quinta-feira, 30 de junho de 2011

Se não visse não acreditava


A publicidade automática que nos surge quando abrimos muitas páginas, na maior parte das vezes um engodo trapaceiro para nos arrancarem uns cêntimos ou uns euros, consoante a desfaçatez, desta vez deixou-me siderada.

É só ver o anúncio que me apareceu à direita, ao abrir esta página da revista Sábado. Pôr esta estupidez a votação para ganhar dinheiro já é macabro e de escroque. Que ainda por cima publicitem uma viagem como prémio ultrapassa tudo. Uma viagem aonde, já agora? Uma viagem só de ida, talvez?

O Zé Carlos, meu amigo do grupo do Liceu, filho do dono da que era a maior agência funerária do país, durante muito tempo lidou com algum embaraço com a profissão do pai. Depois aprendeu a contornar o assunto e em resposta ao clássico «o que é que o teu pai faz?» ouvi-lhe disparates de ir às lágrimas. As respostas que mais me faziam rir, as minhas favoritas, eram «tem uma agência de viagens de ida» e «tem um negócio de carnes frias».

Uma coisa é um adolescente brincar com a profissão do pai, antecipando-se a palavras como cangalheiro ou gato-pingado, que fatalmente ouviria  em piadas, e ficando em vantagem, por ser o primeiro a rir do assunto. Outra, muito diferente, é ganhar dinheiro desta maneira sórdida.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Publicidade genial


A imagem é daqui, como sempre (o que eu rio e me enterneço diariamente com este site!).

E fez-me lembrar um anúncio de uma companhia aérea americana, já não me lembro de qual, se a American Airlines, a Delta ou a extinta TWA,  visto há mais de vinte anos numa revista, julgo que a Time ou a Newsweek: «If you don't travel first class, your heirs will!»

Pelintrice

Quando a Chiara Ferragni faz um sorteio é para oferecer carteiras Givenchy ou outras coisas igualmente boas, e o procedimento é simples, geralmente seguir no Facebook a marca que oferece e deixar um comentário com endereço de e-mail.

Na blogosfera portuguesa só falta pedirem boletim de saúde em dia, vacinas para destinos exóticos incluídas. Ele é escrever frases, ele é seguir o blogue, ele é dar três voltas ao Rossio no sentido dos ponteiros do relógio, ele é responder a questionários que até erros de português têm. Se tamanha trabalheira compensa? Então não, justos céus? Claro que compensa. Que não estaremos nós dispostas a fazer para ganhar desodorizantes Rexona ou um kit de amostras do Boticário ou da Oriflame?

I left my heart in... (#2) Devils Tower

O Wyoming é um estado gigantesco, o 10.º maior dos Estados Unidos (quase três vezes o tamanho de Portugal) e o menos povoado de todos, ainda menos do que o Alasca. Apaixonei-me pelas suas estradas solitárias a perder de vista, pela paisagem rude a lembrar-nos mais uma vez como aquele enorme país está longe de ser a selva de pedra de que falam sempre os seus detractores e que é fora das grandes cidades que se encontra a alma da verdadeira América.

No dia 25 de Junho de 2008 (assim me diz o registo da máquina fotográfica) rumámos a Devils Tower, monumento nacional. Fizemos a clássica paragem para um café num Starbucks em Cheyenne, a capital do estado. A cidade impressionou-me por a ter achado diferente de todas as pequenas cidades americanas que já conheci. Pareceu-me melancólica, menos próspera, com alguma degradação mesmo nas belas moradias das avenidas centrais. Tudo muito limpo e arrumado, sim. Mas persistia uma sensação de abandono.

As fotografias que tenho de Devils Tower, que talvez lembrem de Encontros Imediatos do 3.º Grau, de Spielberg, não são grande coisa. É difícil fotografar aquela imensa mole de rocha e os seus estranhos arabescos, que se diria terem sido feitos por Deus com um garfo gigantesco. Julgo que estas duas serão das melhores:

Céus! Eu estava uma autêntica texuga!

Levámos mais de hora e meia para dar a volta completa à base. Há uma atmosfera especial, quase mística, caminhamos a falar muito baixo, a ver as centenas de pedacinhos de pano amarradas aos arbustos: Devils Tower é sagrada para várias tribos índias, razão pela qual no mês de Junho passou a ser interdita a escalada, para que as várias tribos possam fazer as suas cerimónias de culto em paz e sossego. O Vítor, que já lá tinha estado noutra altura do ano, disse-me que avistar dezenas de figurinhas do tamanho de formigas a trepar rocha acima era uma visão incrível, mas eu regozijo-me por a ter visto na sua pureza original.





As chapas de matrícula do Wyoming têm dois motivos: um cowboy num rodeo e Devils Tower, de tal maneira simboliza o estado. Esta fotografei-a em Jackson Hole, adorável cidadezinha que encontrei ainda cheia de maciços de lilases e que tem recebido muitos visitantes ilustres (até a rainha de Inglaterra e Nelson Mandela), e em que pessoas como Uma Thurman, Sandra Bullock ou Clint Eastwood têm casa.

Um pequeno filme que encontrei no YouTube, ao som da música que o grande John Williams compôs para Encontros Imediatos.



terça-feira, 28 de junho de 2011

Creepy

E a quantidade de blogues que já anunciaram há horas a morte do cantor/actor que ainda nem sequer foi declarada? Tudo muito R.I.P., muito agora já não sofre, muito partiu para um lugar melhor, muitas lágrimas de crocodilo.  A blogosfera numa das suas facetas mais deprimentes.

Duas confissões

1. Tenho muito lixo no Google Reader, blogues tão perdidos de idiotas que me divirto imenso a passar-lhes os olhos por cima.

2. Ainda assim, e a partir de agora, mais algum que venha publicitar produtos do Boticário será implacavelmente removido das minhas leituras parvas. Já não aguento mais.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Asneiras recorrentes

A menina é muito bonita e até tem jeito para o que faz. Mas não seria má ideia que alguém lhe dissesse que beneficiência é palavra que não existe. Beneficência, menina, be-ne-fi-cên-cia! Disparates destes, com os quais encolhemos resignadamente os ombros se folhearmos o Correio da Manhã ou a Flash, não ficam nada bem a um canal sério como a SIC Notícias.

Esta asneira da beneficiência é das que oiço com mais frequência na televisão, diria que nove em cada dez vezes lá vem ela, fatal como o destino.

Outra que já não posso ouvir nem ler é o adjectivo solarengo.  Solarengo aplica-se ao género de arquitectura de uma casa, a qualquer coisa relativa ou pertencente a um solar. Um dia não é solarengo, um apartamento não é solarengo, se com isso se quer dizer que tem muito sol ou muita luz. É soalheiro, é ensolarado. Solarengo é que não.

Posso contar que há uns bons cinco anos enviei um e-mail a escritor que vende muitos milhares de exemplares em cada edição a apontar-lhe delicadamente o erro (até o atribuí a asneira do revisor, pois está claro), logo na terceira página lá vinha um refulgente dia solarengo. Umas páginas adiante, tunga!, outro dia solarengo. O escritor agradeceu a correcção, nem tinha dado por aquilo (ai, estes revisores!), o erro não se repetiria em edições futuras. E não, de facto, como verifiquei quando folheei uma edição posterior (de mais uns largos milhares). Claro que todas as outras asneiras, as que eu não lhe tinha assinalado, continuavam lá.