terça-feira, 13 de maio de 2008

Hoje faz anos...

... a TCL!!! Parabéns!!! Parabéns!!!

Ontem, estando a falar com o manhoso do Alf ao telefone e passando já da meia-noite, abreviei a conversa — que de resto estava praticamente concluída - com um «Desculpa, mas agora tenho de telefonar à TCL, que faz anos hoje.»

Ele riu e disse-me para ir ao blóguio dele. O grande impostor, enquanto falávamos, já tinha um post de parabéns para ela, publicado à má fila! A não ser que o tivesse agendado... Diz lá, Alf... Agendaste, não foi? Sempre me saíste pior do que a encomenda! Vocês dois andam sempre às turras, implicar um com o outro já é ponto de honra, mas no fundo dão-se como Deus e os anjos!

Seja como for, o que interessa é que a nossa menina faz anos hoje e eu, para além de querer dar-lhe os parabéns, deixo-lhe aqui um miminho: nem mais nem menos do que a música que estava em n.º 1 no Billboard no dia em que nasceu. O fabuloso Runaway de Del Shannon! Não é para toda a gente!

Parabéns, T.! Grande beijoca!

Gremlin

Novas tendências capilares Primavera-Verão, aka... Patanisca depois da tosquia.

Desculpa, Famosa, foi mais forte do que eu...

segunda-feira, 12 de maio de 2008

I Sex & the City

Só não morro de saudades destas quatro grande amigas... porque tenho a série completa em DVD e a revejo com frequência. Não sendo nada dada a neuras, tenho, como toda a gente, momentos de disposição mais tristonha. Alguns episódios de Sex and the City (ou de Friends, já agora, e dessa, que só há pouco mais de um ano descobri, falarei em breve) são uma terapia eficaz e fazem sempre maravilhas por mim.

Não conheço uma mulher que não adore esta série; não conheço um homem inteligente que não partilhe do nosso entusiasmo. O Vítor, por exemplo, só tendo visto uma meia dúzia de episódios, delira sempre com as minhas descrições desta ou daquela cena, há expressões que entraram na nossa linguagem privada e ritual, como o hilariante Hates it! de Anthony, o amigo de Charlotte, no episódio da escolha do vestido de noiva na Vera Wang (sim, sei a série DE COR).

A minha personagem favorita? São duas. Samantha, claro - como é possível não a adorar? E... se julgam que vou dizer Carrie, enganam-se. Miranda, sem dúvida. Delicio-me com o seu sentido de humor mordaz, de piadas secas e incisivas.

Por acaso, só por acaso, já encontrei algumas cenas para mim inesquecíveis (poderão não ser as vossas), anotei-as e - à cautela - copiei-as, terei todo o gosto em pô-las aqui.

Enquanto o filme não estreia - I can hardly wait! Inicialmente estava um tanto renitente e céptica, não se deve mexer no que é perfeito, mas o Vítor mandou-me há dias um artigo interessantíssimo da CNN que me fez reconsiderar - deixo-vos aqui duas belas homenagens.

Esta, a primeira, claramente promocional, à amizade do quarteto Carrie, Samantha, Miranda & Charlotte.


E esta, tão bonita, à quinta mulher do grupo, a minha amada Nova Iorque, omnipresente (a saudade até dói). Ao som de Manhattan, pela grande Ella Fitzgerald. Espero que gostem. Eu, confesso, comovi-me. Mas eu sou uma incurável sentimentalona...

Banda sonora: Ella Fitzgerald - Manhattan

sábado, 10 de maio de 2008

Raindrops Keep Fallin' on My Head


Basicamente, nunca ninguém está contente com nada. Tirando as minhas pessoas, claro (o Blogger devia criar uma opção de links múltiplos, para eu aqui poder render homenagem por atacado aos meus blóguios de eleição). As minhas pessoas nunca falam do tempo - ou, se falam, falam bem e encontram coisas relevantes para dizer e escrever. E sabem dizê-las e escrevê-las. Sem erros ortográficos, sem pontuações que seriam cómicas se não fossem trágicas, num Português cristalino que dá gosto ler e que a minha querida Dr.ª Maria Helena aprovaria. Já me aconteceu (raramente, admito, mas já tem acontecido) encontrar pensamentos interessantes, daqueles que nos fazem parar e pensar, irremediavelmente trucidados por uma escrita deficiente. E aqui deficiente pode ser mesmo um grande eufemismo...

