Se não visse não acreditava
A publicidade automática que nos surge quando abrimos muitas páginas, na maior parte das vezes um engodo trapaceiro para nos arrancarem uns cêntimos ou uns euros, consoante a desfaçatez, desta vez deixou-me siderada.
É só ver o anúncio que me apareceu à direita, ao abrir esta página da revista Sábado. Pôr esta estupidez a votação para ganhar dinheiro já é macabro e de escroque. Que ainda por cima publicitem uma viagem como prémio ultrapassa tudo. Uma viagem aonde, já agora? Uma viagem só de ida, talvez?
O Zé Carlos, meu amigo do grupo do Liceu, filho do dono da que era a maior agência funerária do país, durante muito tempo lidou com algum embaraço com a profissão do pai. Depois aprendeu a contornar o assunto e em resposta ao clássico «o que é que o teu pai faz?» ouvi-lhe disparates de ir às lágrimas. As respostas que mais me faziam rir, as minhas favoritas, eram «tem uma agência de viagens de ida» e «tem um negócio de carnes frias».
Uma coisa é um adolescente brincar com a profissão do pai, antecipando-se a palavras como cangalheiro ou gato-pingado, que fatalmente ouviria em piadas, e ficando em vantagem, por ser o primeiro a rir do assunto. Outra, muito diferente, é ganhar dinheiro desta maneira sórdida.
Uma coisa é um adolescente brincar com a profissão do pai, antecipando-se a palavras como cangalheiro ou gato-pingado, que fatalmente ouviria em piadas, e ficando em vantagem, por ser o primeiro a rir do assunto. Outra, muito diferente, é ganhar dinheiro desta maneira sórdida.










