sábado, 31 de maio de 2008

Sexo, lésbicas e buscas

O Alf respondeu taco a taco e à sua moda sarcástica a uma idiota brasileira (bem sei que são populacionalmente mais significativos, mas... ainda assim, que contingente de anormais parece haver naquele país!) que lhe aterrou no blóguio a querer saber (sic) «como fazer as sombrancelhas da angelina jolie».

Eu sofro calada as hordas que me vêm aqui parar em busca de «Ana Zanatti nua». Com cambiantes: ora querem fotografias, ora querem filmes; no que são todos unânimes é em querer ver a senhora nua.

E depois também tenho subprodutos (ainda mais, si cabe, como diriam os espanhóis) destes. Ora espreitem a minha barra lateral. No título Visitas Frequentes hão-de (há-dem, para alguns...) encontrar este brilho brasileiro:




«Lésbicas fasendu sexo». Por acaso, e só por acaso — são muitos mais, aparecem quase todos os dias —, aqui ao lado só aparecem os pelintras que acrescentam free. Grates (não merecem melhor), à borla. Vêm de um motor de busca que já me/nos proporcionou o inqualificável «história do nascimento de Lusiano Pavarote». Um tal busca.uol.com.

O que me entristece é que desemboquem aqui pela combinação de factores diversos: o meu conhecido e proclamado apoio incondicional a todos que tenham uma orientação sexual diferente da minha; o facto de o muitíssimo bom Lésbica: Simples ou com Gelo? (ultimamente bastante parado) estar nos meus links e já ter sido aqui citado, que me lembre, pelo menos duas vezes. Aproveito para agradecer à equipa do Lésbica: Simples ou com Gelo? aquilo que é para mim uma verdadeira honra: que esta minha humilde e despretensiosa Gota de Ran Tan Plan esteja nos seus links, e nem sei como terá ido lá parar: eu leio-as sem comentar (mentira, comentei duas ou três vezes), elas lêem-me sem comentar. Eu gosto imensamente de todas e, como tal, volto a agradecer a honra que é para mim terem destacado a Gota, muito mais significativa do que os prémios idiotas que recorrente e ciclicamente circulam na blogosfera — nunca aceitei nenhum, como julgo que sabem.

Estou em crer que a Internet, maravilhoso instrumento ao qual estou diariamente grata, é também um autêntico viveiro de perversões. Uso o substantivo perversões com cautela medida. No que toca à sexualidade, nada me incomodam as preferências dos outros, eles que se entendam — o clássico «between consenting adults...» Duas únicas, rigorosas e irredutíveis excepções: crianças e animais. Isso é que não!

E não mudo a música. Por preguiça. E, principalmente, porque tal gente não merece melhor.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Fofuras... OMG!

Se há adjectivo que me faz urticária é... fofo. Terão de desculpar-me... mas possidónio mais possidónio é impossível!

Fofo aplica-se a novelos de lã bem dobada (arte que a minha Mãe me ensinou), que ficam leves, leves..., a camisolas de caxemira macia, a almofadas, a camas, a sofás... Agora a coisas, agora a pessoas? Credo!

É equivalente a dizer o comer, ou a moça, ou o esposo, ou falecer! Tenham lá paciência!

Tive um namorado que, logo ao segundo dia de paixão, teve a desastrosa ideia de me tratar carinhosamente por Fofinha. Eu devia estar apenas levemente tostada pelas labaredas da dita paixão (isto é roubado ao Quino, é uma velha piada da Mafalda...), porque logo ali pus os pontos nos ii — com admirável diplomacia (só me apeteceu desatar aos uivos), expliquei à criatura que, a bem do nosso romance, era imprescindível que, de futuro, se abstivesse de tal adjectivo. Não sabia explicar (sabia, ó se sabia!), era uma questão de pele, o meu organismo rejeitava-o!

A coisa cifrou-se numa vitória relativa. Ele retirou o vocativo, é certo. Mas tínhamos começado mal, irremediavelmente mal. Uns escassos meses depois, já nem o podia ver à frente. E se ainda durou tanto tempo foi apenas porque tinha... outros talentos.

Só para castigo de quem me deu o mote para este post, aqui vai uma música aflitiva de pirosa. Tenho muito orgulho nela, suei muito para a arranjar. Ana, fica-te lá com este Concerto pour une Voix, de Saint-Preux. Aposto que não o ouvias há bem mais de trinta anos... E estás com muita sorte, podia pôr-te a Ballade pour Adeline, ou Waldo de Los Rios... Não me tentes, Ana...

Estamos conversadas sobre o Snap Shots?

quinta-feira, 29 de maio de 2008

I Snap Shots

Bem sei que há muita gente que reclama, que o acha um programa enervante, a sobrepor-se ao que estamos a ler quando, inadvertidamente, passamos com o cursor por cima do texto e há links. Pois eu cá acho imensa piada, pronto!

Por qualquer misteriosa razão, às vezes o Snap Shots passa imenso tempo sem actualizar as imagens — aconteceu-me isso por duas vezes com o blóguio do Liceu, quando lhe mudei o template. Diz lá, TCL... se não fosse o Snap Shots ainda te lembrarias da antiga cara do teu blóguio? É que já lá vão meses!