Correcções de escrita à parte, os queixumes fazem-me sorrir. E sorrio como quem detém um grande segredo. Não me foi revelado da maneira mais fácil, envolveu grande sofrimento, como todas as grandes demandas. Passa pelos meus 21 anos e por Alberto Caeiro, meu querido Mestre, que literalmente me salvou a vida com a sua límpida e serena sabedoria, toda feita de aceitação e acordo.

Fui feliz porque não pedi coisa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva -
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra coisa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.


E passa, reflexamente, por este Raindrops Keep Fallin' on My Head, a grande parceria Hal David & Burt Bacharach a ganhar em duplicado, Oscar de 1970 para Melhor Canção e Melhor Partitura.

Raindrops keep falling on my head
And just like the guy whose feet are too big for his bed
Nothin’ seems to fit
Those raindrops are falling on my head, they keep falling

So I just did me some talkin’ to the sun
And I said I didn’t like the way he got things done
Sleepin’ on the job
Those raindrops are falling on my head, they keep falling

But there’s one thing I know
The blues he sends to meet me wont defeat me
It won’t be long till happiness steps up to greet me

Raindrops keep falling on my head
But that doesn’t mean my eyes will soon be turnin' red
Crying’s not for me
Cause I'm never gonna stop the rain by complainin’
Because I’m free
Nothing’s worrying me.


É que... I'm never gonna stop the rain by complainin'... Retirem daqui tudo o que quiserem, o verso é de uma riqueza sem fim.

A culminar, há também a cena inesquecível de Butch Cassidy and the Sundance Kid que aqui deixo para revermos a sorrir. Aperta-se-me o coração a rever Paul Newman, tão novo, tão bonito, um deus grego! O Vítor, numa breve escapada a NY em Novembro passado para ver algumas peças de teatro (volto a dizer que te odeio, meu grande anormal, teres visto o grande Kevin Kline sem a minha cumplicidade ao lado, a acotovelarmo-nos mudamente de minuto a minuto, é coisa que não te perdoo!), viu-o na mesma fila, com a mulher, a grande Joanne Woodward, e ficou impressionado; achou-o (palavras dele, carinhosas e tristes) muito velhinho. E nós tinhamo-lo visto em 2003 em Our Town, no seu regresso à Broadway, 38 anos passados...

As palavras de Paul Newman, numa entrevista dessa época: «I decided I would not go to my grave without coming back to Broadway. There is no other reason, except that Our Town reflects the best of American values, and I thought it appropriate for these times.» (tinha passado pouco mais de um ano desde o 11 de Setembro)

Tempus fugit...


quinta-feira, 8 de maio de 2008

Saving Private Messy...

Messy ficou no telhado e eu saí de casa enervadíssima, como está bom de ver. O facto de logo a seguir ter ficado mais de dez minutos parada numa rua de sentido único, à espera que uma ambulância recolhesse um doente, em nada contribuiu para melhorar a minha já de si tenebrosa disposição. Telefonei ao Vítor para desabafar. Ele, claro, achou a história adorável - conhecendo-a desde bebé, não ficou nem um pouco preocupado. Messy bebe os ares por mim, Messy é a minha sombra. Quando lhe passasse o capricho estaria lá, à espera de ser resgirafada resgatada.

Claro que eu teria de ir a casa à hora de almoço, não a queria sem comida nem sem água tantas horas. Infelizmente, só consegui libertar-me tarde e passava das duas e meia quando entrei em casa.

