Um mundo novo
Este último dia do ano sempre teve para mim um encanto e uma poesia singulares - ou não fosse eu uma incurável saudosista. A tentação de olhar para trás é inelutável, e há sempre muita saudade. Mas há também o presente, no qual se tecem já as malhas de saudades futuras. E há o futuro, que a seu tempo será também passado...
Sou por natureza, e por mais que a vida possa fustigar-me, uma alma alegre e feita de Sol. Em anos já muito distantes o Vítor disse de mim uma coisa que se me colou como uma segunda pele (A Teresa era capaz de sair viva até de Auschwitz), porque toda a gente concordou e aplaudiu e disse que a Teresa era isso mesmo. Tenho vivido sempre a tentar estar à altura dessa imagem, coisa às vezes bem difícil. «Conheceram-me logo por quem não era, e não desmenti, e perdi-me. / Quando quis tirar a máscara, estava-me pegada à cara...» Mas a verdade é que muitas vezes, à força de tentar aparentar ser forte, acabo mesmo por descobrir em mim forças que julgava não ter...
Entro neste novo ano cheia de esperança. De alegria. De gratidão. De planos. Deixo-vos com a música de Dvořák e imagens que me fazem bem à alma: Messalina e Agripina, esta manhã; e o mapa desse novo mundo que a sinfonia evoca e ao qual voltarei em Junho (viagem já marcada, bilhetes emitidos há dois dias, que o Vítor é um organizador genial).
Para todos vós, os meus votos de um novo ano cheio de coisas boas e belas...


