segunda-feira, 28 de julho de 2008

Fiquem bem...

... que eu estarei ainda melhor! Tirando as saudades que vou ter de Messalina e Agripina...

Amanhã, por esta hora (lá, claro, que são menos cinco horas) estaremos a jantar no nosso querido Ortanique on the Mile. Yummy!

Volto no dia 12.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Dez anos sem Hermann Prey

Faz hoje dez anos que se silenciou esta voz magnífica que é um grande amor na minha vida. E um dos primeiros, quase em simultâneo com os Beatles (sim, sim, são perfeitamente compatíveis).

Posso não ter grandes talentos (mea culpa, mea maxima culpa), mas há um que reivindico com toda a justiça: o de reconhecer o talento alheio quando o enconto, o de saber destrinçar entre o trigo e o joio, o lobrigar deslumbrado da moeda de oiro reluzente entre os tostões de cobre de liga.

Lembro-me perfeitamente de quando conheci Hermann Prey, porque tinha dezasseis anos e foi a primeira ópera que comprei: O Barbeiro de Sevilha, uma das mais imortais óperas de Rossini (e longe estava eu de saber quanto viria a amá-lo). Um estojo magnífico, três LP. Já não a tenho, e seria uma longa e triste história, em que não me apetece remexer. Culpa da minha Mãe e das suas boas e crédulas intenções. Imaginem vocês que estão de férias no Algarve e que há um amigo que vos emprestou alguns discos; o amigo precisa deles, a Teresa telefona à Mãe a avisar que ele vai passar lá por casa. A Mãe abre-lhe liberalmente a porta, franqueia-lhe o acesso ao meu quarto com a maior das boas-fés (era menino de beija-mão e tudo o que convence as senhoras), o amigo serve-se ainda mais liberalmente do que encontra. Que me lembre, tinha cinco discos dele. Levou pelo menos uns doze, preciosos. Entre eles, O Barbeiro de Sevilha de Claudio Abbado, com Hermann Prey e Teresa Berganza. Não tão estranhamente como isso... nunca mais me atendeu o telefone. Quando nos cruzámos por acaso numa noite de Stone's, largos anos depois, já havia CD, e eu já tinha superado aquela mutilação, porque já tinha o disco. Cobardemente, até por ter percebido que a vida dele estava um caos, não toquei no assunto. Mas ainda dói.

Quem É Hermann Prey? — nada de conjugações no passado, que ele é imortal. Um barítono de timbre maravilhoso, uma voz que é um embalo para os ouvidos, um grande actor numa época em que quase todos os cantores de Ópera eram umas estacas em cena (levantavam um braço... e olha lá!). O maior Figaro da segunda metade do século XX (o que abrange o Barbeiro e As Bodas de Figaro, de Mozart). O incomparável Papageno daquela Flauta Mágica que é o meu amor maior na Ópera. Desse papel, em que o público de Viena, de Munique e de Nova Iorque (só para citar as maiores casas de ópera) o idolatrava, não há, estranhamente, registos em filme. Estranho, muito estranho...

Há muitos meses, deixei no filme do Youtube que aqui ponho abaixo (a primorosa realização de Jean-Pierre Ponnelle de que voltarei a falar) um comentário extasiado: «He is simply PERFECT! My favourite baritone ever, and what a fine actor! How I wish someone had footage of his wonderful Papageno!» Um outro comentador viria a pegar na minha deixa de maneira mais consistente e a deixar este comentário: «There is some with his "alter ego" Fritz Wünderlich as Tamino!... For this reason, I FIND IT HARD, VERY HARD TO BELIEVE THAT THERE IS NOT ONE SINGLE VIDEO CLIP WITH HERMANN PREY AS PAPAGENO!!! Either it is esconsed in a shelf of any German or American TV corporation; or it is hidden in a safe by a truly heartless "fan"!...
IN THE NAME OF ART, HE/SHE WHO HAS IT, PLEASE, PLEASE, RELEASE IT - NOW!!! It has been 10 years since this great man has left us! WHAT BETTER HOMAGE COULD WE PAY HIM?...»

Este comentário deixou-me com a pulga atrás da orelha. O comentador parecia-me português... comentei a seguir: «You're SO right! Next 22nd of July will be ten years since he left us! Have you read his autobiography, "First Night Fever"?
I have a strong suspicion you're Portuguese. So am I :)»

Assim nascem afinidades. Passámos, eu e o João Pedro, a trocar mensagens em privado. Hoje recorri a ele, que não pôde socorrer-me. Não é dramático, antes é um pretexto para voltar a falar mais alongadamente do grande Hermann Prey.

