quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ainda a carteira perdida (que afinal foi roubada)


A carteira não foi perdida, não há qualquer hipótese de ter sido perdida. Foi mesmo roubada. Como, não faço ideia, mas perdida é impossível.

Cartões cancelados, novas emissões em curso (e uma pipa de massa estupidamente gasta no processo), um cartão multibanco provisório na mão. Neste momento, o único documento que posso usar para atestar a minha identidade é o passaporte. Vou esperar alguns dias, sempre em cima dos perdidos e achados da PSP, calculo que debalde (sorry, I had to), que ainda há poucos meses roubaram a carteira a um membro do Colosso e o único documento que lhe apareceu foi o cartão Galp. É tratar de tudo outra vez, que remédio. Talvez seja desta que eu opte pelo cartão do cidadão.

Quanto à minha querida carteira propriamente dita, é fazer-lhe o luto e comprar outra. Nunca mais volto a vê-a, que hoje em dia até os ladrões percebem de marcas e uma Vuitton genuína distingue-se bem de uma Vuitton da treta. Resta-me o consolo de que não tinha qualquer valor sentimental associado. Foi comprada por mim.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Que ódio!!!

Perdi-a inexplicavelmente. Belo prejuízo, acrescido das minhas iniciais em ouro cravadas no interior.
Documentos de identificação, cartões, tudo. À hora do almoço ainda a tinha. No restaurante não ficou, no gabinete também não. E é impossível terem-ma roubado no metro, entrei no Terreiro do Paço e vim sentada, com a carteira no colo.

Estou inconsolável.

I ♥ Desperate Housewives


Confesso que a princípio não liguei muito à série. Nunca a vi na televisão, apesar de saber da sensação que estava a causar nos Estados Unidos desde a estreia, em 2004. Só vi quando saiu a primeira temporada em DVD, julgo que no princípio de 2006. Comprei e vi, é certo. Mas à época andava demasiado empolgada com Six Feet Under, essa sim, inquestionavelmente, uma das séries da minha vida. Gostei. Achei que era uma boa série, muito bem feita. Mas arrumei-a na prateleira e não voltei a lembrar-me dela.

Deve ter sido no princípio de Agosto do ano passado que resolvi revê-la, e foi com outros olhos que a encarei. A série de facto está soberbamente escrita, realizada e interpretada. A consistência das personagens é fabulosa. Destaque especialíssimo para Felicity Huffman, Eva Longoria e Marcia Cross. Esta última, pormenor divertido, foi namorada de um amigo meu, português, que fez dois anos de liceu nos Estados Unidos. Foi a sua prom date. Suponho que, de acordo com a teoria dos seis graus de separação, isso me me deixa a dois graus de Marcia Cross, o que não deixa de ser uma coisa patusca.

A seguir resolvi mandar vir a segunda temporada (a 7 de Agosto, diz-me a inestimável e mui eficiente Amazon). E depois a terceira, a quarta e a quinta. Devorei todas e fiquei à espera da sexta, actualmente a decorrer e que começou na semana passada a dar na Fox Life. Vi ontem a repetição do primeiro episódio.

A mesma qualidade de sempre, o mesmo humor ferino, as mesmas situações rocambolescas e muitíssimo bem pensadas, conseguindo fazer parecer naturais e lógicos desenvolvimentos que primam  pelo absurdo. E dei uma monstruosa gargalhada com uma saída de Eva Longoria. Ela e o marido acolheram em casa uma fedelha de 16 anos, sobrinha dele, insuportável, muito difícil de controlar. Carlos, o marido de Gabrielle, tenta persuadi-la a ser paciente e mais tolerante, que a miúda vem de um lar desfeito, que o pai abandonou a mãe quando ela era bebé, que a mãe teve de se virar sozinha... enfim, um relambório de desgraças.

Gabrielle corta-lhe o discurso com um impaciente «Yeah, yeah, she's just one dead dog away from a country song!»  Ri como uma perdida, tão bem achada era a frase.

