domingo, 26 de junho de 2011

Finalmente!


Há anos sem fim que sonhava deitar as unhas a esta adaptação televisiva da peça de Arthur Miller. Na sexta-feira, em conversa com o João Pedro, calhou mencioná-la. Desencantou-ma em menos de cinco minutos na Amazon, num daqueles vendedores independentes a ela associados (e que, graças a Deus, expedia para Portugal). Obrigada, João Pedro!

Acabo de ser notificada de que já vem a caminho. I ♥ Amazon! 

Ainda e sempre os cromos dos espanhóis


Ontem, no almoço do Ié-Ié (que acabou era quase meia-noite, um grupinho mais restrito ainda foi para uma esplanada), chorei a rir quando este disco me passou pelas mãos.

Os espanhóis, essa gente tão dotada para línguas, tinham dantes o vício de traduzir tudo, títulos de músicas inclusive. Neste nunca tinha tropeçado. A Whiter Shade of Pale, uma das músicas mais míticas dos anos 60, passou a Con Su Blanca Palidez. Sem comentários.

Os cromos dos espanhóis

Há pouco vi este anúncio no canal História e escangalhei-me a rir, fiquei a rezar para o encontrar no YouTube. Ouçam a perfeita maravilha como a marca do carro, Smart, é dita no final. Só os espanhóis!

A talho de foice: por que raio tenho eu, que vivo em Portugal e pago para ter televisão por cabo, de levar com anúncios espanhóis? Ainda por cima, seja o que for que estejam a anunciar, seja um detergente, uma marca de congelados ou um óleo alimentar, as vozes femininas soam-me todas a filme pornográfico.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

I ♥ Gatoso

Na minha rua há uma mercearia pequenina, muito humilde, com ar de antiga taberna. Não tem muito para oferecer: algumas hortaliças, quatro ou cinco qualidades de fruta da época, coisas básicas como leite, farinha, açúcar, algumas massas, azeite. Mesmo assim, tento sempre comprar lá alguma coisa ao fim-de-semana, porque me comove a tenacidade do casal idoso que a mantém, mesmo não dando obviamente qualquer lucro. E porque esse casal idoso protege e alimenta o Gatoso.

O Gatoso, como lhe chamo (o casal da mercearia não lhe deu qualquer nome, para eles é simplesmente o gato), é um bichano velhinho, de rua, cheio de cicatrizes antigas de bravas pelejas dos seus tempos de galã. De uma meiguice de fazer derreter o coração, cumprimenta-me sempre com um miado e estende a cabecinha de pêlo áspero e maltratado às minhas festas com um ronronar de beatitude.

Há tempos, num sábado, por volta da hora do almoço, ao passar em frente da mercearia lembrei-me de que havia vários dias que não via o Gatoso. Entrei para perguntar por ele, com o pretexto de comprar dois pacotes de leite. O casal estava a almoçar, numa mesa improvisada. E larguei a rir, porque nem precisei de perguntar nada. Junto deles, no chão, estava o Gatoso, a receber alternadamente de um e de outro bocadinhos do seu peixe cozido.





Update de 19 de Julho de 2011: soube hoje que o Gatoso morreu. Fiquei desolada. A senhora, quando lhe perguntei por ele, que já não via há uns dias, desatou a chorar e contou-me. Está inconsolável, e ficámos um grande bocado a conversar.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Porsche cor de vinho

Há coisa de duas semanas, num jantar em que se trocavam histórias de coisas embaraçosas que nos tinham acontecido, lembrei-me desta. E foi uma risota.

Algures na semana entre o Natal e o Ano Novo de 1996, ao fim da tarde, recebi um telefonema de um amigo. Pelo ruído em volta percebeu que eu estava na rua.

— Teresinha, onde está?

— Na Avenida da República.

— Calha bem, estou pertíssimo e tenho um presente de Natal para si na mala do carro. Tomamos um café no Monumental?

— Pode ser.

— Óptimo! Encontramo-nos em frente do BES, quem chegar primeiro espera.

Cheguei ao Saldanha em coisa de cinco minutos e avistei imediatamente um Porsche cor de vinho, o carro dele, parado em segunda fila. Tinha chegado primeiro, portanto. Alegremente, abri a porta, sentei-me e estendi a cara para lhe dar um beijinho, «olá, João!»