Hoje fica apenas a homenagem tão merecida. Para terem uma muito vaga ideia da minha devoção por este senhor, conto-vos muito brevemente uma história. O meu primeiro contacto com a Internet foi em Agosto de 1998, quando a instalaram na empresa onde eu então trabalhava. O Sr. Gabriel (ainda hoje o meu recurso para as emergências informáticas) foi lá instalar a coisa, deu-me umas explicações básicas. À época, o período jurássico da Internet, ainda não havia Google (que Deus o abençoe para todo o sempre), havia outros motores de busca como Alta Vista, Yahoo e já nem sei que mais. Lembro-me como se fosse hoje das três primeiras buscas que fiz, bem reveladoras da minha pessoa: 1 - Castle Howard; 2 - Joan Sutherland; 3 - Hermann Prey...

Fiquei gelada. Hermann Prey, o meu Hermann Prey... tinha morrido menos de duas semanas antes, a 22 de Julho. Para variar, a imprensa nada tinha dito. Nada de surpreendente, se considerarmos que eu só soube da morte do grande Sir Georg Solti pela minha assinatura da Opera, religiosamente recolhida na Buchholz, morreu menos de uma semana depois da princesa Diana, mas vendia um número substancialmente inferior de revistas. O que li nessa minha terceira e histórica pesquisa na Internet alagou-me de uma tristeza que persiste até hoje. «It was with deep sadness that the musical world received the news of the death of Hermann Prey. The renowned German baritone died following a heart attack at his home outside Munich (Germany) on Wednesday night, July 22, 1998.» Podem ler a notícia toda aqui, copiei-a, juntamente com a localização, para um documento de Word que me tem acompanhado nestes dez atribulados anos, ao longo de demasiados computadores.

Voltarei a Hermann Prey antes de ir de férias. Antes disso, terei de contar a reclamada história do meu encontro com Dame Vanessa Redgrave, há pouco mais de uma semana. Está solenemente prometida.

Agora deixo-vos com o Figaro de Hermann Prey, que nem vou adjectivar. Papageno fica para outro dia.





Comentários que merecem um post: Leonard Cohen

Ou a crónica emocionada de um concerto. Pelo comentador Blue Bird (que julgo não ter blogue, pelo menos no Blogger). Obrigada!

«Olá Teresa! Compreendo a sua decisão e respeito-a, eu tinha que ir, fiquei mesmo na frente a 3 m dele e quando às 21.00 em ponto entrou em palco e começou de rompante o "Dance me to the end of love" (que pelo que me apercebi nem é de perto nem de longe uma das suas preferidas), as lágrimas começaram-me a correr pelo rosto abaixo, eu não era o único assim, olhava à minha volta e via outras pessoas no mesmo estado, raparigas de vinte e poucos anos a cantar baixinho a letra com a mão direita no coração...aquela entrada foi letal acredite, Cohen ajoelhado a cantar "show me slowly what I only known the limits of...", depois durante o concerto não se ouvia uma única palavra tamanho era a devoção com se escutava cada linha de cada canção. O Cohen apenas nos olhava, com um olhar tão humano quanto comovente e sorria, sorria como uma criança, e sentia-se ali qualquer coisa que não sei explicar, algo muito grande mesmo. Depois foi o desfilar de todas as canções que já sabemos "Bird on a wire", "Gypsy's Wife" divinal, "Hey, that's no way to say goodbye", "Suzanne" teve logo uma grande ovação claro, etc... no final, no último encore ainda ousei pedir bem alto e a pulmões abertos "Famous Blue Raincoat" (a minha canção de culto), tenho quase a certeza que ouviu, pois sorriu uma vez mais mas começou logo "I tried to leave you", no final quando virou as costas e se dirigiu para a saída do palco, as lágrimas voltaram a cair-me...tinha acabado. Depois olhando à minha volta e observando o rosto das pessoas, notei um misto de alegria por aquilo que tinham acabado de assistir mas ao mesmo tempo um olhar triste, vago e perdido por saber que Cohen tinha partido para se calhar nunca mais voltar...

Blue Bird
»

Publicada por Anónimo em A Gota de Ran Tan Plan a 22 de Julho de 2008 1:38

sábado, 19 de julho de 2008

Concordo, Sofia!

SMS recebido da Sofia, neste momento a ouvir e ver Leonard Cohen: «O Cohen é lindo!»


Sorrio, porque estou de acordo. Mas não é assim que ele se vê, e esta é seguramente uma das chaves para lhe decifrar a música.