É que as canções de música country contam muitas vezes histórias de fazer chorar as pedras da calçada. Lembro uma com especial ternura. The Coward of the County, de Kenny Rogers, passava muitas vezes no Stone's. O Nuno, o Pedro e eu delirávamos, sabíamos a letra de cor. E quando chegava a parte dramática da violação de Becky, a sweetheart do cobarde lá da comarca, por três matulões, os malvados manos Gatlin, a casa vinha abaixo, cantávamos em coro:

«One day while he was workin' the Gatlin boys came callin'.
They took turns at Becky.... n' there were three of them!
»

Este sinistro «n' there were three of them!» era por nós cantado mais baixinho, a trocarmos cotoveladas e olhares horrorizados, para logo a seguir largarmos a rir.

Deixo-vos a letra completa, espero que se divirtam:


«Ev'ryone considered him the coward of the county.
He'd never stood one single time to prove the county wrong.
His mama named him Tommy, the folks just called him yellow,
But something always told me they were reading Tommy wrong.

He was only ten years old when his daddy died in prison.
I took care of Tommy 'cause he was my brother's son.
I still recall the final words my brother said to Tommy:
"Son, my life is over, but yours has just begun.

Promise me, son, not to do the things I've done.
Walk away from trouble if you can.
Now it won't mean you're weak if you turn the other cheek.
I hope you're old enough to understand:
Son, you don't have to fight to be a man."

There's someone for ev'ryone and Tommy's love was Becky.
In her arms he didn't have to prove he was a man.
One day while he was workin' the Gatlin boys came callin'.
They took turns at Becky.... n' there were three of them!

Tommy opened up the door and saw his Becky cryin'.
The torn dress, the shattered look was more than he could stand.
He reached above the fireplace, took down his daddy's picture.
As his tears fell on his daddy's face, he heard these words again:

"Promise me, son, not to do the things I've done.
Walk away from trouble if you can.
Now it won't mean you're weak if you turn the other cheek.
I hope you're old enough to understand:
Son, you don't have to fight to be a man."

The Gatlin boys just laughed at him when he walked into the barroom.
One of them got up 'n met him halfway 'cross the floor.
when Tommy turned around they said, "Hey look! ol' yellow's leavin'."
But you coulda heard a pin drop when Tommy stopped and locked
the door.

Twenty years of crawlin' was bottled up inside him.
He wasn't holdin' nothin' back; he let 'em have it all.
When Tommy left the barroom not a Gatlin boy was standin'.
He said, "This one's for Becky," as he watched the last one fall.
And I heard him say,

"I promised you, Dad, not to do the things you've done.
I'll walk away from trouble when I can.
Now please don't think I'm weak, I couldn't turn the other cheek,
'n Papa, I sure hope you understand:
Sometimes you gotta fight when you're a man


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Programa para o fim-de-semana


Ludwig, Visconti, special two disc edition (obrigada, Pedro!)


Não, nunca vi. Parece que é extraordinário.
E Edward Norton é um dos melhores actores que por aí andam.
Além de ter um je ne sais quoi... Adorava vê-lo em teatro.


Ah, pois. Os restantes episódios da 3.ª temporada foram marchando ao longo da semana.
Com grave prejuízo do meu beauty (?) sleep.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Salva pelo gongo

Esta manhã saí de casa um pouco mais cedo, já que precisava de carregar o passe e de levantar dinheiro — tinha apenas 15 cêntimos na carteira.

Vou ao multibanco mais próximo. Não tinha dinheiro, paciência, podia pelo menos carregar o passe. Poder... até podia, se não me tivesse aparecido uma enervante mensagem a informar-me amavelmente de que a operação estava temporariamente indisponível. Grrr... Poucos metros adiante há outra caixa, dirijo-me a ela. Dinheiro também não havia, toca de tentar carregar o cartão. A mesma mensagem: operação temporariamente indisponível. Que nervos! Atravesso a estrada para ir ao banco em frente, com certeza a caixa teria dinheiro. Teria... mas não tinha!  Já com a certeza de que nova tentiva de carregamento seria debalde (wow!, adoro este advérbio), ainda arrisquei, só para obter os mesmos frustrantes resultados.

E agora, não só começava a ficar atrasada como nem tinha dinheiro para ir de metro! Não sou, nunca fui mulher enrascada. A única solução era tomar um táxi e, a seguir, ou parava numa máquina pelo caminho ou, chegada ao Colosso, pedia ao motorista que esperasse um pouco e pedia a alguém na recepção que me emprestasse dinheiro.

