domingo, 20 de janeiro de 2008

Fado Tropical

Este livro que agora me chegou às mãos como presente de Natal tardio (foi-me carinhosamente enviado do Brasil por uma leitora recente que já é uma amiga, a CoRa, ainda no ano passado), tem uma história curiosa.

Lá por 1978 comecei a comprar uma revista chamada Nova, que mais não era do que a versão basileira da celebérrima Cosmopolitan, à época ainda dirigida pela mítica Helen Gurley Brown. Confesso que não faço ideia de como a revista será hoje, mas naquele tempo era muitíssimo boa, e tornei-me leitora fiel desde o primeiro número, tanto que a partir daí esperava ansiosamente o seguinte. Mais do que qualquer outra coisa, e sempre a primeira que lia, conquistaram-me os artigos de Marina Colasanti, a extraordinariamente cativante mistura de sensibilidade, doçura e enorme sensatez da sua escrita. Pela revista descobri que muitos desses artigos, em 1980, tinham sido compilados em livro, e não descansei enquanto não lhe deitei as unhas. Mais tarde, e porque vários deles pareciam ter sido escritos directamente para uma amiga minha de vida conturbada e confusa, sempre a envolver-se com os homens errados, sempre a fazer enormes disparates pelos mais generosos e puros motivos... abdiquei dele para lho oferecer, certa de que em breve arranjaria outro exemplar.

Estava enganada. Passaram mais de vinte anos e eu continuava sem o encontrar - mesmo com o auxílio precioso da Internet, mais recentemente. Pois a CoRa encontrou-mo. Em segunda mão, claro, o que lhe dá um valor acrescido. Este foi um livro amado. Algures no Brasil, em 1982, uma mulher ofereceu-o a uma amiga com esta simples dedicatória: «Cristina, que você possa confirmar aqui uma nova identidade. Felicidades.» Um quarto de século mais tarde, na mesma página, nova dedicatória no mesmo livro, que essa Cristina de muito longe talvez não tenha sabido apreciar como ele merecia, ou que talvez tenha morrido, tendo a sua biblioteca sido dispersa e vendida, e que agora veio parar a mãos de alguém a quem ele muito diz: as minhas. Se alguma vez, nas estranhas voltas da vida, essa grande romancista, um de vocês vier a encontrá-lo num alfarrabista, podem ter a certeza de uma coisa: deixou de estar comigo porque eu já não sou deste mundo. E sorrio da ideia de uma terceira mulher, por amizade, tentar encontrar espaço nesta mesma página para nela inscrever uma terceira dedicatória.

Nada envelhece tão mal como um mau livro. Este, pelo contrário, continua vivo, palpitante, porque fala de questões intemporais que continuam a desafiar as mulheres - aos poucos hei-de tentar pôr aqui alguns dos seus artigos, tenho a certeza de que serão devidamente apreciados.

Numa ponte emocional e emocionada, escolho para hoje uma música de um certo génio chamado Chico Buarque, homem que do lado de lá do Atlântico ama tanto como eu a língua que nos é comum e a maneja com mestria rara. E se alguém tiver e me puder enviar a versão original, em que a plavra sífilis é bem audível, antes de uma censura cretina a ter eliminado, deixando um hiato que o meu ouvido atento capta sempre... conta desde já com a minha enorme gratidão. Ora vejam se não notam como foi brutalmente apagada:

«Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdámos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo... (além da sífilis, é claro)
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora...»

Podem ler o poema todo aqui, e maravilhar-se com as imagens que o poeta encontrou para aproximar Portugal e Brasil. Obrigada, de todo o CoRação, minha amiga...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Master Eskisito saves the day...


... for the second time!

Ontem à noite (na verdade já hoje de madrugada) reparei que o cabeçalho da Gota tinha desaparecido. Encolhi os ombros e atribuí isso a uma qualquer excentricidade do Blogger - sim, que o Blogger também tem a sua vida!

Hoje de manhã, no colosso, a coisa mantinha-se. Aí retiniu a campainha de alarme e enviei um email a clamar por socorro a Master Eskisito, o meu santo padroeiro do blóguio. À tarde não trabalhei, tinha compromissos no exterior, e só por volta das oito da noite voltei a vir espreitar, dessa vez via telefone. Ainda estava mais esquisito. Consulto a caixa postal e havia um comentário da Mad a confirmar que aquilo que eu acabava de ver não era uma mera ilusão de óptica minha: estava mesmo tudo cinzento. Mas lá estava também a resposta do Mestre ao meu SOS, a dizer que já estava a trabalhar no meu problema.

Problema que está resolvido, como podem ver. Graças a ele, uma vez mais. Sim, que A Gota de Ran Tan Plan orgulha-se de ser o primeiríssimo blogue desenhado por ele para amigos, o primeiro de muitos que viriam a seguir-se-lhe - os amigos mais recentes poderão ler aqui como tudo se passou.

