropecei numa das minhas histórias favoritas de Oscar Wilde.

Quem o conheceu é categórico: o espírito borbulhante e irreverente que perpassa nas peças e em Dorian Gray era quase pálido se comparado com  a conversação de Oscar Wilde. Era brilhante, fascinava pela graça, pelo humor, pelo paradoxo. De tal forma que o Marquês de Queensberry, pai de Bosie e autor da sua desgraça e infâmia futuras, ficou positivamente encantado com ele ao conhecê-lo num almoço num Savoy de também muito tristes memórias. 

Vaidoso, Wilde sabia desse seu talento, e gabou-se num jantar de poder discorrer de imediato e com espírito sobre qualquer assunto que lhe propusessem. Alguém lhe lançou um repto: «The Queen.»

A resposta foi pronta, fulminante e deliciosa: «The Queen is not a subject.»

Gostava de poder acabar assim, mas convém deixar uma explicação para os menos familiarizados com o inglês e com o período da História que se vivia. Sua Majestade Imperial, a Rainha Vitória, reinava havia longos anos e tinha-se tornado uma figura venerada, uma verdadeira instituição (foi a senhora que disse «We are not amused»). Gracejar a seu respeito teria sido desrespeitador e de extremo mau gosto. Oscar Wilde resolveu a dificuldade num ápice, brincando com a palavra subject, que significa em simultâneo assunto e... súbdito.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce

Há pouco mais de um ano, a Maria contava-nos o seu sonho. Que não era bem um sonho, não era um mero castelo no ar à moda de Mofina Mendes, como tantos se vêem por aí: era um objectivo. E, como escrevi na altura e continuo a pensar, «a diferença entre um e outro reside no facto de que ter um objectivo passa por ter um plano para o pôr em prática. Não se fica a sonhar que nos sai o Euromilhões. Arregaçam-se as mangas e vai-se à luta, que para a frente é que é o caminho.»

Foi o que a Maria fez em todo este ano. É certo que foi amparada por uma enorme rede de afectos e de solidariedade, de gente a querer ajudar. O que não sei bem quantas pessoas poderão imaginar é todo o enorme esforço suplementar em horas arrancadas a um descanso muito merecido que este projecto lhe tem exigido ao longo de um ano. Eu sei, porque muitas vezes falámos sobre isso de viva voz. Outras pessoas sabem. Mas não todas. Durante mais de um ano a Maria tem tido a casa transformada num acampamento, deita-se altas horas da manhã (e quantas vezes falámos a horas incríveis) depois de ler e responder a mensagens, de vigiar as ofertas dos sucessivos leilões. Passagens diárias nos correios para expedir os artigos licitados, frequentemente com uma sensação de frustração quando as encomendas vinham devolvidas por irresponsabilidade de quem tinha licitado. Isto para não falar dos vencedores das licitações que depois desapareciam como desfeitos em fumo. De tudo isto foi feito este último ano da Maria.

Mas eis que, in a simple twist of fate, como cantou Bob Dylan numa das canções que me são mais queridas, todo o cenário em que a vida da Maria se equacionava dá uma surpreendente e enorme reviravolta. Tão grande, tão grande, que a leva para muito mais longe do que Bruges, a duas horas de avião, tão grande que a leva para o outro lado do mundo, para uma terra que já foi portuguesa. A Maria vai para Timor e eu, que há algum tempo, desde a primeira hora, sabia dessa extraordinária notícia, alegrei-me por ela e com ela. Tal como outras pessoas. Novos caminhos se desenham, imprevistos e abençoados, reafirmando a minha crença em que o esforço acaba por ser recompensado. Talvez afinal a Maria nem tenha de passar pelo Colégio da Europa, quem sabe? Talvez a Maria, depois deste voluntariado de seis meses, tenha a entrada pela porta grande facilitada na ONU, seu grande sonho de sempre. Com muito trabalho pelo meio, sabe-se, mas ela não é nem foi nunca mulher de se esquivar ao trabalho, antes se atirou sempre a ele com unhas e dentes. O futuro a Deus pertence e eu acredito que Ele reserva grandes coisas à Maria.

Uma única e grande mágoa: a impossibilidade de levar o Gato. E o que ela batalhou por isso! Mas ter um bicho não é diferente de ter um filho, pensa-se sempre nele e no seu bem-estar em primeiro lugar. O Gato fica bem, muito bem e muito mimado, tendo a sua custódia sido disputada por quatro pessoas diferentes. Eu própria me teria oferecido para o receber, não fosse ter já duas princesinhas voluntariosas que teimam em recusar qualquer convívio. Espero que em Timor a Maria tenha boa ligação à Internet, que possa ver diariamente o Gato pelo Skype para que ambos possam matar saudades. 

Minha querida Maria, não preciso de dizer como estou orgulhosa de ti, pois não?


Explicação: é uma música exultante e empolgante, que anuncia novos tempos, grandes conquistas. Deu a Carly Simon um muito merecido Oscar de melhor canção em 1988. Era a música que o Vítor me sugeria que pusesse aqui no dia da vitória de Barack Obama. Ponho-a hoje e escolho o mesmo título que dei a esse post de 5 de Novembro de 2008: Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. Acho muito apropriado.

Let the River Run 

We're coming to the edge,
Running on the water,
Coming through the fog,
Your sons and daughters.

Let the river run,
Let all the dreamers
Wake the nation.
Come, the New Jerusalem.

Silver cities rise,
The morning lights
The streets that meet them,
And sirens call them on
With a song.

It's asking for the taking.
Trembling, shaking.
Oh, my heart is aching.

We're coming to the edge,
Running on the water,
Coming through the fog,
Your sons and daughters.

We the great and small
Stand on a star
And blaze a trail of desire
Through the dark'ning dawn.

It's asking for the taking.
Come run with me now,
The sky is the color of blue
You've never even seen
In the eyes of your lover.

Oh, my heart is aching.
We're coming to the edge,
Running on the water,
Coming through the fog,
Your sons and daughters.

It's asking for the taking.
Trembling, shaking.
Oh, my heart is aching.

We're coming to the edge,
Running on the water,
Coming through the fog,
Your sons and daughters.

Let the river run,
Let all the dreamers
Wake the nation.
Come, the New Jerusalem.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Mais uma nomeação para o Oscar

Mesmo sem ver o filme, não é preciso ter artes de vidente para prever que Meryl Streep terá no próximo ano mais uma nomeação, a sua 17.ª nomeação, recorde absoluto. Como Margaret Thatcher, em The Iron Lady.



(informação recolhida em Enchanted Serenity of Period Films. Thanks, Charleybrown!)