quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Cenas de Filmes da Minha Vida #9: Bugsy Malone

Se bem que coincidam quase sempre, talvez já tenham reparado que algumas vezes as cenas de filmes da minha vida que aqui tenho posto não fazem parte dos filmes da minha vida. Bugsy Malone, de Alan Parker (1976), é um desses casos. Ainda assim, é sempre com imenso prazer que o revejo.

Poderia ser apenas mais um filme de gangsters no tempo da Lei Seca. Mas dois pequenos pormenores fazem dele um filme único: a fabulosa música de Paul Williams e o facto de todos os actores serem crianças.

Jodie Foster, que dispensa apresentações, cantora num speakeasy e mulher fatal, é a namorada de Fat Sam, o chefe dos bandidos, e sente-se irresistivelmente atraída por Bugsy Malone, ao serviço dele («everybody loves that man, Bugsy Malone» - como canta o refrão do tema-título). A composição da sua personagem, Tallulah, é extraordinária. Tinha apenas 13 anos, foi logo a seguir a Taxi Driver. Vejam-na aqui em My Name Is Tallulah... e deliciem-se.

Não resisto a pôr também o trailer original do filme. Divirtam-se!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Assédio sexual!

Messalina queixa-se amargamente da obstinada corte que este cavalheiro (?), de seu nome Eddy, lhe faz diariamente. Messy deslustra por completo uma longa linhagem cheia de pergaminhos de devassidão - Messy é uma gatinha de mentalidade vitoriana e de hábitos austeros e muito castos, que reprova profundamente a vida dissoluta das suas tristemente célebres antepassadas. E mandou-me dar este recado ao Sr. Eddy, que lhe envia todos os dias quatro e cinco mensagens como esta. Que topete!

Notas à margem:
1. Talvez não seja má ideia lerem o primeiro post da Gota... assinado precisamente por Messy: Editorial...

2. E a culpa de tudo isto é da Nani, que me fez, à revelia de Messy, inscrevê-la neste ponto de encontro chamado Petnet... Messy reprova a libertinagem!

Now playing: Patti Lupone - Anything Goes
(do fabuloso musical homónimo do genial Cole Porter)

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Camera! Lights! Action! A Star is Born!

Esta é só uma das 184 fotografias que tirei a S. E. a Gatosidade-Mor (é que havia também as do telefone, convém não esquecer...).

Amanhã respondo aos vossos comentários, agora estou exausta. Mas não resisto a deixar aqui esta prova cabal do meu talento como fotógrafa... É que com a qualidade desta há pelo menos mais umas 50 ou 60... Não é, Famosa?

De pura maldade, enviei-lhe apenas cinco por mail e só hoje à noite apareci lá em casa para um chá com ela e com a Excomungada. A rapariga ia tendo uma apoplexia quando lhe dei a pen e começou a ver a interminável sucessão de poses da beldade, cada qual mais encantadora do que a anterior. Cá para mim vai fazer directa em frente ao computador, a vê-las e a revê-las - isto a avaliar pelo que fez hoje, no trabalho, que foi incontáveis vezes espreitar as que lhe tinha enviado à laia de amostra...

E há também o filme...

domingo, 27 de janeiro de 2008

De coisas várias...

O fim-de-semana foi óptimo. Na sexta-feira tive um grande jantar com o meu querido grupo do Liceu. A mudança de gerência do restaurante da ANF fez-se sentir para melhor. Dantes comíamos mal e pagávamos caro. Fechávamos os olhos, por o sítio ser tão bonito, pela enorme comodidade de termos a chamada sala da Direcção para nós, uma sala linda, toda em boiseries, com lareira e portas para um jardim com magnífica vista de Lisboa. E como um do grupo faz parte da tal Direcção, a comodidade acrescida de podermos deixar o carro na garagem influía enormemente na escolha do sítio. A seguir um grupinho mais pequeno (que incluía o ex-marido da TCL, estreante nos jantares, conhecemo-nos aos 14 anos, foi graças a ela que o trouxemos para o grupo, este mundo é mesmo muito pequenino...) decidiu prolongar a noite e demos uma saltada ao meu Stone´s velhinho. Tivemos azar, que havia uma festa, estava uma gente esquisita e uma música atroz. Mas valeu pela recepção calorosa que o Joaquim (gerente) e o Artur (à porta) me fizeram. Conhecem-me vai para trinta anos, continuam a tratar-me por Menina Teresinha... E fuma-se no Stone's, olarila! Se não fosse o facto de eu me ter desabituado da vida de boémia que tive durante muitos anos, teria lá voltado ontem, era o Pedro Fajardo a pôr música...

1. O Enigma da Esfinge: tema de um post recente, confirmo agora aqui a solução. Sim, aquele objecto é mesmo para pendurar a carteira à mesa do restaurante, da esplanada, ou quando nos sentamos ao balcão e não sabemos onde pousá-la. Dá um jeitão! A maior parte das pessoas percebeu o que era, a começar no meu querido Coveiro. Suscitei invejas, houve logo mais gente a querer. Depois de me ter assegurado de que a TCL e a Lisa já têm o seu, divulgo aqui onde comprei - mera prudência, já que havia muito poucos.

2. Patanisca-sitting: um sucesso! S. E. a Gatosidade-Mor, aka Patanisca, recebeu três visitas minhas. Duas ontem, uma hoje - a dona (como se alguém pudesse ser dono de um gato...) deve estar a chegar. Ai Famosa, Famosa! Então tu tinhas esta Princesa a beber água numa tigela de plástico?! Levei-lhe uma taça de vidro, mantive a tigela, só para fazer a experiência. Hoje, quando voltei, tinha acontecido aquilo que eu já esperava: só bebeu da taça de vidro, a outra estava intacta. Viver não custa, o que custa é saber viver...