E recuei imediatamente, horrorizada. A pessoa ao volante não era o João, era um perfeito desconhecido, que me encarava como se eu fosse uma doida perigosa. Já de mão na porta e a escapulir-me, morta de vergonha, balbuciei desculpas incoerentes e atabalhoadas que soavam muito pouco convincentes. «Desculpe, combinei com um amigo aqui, o carro é igual, eu...» A expressão céptica do desconhecido era eloquente. «Sim, claro, o clássico número do Porsche errado...»

Nesse preciso momento, eu já com o rabo de fora mas de porta ainda aberta (tudo isto se passou em escassos segundos), parou à nossa frente um segundo Porsche, também cor de vinho, o do João, uma gloriosa chegada que me salvou a honra e a dignidade. Provavelmente nem eram do mesmo modelo, não faço ideia, identificar a marca de um carro já é para mim uma façanha, não me perguntem pelo modelo. 

E em minha defesa só tenho a alegar uma coisa: lembram-se de muitos Porsches cor de vinho? Eu não. Até àquele dia, acho que só tinha visto o do João. What were the odds?!

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terça-feira, 21 de junho de 2011

Baú das relíquias #11: Sì


Esta noite, depois de dormir pouco mais de uma hora, acordei e depressa percebi que não conseguiria pregar olho outra vez, optando por vir para o computador. Encontrei o David no Facebook e, a propósito da sua actual obsessão com The Windmills of Your Mind, pusemo-nos a trocar músicas antigas, muito antigas. E foi assim que chegámos a esta belíssima canção de Gigliola Cinquetti, que representou Itália no festival da Eurovisão de 1974, ficando em segundo lugar.

O facto de tanto a intérprete como a canção e até o próprio ano do festival terem associados apontamentos curiosos deu-me vontade de a pôr aqui.

Comecemos pelo ano: 1974, o ano em que Paulo de Carvalho cantou E Depois do Adeus, que, menos de um mês mais tarde, seria a senha de saída para os militares que fizeram o 25 de Abril; foi também o ano em que um certo Waterloo ficou em primeiro lugar. Os autores e intérpretes, dois rapazes e duas raparigas suecos chamados ABBA, viriam  a ser a maior fonte de receitas do país, ultrapassando a própria Volvo.

Gigliola Cinquetti tinha vencido a Eurovisão em 1964, com apenas 16 anos e o enternecedor Non Ho l'Età, que sempre adorei. Dez anos mais tarde, transformada numa muito bela mulher, voltou com este . Que, como já disse, viria a classificar-se em segundo lugar e que, para mim, continua a resistir ao teste do tempo. Confesso que se Waterloo me aparecer no iPod passo à faixa seguinte. Se for oiço deliciada. Tem aquilo a que chamo uma melodia em círculos, ou em espiral. O conceito, que para mim é muito claro, não é fácil de explicar. É mais fácil dar exemplos de outras músicas que encaixo na mesma designação, como I Believe, por Art Garfunkel, ou Mandy, de Barry Manilow.

Por último, uma curiosa história associada à canção. À época a Itália preparava-se para um referendo sobre o divórcio. Como tal, e porque , o título, era palavra incessantemente repetida, a RAI e a maior parte das estações de rádio italianas proibiram a sua passagem, com receio de que o título pudesse ser entendido como mensagem subliminar e influenciasse o voto. A RAI nem sequer transmitiu o festival nesse ano, só por causa de (ver aqui). O voto ao ostracismo durou mais de um mês, até ao referendo, a 12 de Maio.
 


It's official

Perdi de vez a paciência. Não volto a comentar blogues que não tenham a caixa de comentários em janela pop-up. Já o sistema de caixa a abrir noutra página é irritante, porque até pode apetecer-me voltar ao blogue e comentar mais alguma coisa, mas desisto logo quando tenho de clicar várias vezes na seta para retroceder. Mas o cúmulo, o mais insuportável de tudo, são mesmo os blogues em que quando vamos comentar nos aparece uma caixa de texto abaixo do post. É uma trabalheira e, sinceramente, tenho mais que fazer. Apesar de estar identificada, o blogger pede-me que faça login. Tento uma vez, tento duas, desisto de vez. Quanto aos blogues que, depois disto tudo, ainda têm verificação de caracteres, apenas conseguem arrancar-me um grunhido exasperado. Se o vosso blogue tiver estas características não contem com comentários meus, lamento lamentar. E de alguns até gosto muito, mas é a tal coisa: não tenho paciência.