
Não é o principal disco da minha vida - seria impossível decidir em qual recairia a escolha... -, é apenas o disco com que estreio esta rubrica. Mas não tenham dúvidas: é mesmo um dos discos da minha vida, um dos tais que sempre terão de estar onde eu estiver, tenho por ele uma ternura toda especial.
Odessa, de 1969, continua desconhecido de muito boa gente, principalmente daqueles para quem Bee Gees são sinónimo de
Saturday Night Fever e coisas afins. E é uma pena, porque é um disco magnífico, um autêntico
concept album.
Conheci-o lá pelos meus 18, 19 anos. Dez anos depois de ter sido editado, portanto. Dele conhecia, máximo dos máximos, umas três músicas - o mesmo que dizer que o desconhecia por completo, já que se trata de um álbum duplo. Foi em casa do
Vítor, ele já tinha praticamente deixado de comprar discos em Portugal. O que cá havia era muito pouco e chegava com atraso, às vezes enorme: para terem uma ideia,
Born to Run, de Bruce Springsteen, 1975, foi lançado em 1979! A prensagem nacional era um desespero, por melhor que fosse a aparelhagem, por mais cuidadosos que fôssemos com a agulha, ao fim de meia dúzia de audições os discos ficavam com
chão, vulgo
batatas fritas. A velha Discoteca do Carmo ainda ia arranjando algumas importações, coisa pouca. O
Vítor descobriu uma empresa do País de Gales que enviava discos pelo correio, a velha Tandy's, e deixou de comprar discos cá. Foi assim que
Odessa lhe chegou às mãos, para logo o partilhar comigo.
Este disco também me lembra tanto o
Nuno! Primeiro, porque, lá por 1986, lho ganhei numa aposta parva numa noite de Stone's. Ele insistia que
I'll Follow the Sun dos Beatles era de
A Hard Day's Night, eu teimava que era de
Beatles for Sale. Como eu sabia que ele tinha
Odessa (que continuava por aparecer em Portugal), reclamei-o logo como prémio. Nunca me pagou a aposta, o bandido.
Quando comprei o meu primeiro leitor de CD, era um dos trinta e tal discos que já tinha. E foram tantas as vezes que o ouvimos juntos, no tempo em que ele era visita quase diária em minha casa, a seguir ao jantar! Café,
whisky e música, sempre música.