Abreviando: das minhas visitas (numa das quais Messy me acompanhou...) resultaram 177 (sim, leram bem) fotografias, mais uma dúzia com o telefone - porque ela estava a brincar com a correia da máquina... - e um curto filme, que amanhã alojarei. Algumas das fotografias parecem tiradas por uma Annie Liebowitz para a Vogue felina... Que vos parece esta?


3. 20 mil visitas: o meu amigo Artur entrou aqui no número certo e teve o gesto carinhoso de me enviar o print screen. Obrigada, Artur! Um grande beijo para ti. Pena é que nunca comentes...

O número impõe respeito. Bem sei que há blóguios (adopto oficialmente, em definitivo, até aqui, a palavra deliciosa encontrada pelo meu amigo António num comentário feito no blóguio do Liceu, em jeito de redacção infantil) muito mais visitados, bem sei que há blóguios muito melhores. A alguns dos que têm visitas na ordem das centenas de milhar nem lhes percebo a popularidade, com honrosas excepções - a primeira que me vem à cabeça é o Crónicas das Horas Perdidas, uma gema. Este é o meu, caprichoso, escrito ao sabor de uma qualquer ideia que me ocorre num dado momento. Não tem um tema, não se insere em qualquer categoria, nunca dará um livro. Mas gosto muito dele. E parece-me que algumas das pessoas que aqui vêm também. Obrigada!

Os discos da minha vida #2: Le Métèque

Este disco anda sempre comigo. Tal como ela, a solidão. O meu amigo Pedro diz (há muitos anos) que, se tivesse de escolher uma música para me contar, Ma Solitude, deste disco, seria sempre a primeira que lhe viria à cabeça. Sempre que a ouve é de mim que se lembra.

Le Métèque (1969), de Georges Moustaki*, é um daqueles discos que só conseguimos ouvir da primeira à última faixa, tamanha a sua beleza. Beleza melódica e dos poemas. Mas confesso que, frequentemente, volto atrás e ponho mais uma vez a faixa 7. Esta que está agora a tocar. Ma Solitude.

* Aproveito para dizer que Moustaki, muito novo ainda, foi amante de Edith Piaf. É bonito saber que foi para ela que escreveu o belíssimo e famoso Milord. Em 1974 fez uma versão (também linda) do Fado Tropical, de Chico Buarque. Chamou-lhe, simplesmente, Portugal, e é uma homenagem ao 25 de Abril. E até canta algumas estrofes em português.

MA SOLITUDE
Pour avoir si souvent dormi avec ma solitude,
Je m'en suis fait presque une amie, une douce habitude.
Elle ne me quitte pas d'un pas, fidèle comme une ombre.
Elle m'a suivi ça et là, aux quatres coins du monde.

Non, je ne suis jamais seul avec ma solitude.

Quand elle est au creux de mon lit, elle prend toute la place,
Et nous passons de longues nuits, tous les deux face à face.
Je ne sais vraiment pas jusqu'où ira cette complice,
Faudra-t-il que j'y prenne goût ou que je réagisse?

Non, je ne suis jamais seul avec ma solitude.

Par elle, j'ai autant appris que j'ai versé de larmes.
Si parfois je la répudie, jamais elle ne désarme.
Et, si je préfère l'amour d'une autre courtisane,
Elle sera à mon dernier jour, ma dernière compagne.
Non, je ne suis jamais seul avec ma solitude.
Non, je ne suis jamais seul avec ma solitude.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O Enigma da Esfinge

Na sequência do concurso da Maria e posteriores desenvolvimentos, posso revelar-vos que a minha já atafulhada CARTEIRA conta desde ontem com mais um habitante permanente: este utilíssimo objecto. A minha Mãe tem um, que sempre lhe cobicei, e não poucas vezes me fiz mais ou menos descaradamente ao piso... sem qualquer sucesso.

Ontem, absolutamente por acaso, vi este numa montra da Rua da Prata (viva o comércio tradicional!). E comprei-o, claro.

Alguém adivinha o que é e para que serve?


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Patanisca-sitting

É o meu programa de fim-de-semana. A Famosa vai para fora saracotear-se nos seus Manolos e eu fico encarregada da princesinha. Amanhã à noite vou lá a casa buscar a chave e receber instruções detalhadas quanto aos hábitos e preferências de Sua Excelência a Gatosidade-Mor.

O que me lembra o último post da Lisa. Uma amizade virtual. Recente, é certo. Eu e a Actriz Principal (a Famosa, para quem não saiba) tivemos desde o princípio uma enorme empatia. Tal como aconteceu com a AEnima e a Diabba. Inexplicável. Mas verdadeiro. No fim de Julho, uma breve vinda a Lisboa da AEnima, então ainda a fazer o doutoramento nos Estados Unidos, foi o pretexto para nos reunirmos e conhecermos, numa jantarada memorável. E assim nasceram As Quatro Cangalheiras do Apocalipse. Agora, seis meses passados, a Famosa confia-me as chaves de casa, coisa que talvez nenhuma de nós fizesse com muito boa gente que conhece há largos anos... Posso dizer, por exemplo, que entre os meus namorados, que não
foram poucos, só dois tiveram esse supremo privilégio. E - evidentemente - nunca me passaria pela cabeça, quando as coisas acabaram, a grosseria de lhes pedir a devolução da chavinha. Sabia com quem estava a lidar.