Lembras-te de Chelsea Hotel, Sofia? Uma das suas grandes músicas, fala de Janis Joplin...

«I remember you well in the Chelsea Hotel
You were famous, your heart was a legend.

You told me again you preferred handsome men
but for me you would make an exception.
And clenching your fist for the ones like us

Who are oppressed by the figures of beauty,

You fixed yourself, you said,
"Well never mind,
we are ugly but we have the music..."»

Leonard Cohen: é hoje!

E a minha decisão de não ir (tive bilhetes de primeira água oferecidos) é lúcida, consciente. É claro que não seria eu se não me debatesse com uma dúvida incómoda, insidiosa: e se?... Agradeço de todo o coração aos comentadores que, lá muito para trás, se insurgiram com as minhas dúvidas e me instaram a ir, não fosse arrepender-me mais tarde.

Não vou, meus amigos, e a escolha é minha. Leonard Cohen é para mim tão sagrado que não suportaria ouvi-lo num sítio que, mesmo não o conhecendo, me suscita fortes suspeitas. A música de Leonard Cohen é tão intimista que não é admissível ouvi-la em sítios tão esdrúxulos como aquele Pavilhão Atlântico (que devia levar com uma bomba Antónia em cima, mas isto é tão-somente a minha opinião) ou este Passeio Marítimo de Algés. Repito que não conheço o sítio, mas à partida cheira-me a coisa tão dissonante de Leonard Cohen que até dói. E eu tenho os discos todos, os originais...

Tive comentadores a instarem-me a ir ao concerto, e comentaram aqui apenas dessa vez, quando falei do primeiro concerto de Leonard Cohen, a 18 de Feveiro de 1985. Kiko e Blue Bird, não levem a mal, acreditem que ponderei tudo! A Sofia e o Huckleberry Friend estarão lá hoje, e quero que seja mágico para eles, será o seu primeiro e quase seguramente último encontro com o grande senhor.

Escolhi não ir. Há memórias que devemos manter intocadas, tão preciosas são. É o caso da minha memória mágica daquele 18 de Fevereiro de 1985, quando a Sofia ainda nem estava neste mundo. Sofia, querida, é o teu tempo de armazenar memórias, que seja como sonhaste!

Deixo aqui uma das mais belas músicas de Leonard Cohen, o meu «Álvaro de Campos cantado» (a Ana e a Sofia, duas senhoras com uma sensibilidade toda especial para a Poesia, aprovaram a definição, como tal não deve ser completamente disparatada), uma música que, seguramente, ninguém vai ouvir esta noite, disso tenho a certeza. Sei que ele não vai cantá-la, sei porque o percebo muito bem. A música chama-se Seems So Long Ago, Nancy e deixa-me sempre com um aperto na garganta. Obrigada, Vítor, por me teres oferecido Songs from a Room quando tínhamos vinte anos... Foram muitas noites insones, foram muitas lágrimas a ouvi-lo. Diria que Leonard Cohen é na minha vida tão importante como tu ou Mozart. Ou como os Beatles ou Simon & Garfunkel. E também como os Mamas & Papas e Peter, Paul & Mary... Diabos, eu devo ter mesmo infinitas capacidades de paixão! :)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Preguiça, muita preguiça

Ontem à noite escrevi que me desunhei. E olhem que cheguei tarde a casa, e olhem que foi um esforço... Até nem estava mal o que escrevi, estava expressivo, diria que tinha encontrado as palavras certas, contava-vos o meu extraordinário e li-te-ral encontro com Dame Vanessa Redgrave, mais tarde, à porta do restaurante, a nossa breve conversa e o adorável gesto dela. O blogger resolveu contrariar, apagou três quartos. Se fosse mais nova, se não tivesse Alberto Caeiro por mestre, teria entrado em desespero. Limitei-me a encolher filosoficamente os ombros. Paciência, são coisas que acontecem. Desliguei o computador e fui deitar-me. Escreverei tudo de novo, as palavras já serão outras. Mas hoje não me apetece. Ando sem paciência para blogues, seja o meu, sejam os dos outros. Talvez seja de ser Verão e de eu estar a ONZE dias de me pisgar daqui para a Florida. Pouco importa.

Chego sempre muito tarde a casa, e muito cansada. Não será ainda hoje que vos conto a história, mas podem contar com ela.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Volto segunda-feira...

Tenho um encontro com Dame Vanessa Redgrave (ver aqui e aqui)...

E também com o Coveiro, se o rapaz me atender o telefone...

Tenham um óptimo fim-de-semana!