I my boots

Para as grandes caminhadas que me esperam nas Montanhas Rochosas (no Colorado, no Wyoming, e em Montana, e num dos dois Dakotas, I forgot which, se no do Sul, se no do Norte)... já daqui a menos de um mês — aterro em Denver, Colorado, no dia 21 de Junho.

E não, nem pensem que vou pôr aqui, como música de fundo, o medonho These Boots Are Made for Walking, de Nancy Sinatra...

Queria estas, só que em castanho-escuro:


Azarucho, devia ter tratado disto no Inverno (comprámos os bilhetes de avião em Dezembro!). Já só consegui encontrar estas: Mas são o máximo, não são?

terça-feira, 27 de maio de 2008

Farewell, Mr Pollack

É como se me tivesse morrido um velho amigo.


O primeiro filme de Sydney Pollack que me lembro de ter visto — na televisão, aos 14 anos — foi o extraordinário Os Cavalos Também se Abatem (They Shoot Horses, Don't They?), adaptado do romance de Horace McCoy, que eu já tinha lido. Não se surpreendam, sempre li indiscriminadamente tudo o que me passava ao alcance, li o Diário de Anne Frank... aos nove. O livro tinha-me impressionado vivamente, e o filme não lhe ficou atrás. Aliás fez com que Jane Fonda, durante os anos seguintes, e até ao aparecimento da inigualável Meryl Streep, fosse a minha actriz favorita. Mais ainda depois de ter feito Coming Home (O Regresso dos Heróis)...

Vi The Way We Were (O Nosso Amor de Ontem — ai, títulos portugueses!), lembro-me bem, numa reposição do cinema Vox, no fim da Primavera de 84. Até fui sozinha, ao fim da tarde, não queria perdê-lo. E depois, mais tarde, já no princípio de 86, surgiu Out of Africa, indiscutivelmente um dos meus filmes (e, ao que parece, também de muito boa gente...).

Mas Sydney Pollack não foi apenas realizador. Aliás, acho que na sua imagem há qualquer coisa que denuncia flagrantemente uma pessoa muito especial, um ser humano de enorme riqueza. Foi também produtor. E actor. E até cantou.

Encontrei estas imagens da gravação de um álbum de Barbra Streisand que guardo como coisa preciosa, The Broadway Album. Podem ver Sydney Pollack na faixa de abertura, Putting It Together, de um musical, Sunday in the Park with George, do génio absoluto que é Stephen Sondheim.



Podem revê-lo também aqui, ainda sobre a mesma gravação. Não é a música que escolhi para pôr a tocar, pela simples razão de não ser uma música fácil. Stephen Sondheim raramente se deixa desvelar à primeira audição. Mas podem ouvi-la aqui — e se vale a pena! Escolhi uma outra música, na voz única de Barbra Streisand — e por estar ligada a ele, que realizou o filme. The Way We Were. Que pena não ter encontrado no Youtube a cena de Sex and the City em que o final do filme é evocado!



E , claro, deixo para o fim a inesquecível cena, incontáveis vezes revista, de Out of Africa. Que já aqui pus, naturalmente. Choro sempre, tamanha a beleza, tanto me comove a música sublime de John Barry, um nó na garganta a desfazer-se num soluço com aquelas duas mãos que se apertam em comunhão, a de Meryl Streep, esmagada, atordoada, exausta daquela visão do mundo segundo o olhar de Deus, a estender-se para trás (e no seu rosto estão todas essas emoções), para a mão de Robert Redford, em mudo agradecimento, em gritante necessidade de partilha. «A glimpse of the World through God's eye...» Os ouvidos mais sensíveis, como os do Vítor ou da Ana, repararão imediatamente que as primeiras notas de música que se ouvem, no início da cena, são as notas de indescritível beleza do Adagio do Concerto para Clarinete de Mozart, o grande Karl Böhm a dirigir. Justamente a versão que aqui pus anteontem, um dia antes da morte de Sydney Pollack, como o Huckleberry Friend fez notar. Não era premonição, era simplesmente um imenso amor pelo filme. E pela música. E Denys Finch-Hatton tinha por Mozart uma paixão exacerbada parecida com a minha...



Adeus, Mr Pollack. Obrigada, Mr Pollack.

Cenas de filmes da minha vida #17: A Flauta Mágica

Só podia acabar esta noite, em que me sinto feliz-feliz, ao som de Mozart, o meu consolo na tristeza, alma irmã na alegria, que é a parte maior de mim.

A encantadora cena da obra-prima que é o filme de Ingmar Bergman, o delicioso dueto Papageno! Papagena!, quando o tonto Papageno encontra finalmente a sua alma-gémea. Quero lá saber que seja cantado em sueco! É Mozart! E A Flauta Mágica, como já devem estar refartos de saber, é a minha ópera mais amada.

Vi o filme quando estreou no Londres, em Dezembro de 1976, em êxtase absoluto, tinha apenas 16 anos. Ser-me-á sempre muito querido.

Desculparão que a música que aqui ponho não seja o dueto - não o tenho no computador, é muito tarde e acordo muito cedo. Deixo-vos com a irresistível primeira ária de Papageno, Der Vogelfänger Bin Ich Ja, na voz maravilhosa de um cantor que venero: Hermann Prey. Um Papageno incomparável.

Durmam bem. Eu bem sei com que vou sonhar. Na véspera dos meus anos contarei...