Nisto, estava em frente da papelaria. Lembrei-me de repente do talão do Euromilhões. Com um bocado de sorte (com muita sorte, vá lá...) aqueles quatro euros de sexta-feira tinham um premiozinho insignificante e eu poderia pagar um táxi. Entrei e estendi o papelucho e disse de um só fôlego: «Bom dia, pode ver se isto tem alguma coisa, por favor?»

Nove euros e oitenta e oito cêntimos, meus amigos! Desatei a rir, recebi o dinheiro e saí disparada, já a fazer sinal ao táxi que se aproximava. All's well what ends well, já dizia o velho Shakespeare, que muito percebia de tudo um pouco nesta vida.

E a minha noite de hoje seria perfeita para prosseguir no vício que é o 24, não fora estar à espera de um documento de cento e muitas páginas para rever e terá de estar pronto amanhã às onze. Como não deve chegar-me às mãos antes da meia-noite, vai haver noitada. Mas aí uns três episódios ainda sou capaz de despachar, trust me.

Vícios

Quando as temperaturas lá fora são pouco convidativas, haverá coisa melhor do que passar o fim-de-semana a aboborar, enrolada numa manta polar, saco de água quente, muito chá e uma gata ronronante enroscada em mim?

Tinha recebido da Amazon as terceira e quarta temporadas de 24, despachei mais de metade da terceira, que aquilo é perfeitamente viciante. Posso contar-vos que as duas temporadas me custaram menos do que custaria uma única na Fnac, que cobra a bonita quantia de € 49,90. Fnac Who? I ♥ Amazon!

Subsiste-me uma dúvida: serei só eu a achar que os vilões Rámon Salazar (Joaquim de Almeida) e Hector Salazar (Vincent Laresca) são completamente inverosímeis como irmãos? IRMÃOS?! Só se tivessem pais ou mães diferentes, credo!


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Wishlist

Não tenho grandes resoluções nem grandes desejos para o novo ano.

2009, o ano findo, foi um bom ano, sim. Um ano em que cresci, um ano de estabilização e de conquistas, em que cimentei amizades. Não isento de tristezas e de perdas, que também delas é feita a vida, 2009 será  sempre para mim o ano em que disse adeus a Messy. O ano em que perdi o Jorge, grande amigo recentemente reencontrado, sem que tivéssemos podido voltar a ver-nos. O ano a fechar com a dolorosa partida da Dr.ª Teresa Monteiro. E foi o ano em que partiu o Zé Calvário. Também foi o ano em que partiram figuras que me eram muito queridas, Bea Arthur e Natasha Richardson acima de quaisquer outras.

Cada novo ano é um recomeço simbólico, uma imensa página em branco que eu quereria encher de coisas boas e bonitas. Resoluções, planos, desejos? Não, repito, não tenho nada de especial a assinalar. Arranjar tempo para ler mais, sim, seria bom, que a leitora compulsiva que sempre fui tem dificuldade em organizar-se. Arranjar tempo, o mais precioso de todos os bens, para ajudar. O alvo, sabe-se, são os animais. Fazer duas ou três viagens, talvez quatro, duas grandes. Working on it, regresso à muito amada NY já marcado.

Desejos? Cada vez mais as minhas orações são feitas de agradecimento, cada vez menos envolvem pedidos. Tenho saúde, e sem ela tudo o mais conta pouco. Tenho trabalho, o que me assegura uma vida confortável. Amor no sentido romântico que lhe associamos não é coisa a que sinta a falta, grandes foram os meus amores passados, e felizes, e lindos; não descarto a hipótese de que surjam outros, por mero bom senso, mas nem penso nisso. Mais dinheiro seria bom, claro, mas seria assim tão importante?

O maior desejo de todos para este novo ano? Não ter de dizer adeus, nenhum adeus, a ninguém.

A banda sonora vem envolta em gratidão ao Pedro, que descobriu um site onde alojar música como queremos e precisamos. Dos meus queridos Moody Blues, num álbum mítico de que já falei aqui, por ser um dos discos da minha vida. Dawn is a feeeling... Nunca serei capaz de explicar o frémito de emoção que as primeiras notas e a voz de Justin Hayward me causam, esta sensação de um mundo a começar, cheio de novos caminhos a percorrer. E a evocação da frescura de uma linda manhã de Verão apenas começada.

É o alvorecer de um novo ano. Que seja um bom ano para todos nós.