E é por isso que escolhi para esta noite uma música dos meus queridos Beatles que era uma música de eleição e cumplicidade entre mim e o Nuno: costumávamos cantarolá-la um ao outro quando um de nós estava tristonho, ou mais em baixo, ou apenas carente. Resultava sempre, surgia sempre um sorriso em resposta.

Obrigada, Eskisito... Any Time at All...

domingo, 13 de janeiro de 2008

Algures lá fora...

Nunca deixo de me espantar quando abro esta página e vejo que está a ser lida por mais alguém. Quando, como aconteceu ontem por várias vezes, descubro que quatro pessoas além de mim estão aqui, ao espanto vem misturar-se um vago desconforto. Quem serão, o que as terá trazido?

Graças aos contadores que quase todos temos instalados, podemos saber algumas coisas. Foi pelo Statcounter que, há cerca de dois meses, fiquei a saber que houve alguém que, metódica e persistentemente, leu tudo quanto escrevi desde o primeiro dia, mês após mês, noite adentro, durante umas boas seis horas (o que quer provavelmente dizer que também terá ido esmiuçar todos os comentários). Chegou aqui por uma pesquisa do Google, em busca de um nome que me é muito querido.

Estranho universo este!

sábado, 12 de janeiro de 2008

The Rainbow Connection

Trabalho (não estou a falar de empregos) e blogosfera são coisas incompatíveis, sabe-se - a Excomungada até já fez post sobre isso. Esta semana, no meu tão escasso tempo livre, decidi dedicar-me mais ao meu querido blóguio do Liceu e este teve de ficar para trás: escolher é renunciar.

Na quarta-feira, por volta das cinco horas, estava eu embrenhada numas seis coisas diferentes ao mesmo tempo, a D. Idalina entrou no gabinete com o meu bule de Lapsang Souchong habitual e uma notícia: via-se no céu um arco-íris lindo. Corri para a janela e fiquei extasiada. Poucas vezes, em toda a minha vida, terei visto arco-íris mais deslumbrante de nitidez e perfeição. Agarrei na máquina e voei para um gabinete que dá para uma fachada lateral, e onde poderia vê-lo em todo o seu esplendor. Um banho de beleza que me fez bem à alma. Como bem me fez perceber, um pouco mais tarde, que os dias já estão um pouquinho maiores, um nadinha quase imperceptível mas que, mesmo assim, e por ser eu tão sensível às estações, me encheu de alegria.

A música hoje só poderia ser esta, na minha versão favorita, cantada pela voz puríssima de Judy Collins. Uma outra Judy, mítica, também tem uma canção sobre o arco-íris... mas acontece que eu prefiro esta.

E não resisto a deixar aqui uma outra grande versão, que me merece uma ternura toda especial: a de Kermit, o dos Muppets (e sobre um certo génio chamado Jim Henson ainda havemos de falar...).

Bom fim-de-semana para todos!



domingo, 6 de janeiro de 2008

É pouco peneirenta, é...

Maria Albertina, aka Tininha, aka Patanisca. Hoje à tarde, em casa da Famosa, que me convidou para o chá e mil delícias que tinha por lá (aquele queijo da serra!...).


Quanto à estrela... é esta beldade que está à vista. E o pior é que sabe, e dá-se estes ares!


sábado, 5 de janeiro de 2008

Marrocos, esse belo país...


Conversa com a TCL ontem à noite, no msn:

TCL: Queres alguma coisa de Marraquexe?
Eu: Quero!
Eu: DISTÂNCIA!!!

Notas à margem:
1. Não me venham com histórias, que conheço muito bem o país. Como eu costumo dizer (e o Vítor delira): havendo vida e saúde, e se Deus for meu amigo... nunca mais lá ponho os pés!

2.
Conversar com a TCL no msn é muito cómico e um tanto bizarro - ficamos sempre, cada uma de nós, com a estranha sensação de estarmos a falar sozinhas. É que ela também é Teresa... e o que aparece é "Teresa says...", "Teresa says", ininterruptamente... Uma ou duas vezes pusemo-nos a tagarelar com o Alf, que cedo ficou desorientado, até porque o nosso sentido de humor é do mesmo género. "Qual de vocês disse isso?" - perguntava ele; "isso... o quê?", resposta das duas, muito afinadinhas, em simultâneo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Programa para esta noite...

Love Actually (O Amor Acontece), apeteceu-me revê-lo.

Confesso que adoro uma boa comédia romântica. E que adoro as frases de abertura deste filme, na voz de Hugh Grant:


«Whenever I get gloomy with the state of the world, I think about the arrivals gate at Heathrow airport.

General opinion makes out that we live in a world of hatred and greed. I don't see that.

Seems to me that love is everywhere. Often it's not particularly dignified or newsworthy but it's always there. Fathers and sons, mothers and daughters, husbands and wives, boyfriends, girlfriends, old friends.

When the planes hit the Twin Towers, none of the phone calls from people on board were messages of hate or revenge, they were all messages of love.

lf you look for it, I've got a sneaky feeling you'll find that love actually is all around.»

E é bem verdade, não vos parece?