Lá estava ela, lá ao fundo, razoavelmente à sombra. Desatou imediatamente a resmungar comigo. Estava ressentida, era evidente. Fez-se tremendamente rogada para se aproximar da janela, deu umas voltas só para me pôr à prova, e sempre com uns miados queixosos que eu sabia traduzir na perfeição. Então isto são horas? Então assim nos abandonaste? (como já disse, Messy usa sempre o plural majestático)

Finalmente, depois de rodeios infinitos, para marcar bem o seu descontentamento e o muito que a minha negligência a tinha feito padecer, lá se postou debaixo da janela. A fome e a sede já deviam fazer-se sentir, e pôs-se de pé, as patinhas apoiadas na parede, toda esticada. Por mais que eu me debruçasse, não conseguia alcançá-la... Que desespero!

É bem verdadeiro que a necessidade é mãe do engenho! De repente, tive uma ideia luminosa! Fui buscar um cobertor, desdobrei-o e estendi-o janela fora, em jeito de passadeira vertical. Messy percebeu a ideia acto contínuo e tentou trepar, ficando logo presa pelas unhas. Mas era suficiente, foi só içá-la e... numa questão de segundos já estava ao meu colo.

Se a sufoquei de beijos repreendi severamente? Oh, siiiiiim! Imeeeeenso!

All's well what ends well...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Messy on a Hot Tin Roof

Esta manhã, por volta das oito horas, estando na cozinha a tratar do pequeno-almoço... aconteceu a tragédia.

Messy (Messalina) andava por ali a cirandar. A manhã fresca lá fora convidava: a cozinha dá para as traseiras, é um 1.º andar e o rés-do-chão tem quintal, com um telhado de chapa ondulada a resguardá-lo. Há árvores e ouve-se o canto dos pássaros. De costas para a janela... ouvi de repente um bonk! agoirento. Numa prece silenciosa (Meu Deus! Faz com que ela não tenha saltado!), voltei-me. Tinha saltado, já não estava no parapeito. Passeava-se com prazer evidente pelo telhado de zinco, aventureira e cheia de vontade de fazer explorações.

A hora seguinte foi de desespero impotente para mim. É inútil tentar convencer um gato a fazer seja lá o que for - só condescende se estiver para aí virado. Tentei tudo. A súplica. A lisonja. O suborno. A autoridade. A ameaça. Messy ignorou-me olimpicamente, chegou ao desplante de se pôr a lavar-se meticulosamente de costas para mim, num desprezo ostensivo e calculado, enquanto eu tentava atraí-la com Kitbits (que ela adora!) e lhe implorava que se aproximasse. Está bem, abelha!...

Estivemos nisto mais de uma hora, eu completamente desvairada, de cabeça perdida, e já atrasadíssima para ir para o Colosso. Acabei por desistir, à hora do almoço tive de vir a casa tentar resgatá-la — sim, ficou lá fora a manhã inteira! Depois conto o resto da história...

Fica só este patético apontamento filmado do meu desespero... E é favor não rir (muito).

Minha Pátria É a Língua Portuguesa


MANIFESTO
EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA
CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO

(Ao abrigo do disposto nos Artigos n.os 52.º da Constituição da República Portuguesa, 247.º a 249.º do Regimento da Assembleia da República, 1.º n.º 1, 2.º n.º 1, 4.º, 5.º, 6.º e seguintes da Lei que regula o exercício do Direito de Petição)


Ex.mo Senhor Presidente da República Portuguesa
Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República Portuguesa
Ex.mo Senhor Primeiro-Ministro

1 – O uso oral e escrito da língua portuguesa degradou-se a um ponto de aviltamento inaceitável, porque fere irremediavelmente a nossa identidade multissecular e o riquíssimo legado civilizacional e histórico que recebemos e nos cumpre transmitir aos vindouros. Por culpa dos que a falam e escrevem, em particular os meios de comunicação social; mas ao Estado incumbem as maiores responsabilidades porque desagregou o sistema educacional, hoje sem qualidade, nomeadamente impondo programas da disciplina de Português nos graus básico e secundário sem valor científico nem pedagógico e desprezando o valor da História.
Se queremos um Portugal condigno no difícil mundo de hoje, impõe-se que para o seu desenvolvimento sob todos os aspectos se ponha termo a esta situação com a maior urgência e lucidez.

