segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Um mundo novo

Certamente haverá quem estranhe que eu não escolha Mozart esta noite. É o meu amor maior, sim, e nenhum outro se pode comparar-lhe, mas apaixonei-me por esta sinfonia, a nona de Dvořák, mais concretamente por este andamento, lá pelos meus treze anos. A sinfonia integral só viria a conhecê-la mais tarde, lá pelos dezasseis (ou possivelmente ainda quinze), num concerto na Gulbenkian. Deslumbramento puro, nem seria necessário o poder evocativo do título (From the New World) para me fazer render de imediato.

Este último dia do ano sempre teve para mim um encanto e uma poesia singulares - ou não fosse eu uma incurável saudosista. A tentação de olhar para trás é inelutável, e há sempre muita saudade. Mas há também o presente, no qual se tecem já as malhas de saudades futuras. E há o futuro, que a seu tempo será também passado...

Sou por natureza, e por mais que a vida possa fustigar-me, uma alma alegre e feita de Sol. Em anos já muito distantes o Vítor disse de mim uma coisa que se me colou como uma segunda pele (A Teresa era capaz de sair viva até de Auschwitz), porque toda a gente concordou e aplaudiu e disse que a Teresa era isso mesmo. Tenho vivido sempre a tentar estar à altura dessa imagem, coisa às vezes bem difícil. «Conheceram-me logo por quem não era, e não desmenti, e perdi-me. / Quando quis tirar a máscara, estava-me pegada à cara...» Mas a verdade é que muitas vezes, à força de tentar aparentar ser forte, acabo mesmo por descobrir em mim forças que julgava não ter...

Entro neste novo ano cheia de esperança. De alegria. De gratidão. De planos. Deixo-vos com a música de Dvořák e imagens que me fazem bem à alma: Messalina e Agripina, esta manhã; e o mapa desse novo mundo que a sinfonia evoca e ao qual voltarei em Junho (viagem já marcada, bilhetes emitidos há dois dias, que o Vítor é um organizador genial).


All You Need Is Love...


Um certo sorriso...

Para todos vós, os meus votos de um novo ano cheio de coisas boas e belas...


segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Presente de Natal da Gota de Ran Tan Plan para os seus amigos...

Não consigo lembrar-me de nada melhor para vos oferecer do que este maravilhoso filme, que vi lá pelos meus 14 anos no célebre programa de Vasco Granja. Nunca o esqueci, e bastante o procurei durante muito tempo. Encontrei-o no Youtube há meses e reservei-o para uma data especial. A data chegou. O Príncipe Feliz, o mais belo de todos os contos de Oscar Wilde, avassaladora paixão minha que vem da adolescência, como poderão ler aqui, narrado pela voz magnífica de Christopher Plummer.

Um muito feliz Natal para todos, todos todos! Ficam em boa companhia.

Parte I:


Parte II:



Parte III:


domingo, 23 de dezembro de 2007

Na véspera da grande noite...

Gosto, sempre gostei de esperar pelas coisas, daquele frémito de antecipação tão comoventemente expresso pela Raposinha de Saint-Exupéry: «Se todos os dias vieres às quatro horas, às três já começarei a ser feliz.»

O Natal é para mim, cada vez mais, em cada novo ano, de forma mais aprofundada e recolhida, a grande festa religiosa. Exteriormente visto todos os rituais que são alegria, mas durante todo o Advento tento preparar a alma para os Mistérios da Natividade. Nunca falei disso aqui e faço-o hoje. É que sou profundamente crente. Amanhã, por esta hora, estarei a caminho da Missa. E tenho tanto que agradecer a Deus e à Sua infinita bondade!

Desejo-vos a todos, meus amigos, um santo Natal!

Deixo-vos com aquele que é o segundo entre os meus cânticos de Natal preferidos. O mais amado de todos, Adeste Fidelis, só o tenho neste momento em inglês, e é em latim que mais me comove. Por estas mesmas vozes angelicais, as dos Pequenos Cantores de Viena (Wiener Sängerknaben, ou Vienna Boys Choir).


sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Agarrem-me!

Há palavras que me põem a ranger os dentes, pronto!

A mala. «Ai que mala tão gira que traz hoje!» Agradeço, respondo com uma parvoíce qualquer, introduzo subtilmente na conversa a ideia de que adoro carteiras... Com um bocado de sorte, talvez a pessoa perceba, não é? Pois, seria de esperar. É o percebes! Eu a dizer c-a-r-t-e-i-r-a e ela a insistir no tão possidónio mala...

Esta época é especialmente propícia (jeitosa, esta palavra...) ao abominável prenda. Que, só hoje, ouvi dezenas de vezes. Juro que, se a tivesse ouvido uma só vez mais, não responderia por mim. PRESENTE, com seiscentos demónios! Aliás os meus pobres ouvidos tiveram hoje um dia especialmente difícil, que até um «o comer» ouvi (e rasca mais rasca só talvez o indescritível «lember»), vindo de alguém impensável. Bom... pensando melhor, isto dá pano para mangas, que conheço uma senhora que sai semanalmente naquelas revistas que pretendem mostrar uma coisa que não temos, jet set - melhor, até temos, só que não aparece nas tais revistas - e que à menor distracção escorrega para os fostes, dissestes, contastes, etc. Devo dizer que já tenho apanhado estes brilhos também em blogues, principalmente em caixas de comentários, onde a descontracção é maior e, como tal, maior se torna a tendência para que as pessoas resvalem para o seu elemento natural. Escusado será salientar que escrever fostes é ainda mais grave do que dizê-lo... e torna-se especialmente cómico (ou patético?) quando quem assim se estica tem pretensões a uma imagem com seu quê de refinado.

Frase de pesadelo total: «Vistes a mala vermelha* da Sr.ª Isabel? Foi prenda de Natal do esposo». Tirando artigo e preposições, não se aproveita nada. Coitada da Sr.ª D. Isabel!

* Dizem-me os meus amigos do Norte que encarnado lhes repugna. Ainda não tirei essa questão a limpo, mas até ver... são os únicos a quem admito um vermelho.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Natal no Colosso

Eis a minha árvore de Natal, a mesma há muitos anos, desde que vivo sozinha - poupemos as florestas!

As decorações são sempre as mesmas, e como tal já podem considerar-se uma tradição. As maçãs douradas e encarnadas, os embrulhinhos feitos por mim (cubos de esferovite envoltos em papel dourado e atados com fita de cetim encarnada), os fios de pérolas douradas. Não gosto de árvores de Natal género arco-íris, acho que duas cores (três, se contarmos com a árvore propriamente dita) estão mais do que bem. «Less is more...»

No sábado fui buscar a árvore e todos os enfeites ao armazém onde tenho quase todas as minhas coisas e armei-a no meu gabinete. Recebeu muitos elogios, a vaidosona. Agora sim, respira-se Natal lá dentro - e bem merecemos, tantas são as horas que lá passamos!

A saga do carro

Onze horas separam estas fotografias. A da esquerda foi tirada de manhã, pelas nove horas, quando cheguei ao Colosso e tinha um carro lavado. A da direita foi tirada às oito da noite, quando saí e encontrei, para variar, esta estrumeira. A quem hei-de queixar-me? À Federação Ornitológica Nacional Portuguesa?


É que é isto todos os dias! Parvalhões dos pássaros!