2 – A agravar esta situação, sob o falso pretexto pedagógico de que a simplificação e uniformização linguística favoreceriam o combate ao analfabetismo (o que é historicamente errado) e estreitariam os laços culturais (nada o demonstra), lançou-se o chamado Acordo Ortográfico, pretendendo impor uma reforma da maneira de escrever mal concebida, desconchavada, sem critério de rigor, e nas suas prescrições atentatória da essência da língua e do nosso modelo de cultura. Reforma não só desnecessária mas perniciosa e de custos financeiros não calculados. Quando o que se impunha era recompor essa herança e enriquecê-la, atendendo ao princípio da diversidade, um dos vectores da União Europeia.

Lamenta-se que as entidades que assim se arrogam autoridade para manipular a língua (sem que para tal gozem de legitimidade ou tenham competência) não tenham ponderado cuidadosamente os pareceres científicos e técnicos, como, por exemplo, o do Prof. Doutor Óscar Lopes, e avancem atabalhoadamente sem consultar escritores, cientistas, historiadores e organizações de criação cultural e investigação científica. Não há uma instituição única que possa substituir-se a toda esta comunidade, e só ampla discussão pública poderia justificar a aprovação de orientações a sugerir aos povos de língua portuguesa.

3 – O Ministério da Educação, porque organiza os diferentes graus de ensino, adopta programas das matérias, forma os professores, não pode limitar-se a aceitar injunções sem legitimidade, baseadas em “acordos” mais do que contestáveis. Tem de assumir uma posição clara de respeito pelas correntes de pensamento que representam a continuidade de um património de tanto valor e para ele contribuam com o progresso da língua dentro dos padrões da lógica, da instrumentalidade e do bom gosto. Sem delongas deve repor o estudo da literatura portuguesa na sua dignidade formativa.

O Ministério da Cultura pode facilitar os encontros de escritores, linguistas, historiadores e outros criadores de cultura, e o trabalho de reflexão crítica e construtiva no sentido da maior eficácia instrumental e do aperfeiçoamento formal.

4 – O texto do chamado Acordo sofre de inúmeras imprecisões, erros e ambiguidades – não tem condições para servir de base a qualquer proposta normativa.

É inaceitável a supressão da acentuação, bem como das impropriamente chamadas consoantes “mudas” – muitas das quais se lêem ou têm valor etimológico indispensável à boa compreensão das palavras.
Não faz sentido o carácter facultativo que no texto do Acordo se prevê em numerosos casos, gerando-se a confusão.
Convém que se estudem regras claras para a integração das palavras de outras línguas dos PALOP, de Timor e de outras zonas do mundo onde se fala o Português, na grafia da língua portuguesa.
A transcrição de palavras de outras línguas e a sua eventual adaptação ao português devem fazer-se segundo as normas científicas internacionais (caso do árabe, por exemplo).

Recusamos deixar-nos enredar em jogos de interesses, que nada leva a crer de proveito para a língua portuguesa. Para o desenvolvimento civilizacional por que os nossos povos anseiam é imperativa a formação de ampla base cultural (e não apenas a erradicação do analfabetismo), solidamente assente na herança que nos coube e construída segundo as linhas mestras do pensamento científico e dos valores da cidadania.

Os signatários,

Ana Isabel Buescu
António Emiliano
António Lobo Xavier
Eduardo Lourenço
Helena Buescu
Jorge Morais Barbosa
José Pacheco Pereira
José da Silva Peneda
Laura Bulger
Luís Fagundes Duarte
Maria Alzira Seixo
Mário Cláudio
Miguel Veiga
Paulo Teixeira Pinto
Raul Miguel Rosado Fernandes
Vasco Graça Moura
Vítor Manuel Aguiar e Silva
Vitorino Barbosa de Magalhães Godinho
Zita Seabra
...


À margem: assinei a petição no domingo, sendo a minha assinatura a n.º 1900; à hora da publicação deste post somos mais de onze mil; quem quiser juntar-se-nos só tem de ir a Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico


Banda Sonora: Carlos Seixas - Concerto em lá maior (Allegro)
Um compositor português, SIM!